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DELAÇÃO PREMIADA

Odebrecht concretiza o maior temor da classe política

Empresa pede desculpas por ‘práticas impróprias’, oficializa acordo de leniência no valor de R$ 6,8 bilhões e delações premiadas que podem atingir até 200 políticos

Odebrecht concretiza o maior temor da classe política
Trata-se da maior delação premiada da história, com participação de mais de 70 executivos (Foto: Twitter)

O maior pesadelo da classe política brasileira se concretizou esta semana, quando a Odebrecht formalizou a maior delação premiada da história e um acordo de leniência no valor de R$ 6,8 bilhões a serem pagos ao longo de 20 anos. Este tipo de acordo prevê a admissão de culpa perante a Justiça e o pagamento de indenização pelos crimes cometidos.

Nesta sexta-feira, 2, a Odebrecht divulgou uma nota, intitulada “Desculpe, a Odebrecht errou”, onde reconhece que participou de “práticas impróprias” em sua atividade empresarial, uma referência ao envolvimento da empresa no esquema de corrupção investigado pela Operação Lava Jato. No texto, a empresa se compromete a promover mudanças radicais em sua postura e a colaborar com as investigações.

No momento, a maior expectativa gira em torno das informações que serão reveladas na delação premiada da empresa, a mais esperada da Lava Jato, que ganhou o apelido de “delação do fim do mundo”. Ao todo, 75 executivos da empresa fecharam acordo de delação premiada, além do próprio Marcelo Odebrecht e seu pai, Emílio Alves Odebrecht.

O número de parlamentares citados nas delações preliminares (que antecedem a oficialização do acordo) chega a 200. Entre eles está o ex-presidente Lula, a presidente deposta Dilma Rousseff, o senador Aécio Neves, os governadores Geraldo Alkmin (São Paulo), Fernando Pimentel (Minas Gerais), Luiz Fernando Pezão (Rio de Janeiro), os ex-ministros da Fazenda Antonio Palocci e Guido Mantega, o ex-deputado cassado Eduardo Cunha e o ex-governador do Rio Sérgio Cabral.

Os citados, no entanto, somente serão considerados culpados após a apresentação de provas que confirmem o envolvimento. Além da delação, a Odebrecht terá de dar explicações sobre uma planilha apreendida na casa de um ex-executivo da empresa, que continha o nome de pelo menos 71 parlamentares. A Justiça busca saber se trata-se de uma lista de pagamento de propina, caixa dois ou doação oficial de campanha.

A delação foi firmada após muita resistência de Marcelo Odebrecht. Preso em Curitiba desde julho de 2015, ele foi condenado a 19 anos de prisão. Porém, o acordo permitirá que ele deixe a prisão em dezembro de 2017 para cumprir o restante da pena em regime domiciliar.

Durante meses, Marcelo se negou a negociar o acordo de delação premiada. Em uma declaração dada em setembro do ano passado, em depoimento à CPI da Petrobras, ele afirmou que sua recusa era uma questão moral. “Entre o meu legado, eu acho que tem valores, inclusive morais, dos quais eu nunca abrirei mão. Eu diria que entre esses valores, eu, desde criança, quando, lá em casa, as minhas meninas tinham discussão e tinham uma briga, eu dizia: ‘Olha, quem fez isso?’. Eu diria o seguinte: eu talvez brigasse mais com quem dedurou do que com aquele que fez o fato”.

No entanto, ele foi persuadido pelo pai, Emílio, que confidenciou a Marcelo temer pela falência do grupo criado, em 1944, por seu pai, Norberto Odebrecht, (avô de Marcelo). Para Emílio, o fim do grupo encerraria uma tradição familiar no ramo da engenharia civil. Norberto era bisneto de Emil Odebrecht, engenheiro que em 1856 migrou da Prússia para a Colônia São Paulo de Blumenau (atual cidade de Blumenau), onde se tornou uma figura importante atuando na abertura de estradas.

Fontes:
Congresso em Foco-Odebrecht concretiza pesadelo de políticos brasileiros

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1 Opinião

  1. Markut disse:

    É esperar que esse pesadelo represente o início da indispensavel guinada moral, esse autêntico “oxigênio’ de que o país necessita, em carater de urgência urgentíssima.

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