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Negócio arriscado

Os pequenos comerciantes do Rio Tajapuru

No Rio Tajapuru, na Amazônia, crianças arriscam a vida usando canoas para subir em barcas em movimento e vender potes de frutas típicas

Os pequenos comerciantes do Rio Tajapuru
A idade dos pequenos comerciantes é o que mais chama a atenção, alguns têm menos de seis anos (Foto: Youtube)

Localizado na Amazônia paraense o Rio Tajapuru conta com um tipo único de comércio. Diariamente, crianças arriscam suas vidas usando pequenas canoas e cordas para emparelhar e subir em barcas, onde vendem aos passageiros potes de geleia, ingá e outras iguarias por R$ 2.

A prática foi tema de uma reportagem publicada na última terça-feira, 27, na rede Al Jazeera. A pouca idade dos pequenos comerciantes é o que mais chama atenção. “Eu faço uma lista com os nomes de todas as crianças. Ultimamente, parece que houve um aumento. Há muitas delas, principalmente as menores, algumas com menos de seis anos, e estão por conta própria”, diz Santos, capitão da barca Bom Jesus.

Quando a Bom Jesus se aproxima da margem, várias canoas começam emparelhar. A barca, no entanto, não pode reduzir a velocidade, já que tem um prazo determinado de viagem a cumprir. “Eu alerto as autoridades sobre a presença deles, pois é uma prática muito perigosa, especialmente quando feita à noite”, diz Santos. Em caso de acidentes, as leis brasileiras responsabilizam os capitães.

A reportagem mostra o cotidiano de um dos pequenos comerciantes: Jesse, de 14 anos. Sua família, de 12 adultos e 16 crianças, tira seu sustento da prática. Todas as manhãs, Jesse sai de canoa e arrisca sua vida para vender potes de iguarias, que são compradas em feiras.

A mãe de Jesse explica que seu marido está muito velho para trabalhar e que a prática é a única fonte de renda da família. “Há dias em que não temos nada para comer. Esperamos que haja alguma coisa no dia seguinte. Aqui é assim. Às vezes comemos, às vezes não”.

Algumas barcas não permitem a subida das crianças e têm um bom motivo para isso. Nos últimos meses, houve um aumento no número de piratas no rio. Eles apreendem as canoas das crianças e as utilizam para subir nas barcas.

Em um vídeo de 25 minutos, a reportagem acompanha o cotidiano de Jesse. Mas, Infelizmente, a história do jovem termina de uma forma trágica. Após se voltar para a pirataria, ele acabou morto a tiros por um capitão de uma barca durante uma tentativa de roubo.

Fontes:
Al Jazeera-The river traders of Brazil

3 Opiniões

  1. Mara disse:

    Eu também estou d acordo c o Monteiro na realização de um filme sobre estas criancas

  2. Rosivaldo Lobato Miranda disse:

    VIM PRA BELÉM AOS CINCO ANOS, FUI CRIADO NO RIO TAJAPURU NA VILA SR.ISAC ONDE HAVIA UMA SERRARIA, NA ÉPOCA NÃO TINHA ESCOLA, SAÚDE… VIVÍAMOS DO TRABALHO DO MEU PAI QUE TIRAVA MADEIRA E TRAZIA PRA SERRARIA.. TUDO ERA DIFÍCIL..QUANDO PASSAVA OS GRANDES BARCOS DE PASSAGEIROS, EU E MEU IRMÃO MAIS VELHO PEGÁVAMOS NOSSA CANOA E ÍAMOS AO ENCONTRO DOS BARCOS AGUARDANDO QUE JOGASSEM ALGUMA COISA COMO: ALIMENTO, ROUPAS OU MESMO DINHEIRO.. FOI MUITO DIFÍCIL VER, HOJE COM MEUS 45 ANOS ESSA REPORTAGEM NA TV RECORD… E VER QUE NADA MUDOU E QUE ESSAS PESSOAS ESTÃO ESQUECIDAS PELA SOCIEDADE E GOVERNOS.SAÍ DA SALA NÃO CONSEGUI VER ATÉ O FINAL MEUS FILHOS UM MENINO DE 7 E UMA MENINA DE 3 ESTAVAM ASSISTINDO, E AI EU FALEI QUE MOREI NESSE MESMO LUGAR..MUITO TRISTE.. POR QUE AINDA MORAM ALGUNS PARENTES POR LÁ.

  3. MONTEIRO disse:

    FOI OTIMO DUCUMENTARIO DARIA PARA FAZER UM BOM FILME SOBRE O MENINO JESSE, VAI UMA DICA.

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