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ESQUEMA DE ‘RACHADINHA’

Para Janaina Paschoal, Flávio Bolsonaro cometeu peculato

‘Ao que tudo indica, Flávio cometeu peculato e utilizou funcionários para desviar dinheiro público’, disse a deputada em entrevista ao ‘Estadão’

Para Janaina Paschoal, Flávio Bolsonaro cometeu peculato
Janaina, no entanto, disse não ver crime de lavagem de dinheiro (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

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A deputada estadual Janaina Paschoal (PSL-SP) afirmou que tudo indica que o senador Flávio Bolsonaro (sem partido-RJ) cometeu crime de peculato ao desviar dinheiro público no esquema de “rachadinha” durante sua gestão como deputado estadual pelo Rio.

A declaração foi dada na última quinta-feira, 26, em entrevista ao jornal Estado de S.Paulo, na qual a deputada foi questionada sobre os fatos divulgados envolvendo o senador. Janaina Paschoal, no entanto, disse não ver crime de lavagem de dinheiro.

“Ao que tudo indica, infelizmente, o Flávio cometeu peculato e utilizou funcionários para desviar dinheiro público. Tecnicamente falando, não vejo a lavagem [de dinheiro], mas o peculato eu vejo. E ele tem de responder. O meu desejo é que o Ministério Público Federal do Rio faça com os outros naquela lista da Alerj [Assembleia Legislativa do Rio] o que está fazendo com Flávio. Já ouvi gente dizendo que, se não faz com os outros não pode fazer com ele, mas meu desejo é o contrário. As pessoas precisam aprender que o dinheiro público deve ser respeitado”, disse a deputada estadual.

A lista a que Janaina Paschoal se refere consta no relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) – atual Unidade de Inteligência Financeira (UIF) – e foi anunciada em janeiro deste ano, em coletiva de imprensa dada pelo procurador de Justiça do Rio, Eduardo Gussem, noticiada pelo site G1. A lista compõe a investigação que apura a prática de rachadinha na Alerj. Ela traz o nome de 27 deputados estaduais investigados e 75 assessores. Todos com movimentações bancárias suspeitas detectadas pelo Coaf.

Dos 27 investigados, 21 tiveram os nomes revelados:

– André Ceciliano (PT), atual presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj);
– Átila Nunes (MDB);
– Benedito Alves Costa (PRB);
– Carlos Minc (PSB);
– Cel. Jairo (MDB);
– Dr. Deodalto (DEM);
– Eliomar Coelho (PSOL);
– Flávio Bolsonaro (PSL);
– Iranildo Campos (Solidariedade);
– João Peixoto (Democracia Cristã);
– Jorge Picciani (MDB);
– Luiz Martins (PDT);
– Luiz Paulo Corrêa da Rocha (PSDB);
– Marcia Jeovani (DEM);
– Márcio Pacheco (PSC);
– Marcos Abrahão (Avante);
– Marcos Muller (PHS);
– Paulo Ramos (PDT);
– Pedro Augusto (PSD);
– Tio Carlos (Solidariedade);
– Waldeck Carneiro (PT).

O nome de Flávio Bolsonaro vem recebendo maior destaque por dois motivos: primeiro, por se tratar do filho do presidente da República, o que sujeita o senador à mesma aura de escrutínio que envolveu os filhos do ex-presidente Lula. Segundo, por conta do discurso ferrenho anticorrupção que resultou na eleição do clã Bolsonaro em uma aposta de mudança feita pelo eleitorado.

Janaina já havia alertado para os danos da “rachadinha”

Esta não é a primeira vez que Janaina Paschoal alerta para os danos causados pela prática de rachadinha. Em dezembro de 2018, a deputada compartilhou uma série de postagens no Twitter, detalhando a prática.

Na ocasião, a deputada afirmou que “muito antes do relatório do Coaf ”, um funcionário da Corregedoria da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) “montou um curso para os Deputados eleitos, com o objetivo de alertá-los de alguns problemas que podem enfrentar na futura gestão”.

No curso, foram detalhadas práticas que ensejam a atuação da Corregedoria na Casa. Dentre as práticas, está a devolução de salário por parte de assessores. Citando a Alesp, Janaina destaca que cada deputado pode contratar até 32 assessores.

“Os salários são muito bons, quando se compara com o mercado. Com os salários oferecidos pela Casa, o Deputado pode procurar bons quadros, pessoas especializadas e/ou pessoas dispostas a trabalhar muito em prol do bem público. No entanto, algumas vezes, o parlamentar prefere contratar alguém com capacitação incompatível com o salário. E por quê? Porque esse alguém vai ficar muito satisfeito com uma parte do salário pago e, para mantê-lo, vai devolver uma boa parte ao parlamentar. Haja vista que essa verba (para contratação) fica à disposição do Deputado, algumas pessoas acham natural a devolução (?!)”, escreveu a deputada.

Segundo as postagens de Janaina, os funcionários envolvidos não denunciam a prática porque se o fizerem serão enquadrados como participantes do esquema, e terão de devolver seus salários. Ela afirma que essa abordagem dificulta a coibição da prática ilegal e que manter tal esquema vigente é mais prejudicial do que parece.

“Tenho tentado explicar às pessoas que esse tipo de prática é bem mais deletéria do que parece, pois, com o tempo, o parlamentar para de procurar pessoas competentes e passa a buscar pessoas rasas e inseguras, que se submetem. Pior, não raras vezes, o parlamentar contrata pessoas que sequer comparecem para trabalhar, pois o fim é apenas obter o salário de volta! Quero deixar muito claro que não estou falando nem de A, nem de B. Quero deixar bem claro que estou falando do Brasil que queremos ter!”, escreveu a deputada na série de postagens.

Na entrevista ao Estado de S.Paulo da última quinta-feira, Janaina também respondeu a perguntas sobre candidaturas laranjas do PSL e a criação do partido Aliança pelo Brasil, legenda que Jair Bolsonaro tenta criar. A deputada afirmou não considerar algo “inteligente” abrir outro partido neste momento e disse que Bolsonaro “trai a própria” história com a iniciativa (confira aqui a entrevista na íntegra).

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