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Coluna Esplanada

Operação Dedo na tomada & Enxurrada abaixo

É muito mais eletrizante -- e chocante -- o que será revelado com a devassa que começa a ser feita no setor elétrico federal

Operação Dedo na tomada & Enxurrada abaixo
Apreensão de documentos fará emergir tramoias na construção de Angra 3, segundo fonte (Fonte: Reprodução/Eletrobras)

Quem acompanha de perto as investigações, e com lupa, adianta que é muito mais eletrizante — e chocante — o que será revelado com a devassa que começa a ser feita no setor elétrico federal. A operação de ontem, com a prisão de um executivo da Andrade Gutiérrez e um ex-diretor da Eletronuclear é apenas a ponta do fio desencapado que levará à ‘central de operações’ de superfaturamentos e propinas de anos nos braços da Eletrobras.

No último dia 8 de julho a Coluna antecipou que viria curto-circuito na praça, com o setor elétrico como próximo alvo da Polícia Federal. A mesma fonte aponta agora que a apreensão de documentos fará emergir as tramoias na construção da usina nuclear Angra 3 e nas megas hidrelétricas do Norte e Nordeste do Brasil. Não bastasse isso, a situação vai piorar para as empreiteiras — as mesmas do clubinho da Petrobras — que constroem as usinas.

Documentos já apreendidos pela Polícia Federal em abril, na Operação Choque coordenada pelo Ministério Público Federal, indicariam superfaturamentos em contratos na construção de usinas, com o mesmo modus operandi descoberto na Petrobras: repasse de dinheiro para caixa 2 e propinas via doações oficiais para candidatos na campanha de 2010 e 2014.

O cerco judicial no setor elétrico agora é duplo, através do MP Federal e da PF. Com a operação deflagrada, cria-se o braço ‘energético’ da Lava Jato, embasada nas delações dos empreiteiros presos, em especial Ricardo Pessoa, da UTC, que se tornou em poucas semanas no Entregador-Geral da União. E a Operação Choque do MPF, que segue em paralelo, vai passar de 110 para 220 volts nos próximos meses.

Ou seja, o dedo na tomada na Lava Jato e a enxurrada das ‘comportas abertas’ das hidrelétricas vão se encontrar com energia de sobra nos autos da Justiça.

É pule de dez que a corrente elétrica com esse fio desencapado leve aos contratos de Jirau, Belo Monte e outras usinas do setor.

Dedo na tomada 2

Antes de qualquer comemoração com o memorando de intenção da obra assinado entre os representantes dos governos do Brasil e da Bolívia, os entusiastas da usina hidrelétrica binacional na fronteira entre os dois países precisam explicar o milagre da matemática do cálculo de custos.

Sete anos atrás, quando a imprensa local citou o esboço da mega obra comparada à hidrelétrica de Itaipu, o custo era de US$ 1 bilhão. Não se tem ideia do embasamento da nova estimativa de gasto, nem com a pior inflação do mundo. Sem trocar uma vírgula do projeto, o valor agora supera US$ 5 bilhões.

As águas do rio Madeira que separam Brasil e Bolívia na altura do Acre correm a uma velocidade que conotam muita energia nos gabinetes dos idealizadores do projeto. Do lado de cá, os milagreiros são o líder do PT na Câmara, Sibá Machado, e o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga (PMDB), ambos egressos da região.

Mais um problema

Um deputado gaiato, mas em quarto mandato e conhecedor dos meandros do Congresso, opositor do presidente da Câmara, chuta à meia boca que Eduardo Cunha começa a perder todos os fios de cabela recém-implantados com a operação policial no setor elétrico. Pode ser maldade, pode ser meia verdade.

Cunha, apesar de negar, transitava com desenvoltura por Furnas. Principalmente quando apadrinhou Luiz Paulo Conde (in memoriam) na presidência da estatal.

Correção

O Shopping DC Navegantes, de propriedade do fundo Centrus (BC), não fica na cidade homônima catarinense e sim em Porto Alegre.

Com Equipe DF, SP e Nordeste

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