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delação premiada

Os delatores ao longo da história: de Judas Iscariotes à operação Lava-Jato

Os delatores fizeram parte dos grandes movimentos da história da Humanidade e também da História do Brasil

Os delatores ao longo da história: de Judas Iscariotes à operação Lava-Jato
Perto de Costa, Youssef e Barusco, Judas foi o mais insignificante dos delatores (Reprodução/Internet)

É de muito se estranhar a rapidez e tranquilidade com que o ex-gerente-executivo da Diretoria de Serviços da Petrobras Pedro Barusco aceitou um acordo de delação premiada no qual terá de devolver cerca de US$ 100 milhões (R$ 252 milhões) aos cofres do país e revelar o que sabe sobre o esquema de corrupção na estatal.

Não se faz uma fortuna dessas da noite para o dia, a não ser que esteja bem guardada num banco suíço. E mais, para devolver esta “bagatela” sem susto quanto ele terá desviado de fato da estatal? O dobro, talvez?

O novo delator a serviço da Polícia Federal é considerado peça-chave para a força-tarefa que envolve também a Procuradoria da República, uma vez que deverá revelar o esquema controlado pelo ex-diretor da área, Renato Duque, nome indicado pelo PT – uma espécie de “fio da meada” – e que foi preso na sexta-feira, na sétima fase da operação, batizada de Juízo Final.

Os delatores fizeram parte dos grandes movimentos da história da humanidade e também da história do Brasil. Judas Iscariotes entregou Jesus em troca de trinta moedas de prata. Joaquim Silvério dos Reis determinou o fim do movimento denominado Inconfidência Mineira ao denunciar seus integrantes às autoridades portuguesas. Justiça se faça ao delator dos inconfidentes – diferente do palestino Judas, de Paulo Roberto Costa, do doleiro Alberto Youssef e agora de Pedro Barusco – Silvério nunca foi um traidor, visto que era português.

Perto de Costa, Youssef e Barusco, Judas foi o mais insignificante dos delatores. Afinal, traiu o mais genial dos homens por meras trinta moedinhas. Silvério e Judas jamais ouviram falar em lavagem de dinheiro, contas bancárias no exterior, corrupção ou cartelização. Perto destes senhores apanhados pela operação Lava-Jato (sic) Judas e Silvério são, praticamente, malfeitores de segunda categoria.

*Claudio Carneiro é jornalista e parceiro do Opinião e Notícia

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