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ambições aterradas

O vergonhoso programa espacial brasileiro

Revista 'Economist' comenta o negligenciado programa de exploração espacial brasileiro e a falta de ambição do governo quanto ao assunto

O vergonhoso programa espacial brasileiro
A Base Espacial de Alcântara, por sua localização privilegiada, é um dos melhores pontos do mundo para lançar satélites à órbita (Foto: Wikipedia)

A Rússia tinha o Sputnik e Yuri Gargain. EM 2003, a China enviou um homem ao espaço. Até a Índia está explorando os céus: em setembro passado uma sonda indiana começou a circular Marte. O Brasil acredita estar no mesmo patamar que essas grandes economias emergentes – todos são membros do Bric. Mas quando o assunto é espaço, seus esforços estão aterrados: só foram à órbita seis pequenos satélites não comerciais, quatro deles construídos com o auxílio da China e lançados com equipamento chinês.

O programa espacial brasileiro sofreu um golpe em julho quando a presidente Dilma desistiu de um acordo de 11 anos com a Ucrânia para lançar satélites a bordo dos foguetes ucranianos Cyclone-4 da base aérea de Alcântara, no Maranhão. A explicação oficial implicava que o projeto atrasado, avaliado em R$1 bilhão, tinha se tornado muito caro.

O Brasil teve um bom começo. Nas décadas de 1950 e 1960, o país lançou foguetes na estratosfera. O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) tem uma instalação de testes de satélites de primeira qualidade em Campos do Jordão. Mas as tentativas brasileiras de construir seu próprio foguete para transporte de satélites foram interrompidas em 2003, quando um protótipo explodiu em Alcântara horas antes do lançamento planejado, matando 21 pessoas.

Por mais difícil que seja a ciência espacial, diplomacia espacial é ainda mais desafiadora. A mania brasileira de compartilhar conhecimento com regimes duvidosos irrita o governo americano. Nos anos 1980, o Brasil ajudou o Iraque a dobrar o alcance de seus mísseis Scud. Os americanos convenceram a França e a Alemanha a não dividirem sua tecnologia espacial com o Brasil. Em 2000 o então presidente Fernando Henrique Cardoso negociou um acordo de proteção à tecnologia americana, mas o Congresso não o apoiou. Lula, seu sucessor, liquidou o projeto. Ao invés disso, ele assinou um acordo com os ucranianos, que oferecia as proteções que foram negadas aos Estados Unidos.

Em sua recente viagem aos Estados Unidos, Dilma visitou um centro de pesquisas da Nasa, gerando especulações que o Brasil pode estar novamente disposto a cooperar. Mas os americanos não vão abrir mão das garantias de segurança. Enquanto isso, a Rússia e a França estão de olho em Alcântara, um dos melhores pontos do mundo para lançar satélites em órbita.

Enquanto isso, as ambições extraterrestres do Brasil continuam empacadas. Mesmo antes dos cortes recentes no orçamento, o governo planejou injetar menos de R$9 bilhões em atividades relacionadas ao espaço em 2012-21. A Índia, cuja missão à Marte custou menos da metade do que Hollywood gastou para fazer o filme “Interestelar”, investe esta quantia em menos de três anos.

Fontes:
The Economist - Ten, nine, ten...

2 Opiniões

  1. Bosco disse:

    Lamentável o país fica refém de burocratas ideológicos que acham bonito contrariar os americanos
    e assim ficamos dando milho aos pombos.

  2. Ludwig Von Drake disse:

    É que os nossos governantes, por serem analfabetos funcionais ou disléxicos, não fazem ideia do aporte em tecnologia que a pesquisa espacial trás, para todas as áreas do conhecimento técnico e científico.

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