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Gota d'água

O volume morto de iniciativa de um governo diante da crise hídrica

O risco de não exercer controle e soberania sobre as maiores reservas subterrâneas de água doce do planeta, ambas no Brasil, pode implicar que 'um aventureiro lance mão'

O volume morto de iniciativa de um governo diante da crise hídrica
O país que tem a maior reserva hídrica do planeta não poderia viver esta situação (Reprodução/Internet)

A estiagem que atinge grande parte das regiões economicamente mais importantes do país traz em janeiro seus sinais mais dramáticos. A esperança de que as chuvas de verão aliviassem a crise hídrica trouxe a preocupação com o futuro próximo.

A crise não traz somente a preocupação com o consumo de energia elétrica e suas consequências, como o racionamento, apagões, danos a aparelhos, aumento do valor das contas de luz, além de grande desconforto. O risco maior reside na interrupção da oferta de água para o consumo humano – para beber, para o banho diário, para manter limpas as roupas, a louça e a casa de cada um.

Desnecessário dizer que a cada dia o governo perde momentos preciosos para deflagrar uma séria e urgente campanha de redução de consumo. Os reservatórios que abastecem os principais estados atingiram o volume morto.

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O racionamento não deve começar quando as torneiras secam, mas muito antes, para evitar exatamente que não tenhamos água ou luz elétrica em casa. A ambição eleitoreira, a irresponsabilidade política e o descaso com o social levaram milhões de pessoas à situação de risco que agora vivemos. Como sempre, a corda arrebentará do lado mais fraco: os mais pobres. Os mais abastados gastarão mais, é fato, mas terão carros-pipa para abastecer suas caixas e até pagarão mais caro pela água mineral.

O país que tem a maior reserva hídrica do planeta não poderia viver esta situação. Nada justifica isso. Dois terços da população do mundo não terão acesso à água doce e limpa em 2025, segundo relatório da ONU publicado sem muito alarde há dois anos. Considerada a população de hoje – 5,5 bilhões de pessoas não terão acesso à água.

Em situações de crise e de risco, um governo sério precisa analisar todos os cenários e possibilidades. É importante que se lembre que de toda a água existente no planeta somente 2,5% é doce e potável. Além de seus caudalosos rios e lagos, o país tem em seu subsolo grandes reservas estratégicas que podem garantir seu futuro como uma grande potência – mas que também podem lhe trazer problemas.

Pouco se fala na mídia sobre as maiores reservas subterrâneas de água doce do planeta – o Aquífero Guarani e o Aquífero Alter do Chão. Este último, localizado sob os estados do Amapá, Amazonas e Pará – tem volume d’água estimado de 86 kmᵌ. Já o primeiro compreende os estados de Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais e ainda partes do Uruguai, Argentina e Paraguai. Tem volume de 45 kmᵌ.

O silêncio sobre o assunto é tanto que se chega a desconfiar que os atuais ocupantes do Planalto desconheçam completamente o tema. O risco de não exercer controle e soberania sobre tal riqueza pode implicar que “um aventureiro lance mão”, como diria o poeta Chico Buarque. Quem duvida dessa tese – ou considerá-la exagerada – que se lembre de quantas guerras houve no século passado por causa de um líquido intragável ao organismo humano chamado petróleo.

O leitor sabe, por acaso, qual o precioso líquido da vez?

2 Opiniões

  1. rene luiz hirschmann disse:

    Quando não houver mais agua para beber “aqueles Brasileiros” vão beber e comer dinheiro.

  2. André Luiz D. Queiroz disse:

    Desconhecia sobre o tal aquífero Alter do Chão, que, pelo dito no artigo, é quase o dobro do aquífero Guarani. E me preocupa muitíssimo saber que tal aquífero Alter do Chão se estende justamente em dois dos estados menos desenvolvidos do país, e com as maiores dificuldades logísticas para assegurar a soberania sobre tal reserva hídrica: Amazonas, e Pará. Preocupante!…

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