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ELEIÇÕES 2018

O voto ‘volátil’, a democracia e o seu oposto

Presidente e diretora-executiva do Ibope dizem que contingente real de votos ainda incertos gira em torno de 40%

O voto ‘volátil’, a democracia e o seu oposto
Primeiro turno das eleições ocorre no próximo domingo, 7 (Foto: TRE-RJ/Flickr)

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Na última segunda-feira, 1, horas antes da divulgação da pesquisa Ibope que apontou Jair Bolsonaro (PSL) entrando na última semana de campanha com mais quatro pontos de vantagem sobre Fernando Haddad (PT), o presidente do instituto, Carlos Augusto Montenegro, disse durante almoço com empresários na Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ), sobre intenções de voto para presidente da República, que ainda há 40% de indecisos.

No dia anterior, domingo, 30 de setembro, o Jornal do Brasil (JB) trazia entrevista com a diretora executiva do Ibope, Márcia Cavallari, na qual ela apontava um número semelhante, 38%, para se referir ao eleitor brasileiro indeciso, ou “volátil”, acerca do que fazer no próximo domingo, 7 de outubro, diante da última escolha na sequência de votos programada na urna eletrônica: para presidente da República.

O contingente de indecisos apontado por Márcia, e aparentemente arredondado por Montenegro, parece surreal aos olhos, soa estranho aos ouvidos de quem já sabe que na pesquisa Ibope divulgada na última segunda o percentual de indecisos “oscilou” (dentro da margem de erro) para 5%, ante os 7% apontados na pesquisa Ibope da última quarta-feira, 26 de setembro. Seriam, portanto, os votos ainda dando sopa por aí, a serem amealhados, de no máximo 17% do eleitorado, se somados aquele índice de “não sabe/não respondeu” ao da intenção de votar branco ou nulo.

A própria Márcia Cavallari, porém, explicou assim ao JB, ao responder sobre a chance de Ciro Gomes (PDT) chegar ao segundo turno, mesmo dez pontos atrás da Haddad a essa altura da política: “Existe, porque a gente vê ainda muita volatilidade no voto dos demais candidatos. São 38% das pessoas que não citam nenhum candidato na pergunta espontânea. Esse contingente pode mudar muita coisa. Não dá para afirmar nada agora, tem muita gente que ainda não decidiu”.

Afinal, como disse o próprio Carlos Augusto Montenegro diante da plateia da ACRJ, nunca vimos uma eleição “tão esquisita” como a atual. Um exemplo: como muita gente já observou nas redes sociais brasileiras, é possível que os quatro pontos percentuais que Bolsonaro abriu sobre Haddad no fim de semana (a pesquisa Ibope divulgada nesta segunda foi feita no sábado, domingo e na própria segunda) possam ser explicados justamente pelas históricas passeatas anti-Bolsonaro do último sábado, 29. Assustados com o poder de mobilização de uma massa de gente que supõem tender ao PT, muitos antipetistas “voláteis” decidiram-se, enfim: decidiram apostar mesmo suas fichas, dar seu voto ao #EleNão.

‘De jeito nenhum’

Trata-se de uma eleição realmente louca, especialmente quando deveria se esperar um número baixo, ou não tão alto, de brasileiro volúveis, mutáveis, inconstantes, titubeantes, sem saber bem o rumo de casa diante do fato de que o país, afinal, tem nesta eleição, ou a começar por esta eleição, uma escolha a fazer entre a Democracia e… e o seu oposto, digamos assim, a fim de não ferir a sensibilidade de quem não é chegado a dar às coisas os nomes que elas têm, à moda Dias Toffoli ou do próprio Fernando Haddad.

A pesquisa Ibope da última segunda ainda não havia sido divulgada, provavelmente sequer havia sido concluída, quando Carlos Augusto Montenegro afirmou no Rio que a eleição presidencial de 2018 caminha para um verdadeiro “duelo de rejeições” no segundo turno. Divulgada a pesquisa, no Jornal Nacional, soube-se que a rejeição a Haddad subiu 11 pontos percentuais em apenas cinco dias, batendo em 38%, enquanto a rejeição a Bolsonaro ficou estacionada nos mesmos 44% da pesquisa Ibope anterior.

Para se ter uma ideia do quão longo será outubro, o PT saiu vitorioso das quatro últimas eleições presidenciais com taxas de rejeição a Lula e Dilma girando em torno de 30% às vésperas da abertura das urnas. Dilma Rousseff, às portas do primeiro turno de 2014, tinha 31% de “não voto nela de jeito nenhum”.

Até o próximo domingo, 7, os candidatos que “correm por fora” para chegar ao segundo turno irão, digamos, “dançar na beira do abismo” com as rejeições a Bolsonaro e, principalmente, a Haddad, tentando catapulta-las ainda mais. É o discurso, a estratégia, o delírio da “polarização entre extrema-direita e extrema-esquerda” no Brasil.

A “extrema-esquerda” seria o PT… O PT do Lulismo, que significa precisamente o progressivo afastamento do partido, desde a virada do século, de tudo aquilo que mais poderia fazer-lhe digno do termo “esquerda”, ainda que jamais “extrema”; o PT de Haddad, cuja mão que toca um violão, parafraseando Marcos Valle, nem sonhando faz a guerra. “Nem a pau, Juvenal”.

 

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