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MEIO AMBIENTE

Os primeiros passos da reciclagem

Estima-se que 31,9% dos resíduos produzidos no Brasil podem ser reciclados

Os primeiros passos da reciclagem
A indústria de reciclagem fatura anualmente R$ 10 bilhões (Foto: Pixabay)

Desde efeito estufa até aquecimento global. A cada dia que passa, acumulam-se os problemas causados pela poluição do meio ambiente. Por isso, é sempre importante tomar atitudes, por menores que sejam, para reduzir o impacto ambiental gerado pela poluição.

Além da diminuição no impacto no meio ambiente, o mercado de reciclagem já se mostrou bastante lucrativo, empregando mais de 2 milhões de pessoas e rendendo 145 bilhões de euros por ano somente na Europa, segundo relatório da Agência Europeia do Ambiente.

Diariamente, é produzida no Brasil uma grande quantidade de resíduos com potencial para serem reciclados, mas apenas a minoria passa pelo processo de reaproveitamento. Apenas 3% dos resíduos produzidos no Brasil são reciclados. O percentual é bem inferior ao de países europeus, como Áustria e Alemanha, que reaproveitam mais de 60% dos resíduos produzidos.

CEO da Ecoassist – empresa especializada em descarte ecológico -, José Augusto Garutti, ressaltou a importância do investimento em reciclagem, explicando que a técnica possibilita que produtos já usados voltem ao ciclo produtivo para a criação de novos itens.

“Segundo o Ministério do Meio Ambiente, nosso país produz cerca de 240 mil toneladas de lixo por dia, onde a maioria é descartada de forma irregular. Algumas atitudes fariam total diferença, e a principal delas é a reciclagem. Essa é a alternativa que mais contribui para o meio ambiente, pois contribui para a diminuição do volume de lixo”, destacou Garutti em entrevista ao Opinião e Notícia.

Fonte: Cempre, Abrelpe e Abralatas

Apesar do baixo número de reciclagem no Brasil, muitas famílias tiram da reutilização a sua renda mensal, seja catando latinha de alumínio, papéis ou garrafas pets, ou utilizando os materiais para criar novos produtos.

“O crescimento da população e o consumo exacerbado criam um volume de lixo urbano acima do que o país e o meio ambiente conseguem absorver. Dessa forma, montanhas de lixo acumulam em locais impróprios, tornando a geração de lixo um dos principais vilões do meio ambiente. Além de reduzir a quantidade de rejeitos no meio ambiente, a reciclagem diminui a procura por novas matérias-primas. Dessa forma, quanto mais se recicla, mais se reaproveita e, consequentemente, menor é a necessidade de extrair recursos retirados da natureza”, apontou Garutti.

Começando a reciclar

A reciclagem reúne um conjunto de técnicas capazes de fazer com que diferentes produtos usados voltem ao ciclo produtivo, seja se transformando em matéria-prima ou compondo a criação de um novo item.

Diferentes tipos de materiais que usamos no nosso dia a dia podem ser reciclados, desde papelões até caixas de leite longa vida. Algumas cidades brasileiras, como o Rio de Janeiro, oferecem serviços de coleta seletiva gratuitos, facilitando na hora de separar os resíduos para serem reutilizados.

Por isso, é importante saber a maneira correta de descarte de alguns objetos para que os mesmos possam ser reciclados e o impacto no meio ambiente reduzido. Para isso, o Instituto Akatu, que trabalha em prol o consumo consciente, preparou uma tabela – que pode ser conferida aqui – com alguns dos principais resíduos que podem, ou não, ser reciclados.

Vale a pena lembrar que os resíduos orgânicos não são recicláveis e devem ser mantidos separados dos materiais reutilizáveis. Isso porque, além de contaminar o material reaproveitável, eles oferecem risco à saúde dos catadores. Após identificar os materiais recicláveis, é necessário higienizá-los, para impedir que o mau cheiro se instale e facilitar o trabalho de reaproveitamento dos resíduos.

Caso haja coleta seletiva na cidade, basta colocar os materiais reciclados dentro de um saco plástico transparente no dia, horário e local da coleta. No caso do Rio de Janeiro, a Comlurb disponibiliza uma tabela com todas as informações e bairros atendidos pelo serviço. Os dados podem ser vistos diretamente aqui.

Mesmo que não haja coleta seletiva na cidade, há postos de reciclagem espalhados por todo país. Alguns, inclusive, permitem que você junte uma quantidade considerável de material – como latinhas de alumínio, por exemplo – e venda nesses locais. O site ecycle preparou uma ferramenta – que pode ser conferida aqui – que permite selecionar o tipo de material a ser reutilizado, colocar a sua localização (através do CEP) e descobrir os pontos de reciclagem mais próximos a você.

“Para que a prática da reciclagem para demais resíduos tenha sucesso, ela deve ter início em casa, através da adoção da Coleta Seletiva, que tem como principal objetivo a separação do lixo, sendo ele orgânico, inorgânico, reciclável e não reciclável. Na teoria, após a separação em casa, os resíduos deveriam ser dispostos para a coleta seletiva e posteriormente, encaminhado a reciclagem. O problema é que apenas 14% da população tem acesso a coleta seletiva, para piorar são poucas as residências que recebem o sistema de porta em porta, realizado pelo poder público. Ou seja, quem não tiver acesso ao serviço e desejar descartar corretamente seus resíduos terá que encontrar o ponto de coleta mais próximo”, apontou Garutti.

