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CINEMA

‘Olhando para as Estrelas’, balé para cegos

Documentário acompanha a vida de duas bailarinas com deficiência visual

‘Olhando para as Estrelas’, balé para cegos
Geyza Pereira é a primeira bailarina da companhia (Foto: Divulgação)

Quem já tentou ficar na ponta do pé, tem ideia do quão difícil deve ser a vida de um bailarino. Além do esforço físico, é necessário ter a leveza da dança e o sorriso no rosto. Agora, imagine dar uma pirueta de olhos fechados. Quando não há um ponto referencial, a tarefa parece impossível. Apenas, parece. Esse é o mote do documentário brasileiro “Olhando para as Estrelas”, que acompanhou durante três anos a vida de duas bailarinas da primeira e única escola de balé do mundo para pessoas com deficiência visual, a Associação de Ballet e Artes para Cegos Fernanda Bianchini, que fica em São Paulo.

Geyza Pereira é a primeira bailarina da companhia e também é professora da escola, enquanto Thaila Macedo é uma de suas alunas adolescentes. O documentário é de uma sensibilidade ímpar ao mostrar as vitórias das duas, ao mesmo tempo que revela suas inseguranças e fragilidades. Geyza, que é um exemplo para as meninas da companhia, se prepara para casar. Thaila, por sua vez, passa pelas dificuldades da inclusão na escola. O balé é o ponto de encontro das duas e de tantas outras que sonham com os palcos.

Como o documentário acompanha a vida delas, é possível compreender como elas aprendem os passos de uma dança tão visual e como são capazes de sentir a música e de ganhar autonomia a partir da arte. Como bem define a música do Pato Fu, usada na trilha sonora, “A hora da estrela vai chegar/Agora ninguém vai duvidar/Não hoje. Não mais. Nem nunca…/Jamais!”.

Este é o primeiro documentário longa metragem do diretor brasileiro Alexandre Peralta. “Olhando para as Estrelas” recebeu o prêmio de melhor documentário da HBO/NALIP (Associação de Produtores Latinos), prêmio da diversidade no Bentonville Film Festival e participou de vários festivais internacionais, como o Dance on Camera, prestigiado festival de filmes de dança, organizado pelo Film Society of Lincoln Center. O longa também foi exibido no Los Angeles Film Festival e na 40ª Mostra de Cinema de São Paulo.

O filme tem flyer especial acessível em braile, e audiodescrição por aplicativo.

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