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ESTRATÉGIA POLÍTICA

Partidos brasileiros: nova embalagem, mas o mesmo conteúdo

Partidos estão modificando seus nomes e chegando em 2018 com uma 'nova roupagem'

Partidos brasileiros: nova embalagem, mas o mesmo conteúdo
Os 35 partidos continuam os mesmos, mas parte deles com diferente maquiagem (Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado)

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No ano que vem, o brasileiro retomará a rotina que ocorre no país a cada dois anos e voltará às urnas. Desta vez, para eleger o presidente da República, governadores, senadores, deputados federais e deputados estaduais. A despeito da decepção com a classe política, o material humano pouco se renovou e o eleitor terá ‘mais do mesmo’ na hora de escolher seus representantes.

Os velhos nomes da política virão, no entanto, em nova embalagem. Mais ou menos como na piada do homem traído que troca o sofá da sala, o eleitor vai encontrar uma única novidade que pouco vai alterar a triste realidade política brasileira: os 35 partidos continuam os mesmos, mas parte deles virá com diferente maquiagem. Diante do desgaste de algumas legendas – a maioria delas iniciada pela letra “P” -, as agremiações políticas decidiram não correr riscos e adotaram novos nomes. Saem siglas de uma sopa de letrinhas – que só confunde o eleitor – e surgem nomes tão sugestivos quanto pretensiosos.

Assim, o Partido da Frente Liberal (PFL), por exemplo – que nasceu de uma dissidência do antigo PDS, que apoiava o regime militar – agora atende pela alcunha de “Democratas” – como se trouxesse em suas hostes um levante de senhores a defender os interesses do povo. Diferentemente do partido norte-americano, fundado há 225 anos por Thomas Jefferson, o partido traz o ranço de parte do coronelismo do Nordeste, abrigando, por exemplo, o neto de Antonio Carlos Magalhães, ACM Neto. Seu presidente, José Agripino Maia, votou recentemente a favor da manutenção do mandato do senador Aécio Neves – contra decisão da Primeira Turma do STF no processo em que o senador mineiro é acusado de corrupção e obstrução da justiça.

Novos nomes, velhas caras

Seguindo a mesma receita de bolo, e inspirado no famoso mote “Sim, nós podemos” (Yes, we can) da campanha de Barack Obama, nasceu o “Podemos”, organização anteriormente conhecida como o Partido Trabalhista Nacional (PTN). A nova denominação nada tem a ver com o partido espanhol – de mesmo nome – de alinhamento político bem mais à esquerda. O PTN conseguiu ao longo do tempo abrigar pessoas com ideologias tão diferentes quanto Jânio Quadros, Celso Pitta, Álvaro Dias e Romário. “Podemos” é ainda uma audaciosa combinação das palavras “Poder” e “Democracia” que, somadas, sugerem que o povo é capaz de mudar seu destino.

Enquanto o próprio PMDB – o maior do país – busca derrubar o “P” de sua sigla, o pequeno Partido Trabalhista do Brasil (PT do B) passou a se chamar “Avante” – fazendo a menção de um futuro que há de vir e, provavelmente, convocando o eleitor a participar desta iniciativa. O problema, e que não tem nomes representativos ou conhecidos no cenário político, contando somente com 14 deputados estaduais.

Quarto maior partido do país, com quase 1,5 milhão de filiados, o “Progressista” é o PP. A despeito do nome, que sugere um olhar para o futuro e o progresso, é a agremiação política que abriga Paulo Maluf, Francisco Dornelles, Delfim Netto e ainda Jair Bolsonaro – este último até o ano passado.

Entre os primeiros partidos a buscar excluir a letra “P” de sua sigla junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) está a “Rede”, que tem Marina Silva (ex-PT, ex-PV e ex-PSB) como fundadora. Por sua vez, o Partido Social Liberal (PSL) se transformou em Livres e tem – como marca registrada – a participação abaixo de 1% em todas as eleições que disputou.

No rastro de novos nomes, o único que apresentou caras novas foi o “Novo” – que filiou o ex-técnico da seleção brasileira de vôlei Bernadinho e flerta com o ex-ministro da Cultura Marcelo Calero – aquele que denunciou o também ex-ministro Geddel Vieira Lima. Já o Partido Ecológico Nacional (PEN) viveu uma crise de identidade logo ao nascer. Tentou se apresentar como “Ecológicos”, mas uma enquete eletrônica definiu pela marca “Patriota”.

Com tantos nomes, siglas e slogans e quase quatro dezenas de agremiações, parece que a proposta dos partidos seja mesmo deixar o cenário turvo. Como diria Abelardo Barbosa, o Chacrinha, “Eu estou aqui para confundir e não para explicar…”.

 

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2 Opiniões

  1. carlos alberto martins disse:

    mudam os nomes dos partidos,mais os patifes continuam os mesmos.

  2. Carlos U Pozzobon disse:

    Toda a vez que os partidos políticos afundam no descrédito, os dirigentes trocam os nomes. Toda a vez que um governo se atola na corrupção, os governantes fazem uma reforma ministerial. Toda a vez que a burocracia comprova sua ineficácia para impedir fraudes e peculatos, o governo promove um recadastramento. Lampedusiamente, somos o país que mais muda para ficar como sempre foi.

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