Eco-design

Uma outra forma de reciclagem é o eco-design, que tem um viés mais artístico. Nele o artista usa materiais de baixo impacto ambiental para fazer obras de arte ou móveis de decoração. O material usado varia dependendo de cada profissional. Enquanto alguns usam latinhas de alumínio ou plástico, outros usam a madeira, como é o caso do eco-designer Pedro Petry, que tem 30 anos de experiência.

“O enquadramento nesse conceito acontece quando se promove a escolha de materiais de baixo impacto ambiental, menos poluentes e se possível de geração sustentável. Outro fator importante no conceito do eco-design é projetar de forma que o produto sobreviva seu ciclo de vida e depois ainda possa ser reutilizado em outras funções”, destacou Petry.

Foto: Divulgação

A prática do eco-design começou a ganhar corpo nos anos 1990. No entanto, essa forma de arte consciente se tornou ainda mais forte nos últimos anos, quando as pessoas começaram a praticar o “consumo consciente”, buscando agredir menos o meio ambiente através dos seus hábitos de consumo. Dessa forma, com o crescimento dos adeptos do eco-design, mais profissionais têm se empenhado em tornar a arte mais acessível ao grande público.

“Quando falamos das artes, o grande vilão é a criatividade. Num mundo cada vez mais limitado na oferta de recursos naturais, é imperativo o engajamento na criação de arte ou mesmo produtos concebidos a partir da reciclagem de materiais. Esse conceito não se aplica apenas às artes. Aliás, está muito associado também ao processo industrial em larga escala. Um ícone deste processo são as embalagens de alumínio. O Brasil é campeão com algo em torno de 95% de reuso desta matéria prima. Isso é muito importante para o meio ambiente, já que a extração da bauxita (usada para fabricação de alumínio) é via de regra feita em minas a céu aberto, portanto provoca um considerável impacto ambiental e para sua transformação demanda grande consumo de energia elétrica”, destacou Pedro Petry.

Códigos do plástico

Um dos maiores vilões do meio ambiente é o plástico, que leva cerca de 450 anos para se decompor no meio ambiente. No Brasil, apenas 25,8% – de um total de aproximadamente 2,1 milhões de toneladas – do plástico descartado passa pelo processo de reciclagem, o que representa cerca de 550 mil toneladas por ano, segundo dados da Associação brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast). Isso mostra que o país precisa melhorar urgentemente o percentual de plástico reciclado.

Uma curiosidade que poucos sabem é o significado das imagens com números envoltos em triângulos, que são encontradas embaixo ou na lateral de embalagens feitas e plástico. Tais códigos são formados por diferentes combinações de números e letras e servem para auxiliar os catadores de materiais recicláveis e programas de coleta seletiva. Isso porque cada código indica que tipo de plástico foi usado na produção do material a ser descartado.

Número 1 + PET – As três letras significam Polietileno Tereftalato e são encontradas em garrafas de refrigerante, água, óleo, embalagens plásticas, entre outros. Depois de reciclado, pode se transformar em tecidos e outras embalagens, como as de produtos de limpeza.

Número 2 + PEAD – É o plástico mais usado para embalar iogurte, frascos de leite, potes de sorvete e sucos. As letras significam Polietileno de Alta Densidade. Esse material, após reciclado, pode virar tubulação de esgoto e conduítes.

Número 3 + PVC –  É o Policloreto de Vinila, mais usado em itens de higiene pessoal ou frascos de remédio. Quando reaproveitado, pode se tornar mangueira de jardim, cone de tráfego, entre outros.

Número 4 + PEBD – É o plástico das sacolas de supermercado, bolsas de soro fisiológico, entre outros, conhecido como Polietileno de Baixa Densidade. Após o processo de reciclagem, pode ser usado para produzir sacos de lixo.

Número 5 + PP – Conhecido como Polipropileno, é usado na fabricação de embalagem de produtos químicos, alimentos e remédios. Depois de reciclado, pode ser transformado em cabos de bateria de carro, caixas, entre outros.

Número 6 + OS – Mais usado em frascos e aparelhos de barbear descartáveis, o Poliestireno pode se transformar em bandejas e itens de escritório depois de passar pelo processo de reciclagem.

Número 7 + OUTROS – Os outros produtos têm base de policarbonato, ABC, poliamida e acrílicos. Depois de serem reciclados, podem virar madeira plástica ou participar de reciclagem energética, que transforma o plástico em energia térmica ou elétrica.

Lixeiras diferentes

Em diferentes locais do Brasil nos deparamos com lixeiras coloridas marcadas para a reciclagem. Algumas são fáceis de se identificar, pois tem o tipo de material que é para ser depositado nela especificado logo na parte da frente.

“Para que a reciclagem se torne efetiva, a população precisa entender que ela também é responsável pela destinação correta do resíduo que gera. No entanto, os programas de reciclagem não são adequados. Para que mais resíduos sejam encaminhados para a reciclagem, é necessário que programas como a Coleta Seletiva seja mais abrangente e também eficiente”, afirmou Garutti.

No entanto, nem todas as lixeiras têm escrituras ou desenhos especificando o tipo de resíduo que é para ser descartado. Por isso, baseado nas informações no Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA), o Opinião e Notícia separou as cores em uma lista para ficar melhor explicado a forma correta de descarte.

Amarelo – Metal em geral

Azul – Papel; papelão

Laranja – Resíduos perigosos

Marrom – Resíduos orgânicos

Verde – Vidro

Vermelho – Plástico

Ana Elisa Ribeiro

Foto: Flickr

 

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