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SÃO PAULO

Paulo Preto é acusado de receber R$ 173 milhões em propina

Ex-diretor da Dersa é acusado de receber a propina em obras da Prefeitura de São Paulo. Valor supera as maiores propinas já reveladas na Operação Lava Jato

Paulo Preto é acusado de receber R$ 173 milhões em propina
Preto é acusado por delatores da Odebrecht de ser o operador de propinas do PSDB (Foto: José Cruz/Abr)

Paulo Vieira de Souza, mais conhecido como Paulo Preto, ex-diretor de Engenharia da Dersa, empresa do governo paulista responsável pela infraestrutura rodoviária do estado, pode ter alcançado um marco.

Segundo uma reportagem do jornal Folha de S. Paulo, ele é acusado de ter recolhido R$ 173 milhões em propinas relativas a obras da Prefeitura de São Paulo, entre 2008 e 2011. O montante supera os R$ 150 milhões pagos em propina pela Andrade Gutierrez para a construção de Belo Monte, cifra até então tida como uma das maiores propinas já reveladas pela Operação Lava Jato e que, de acordo com os delatores da empreiteira, seria dividida entre o PT e o PMDB.

Segundo delatores da Odebrecht ouvidos pela Folha, Preto cobrava uma propina de 5% sobre pagamentos relativos a um pacote de obras contratado entre 2008 e 2011, durante a gestão de Gilberto Kassab, que na época prefeito pelo DEM e atualmente é filiado do PSD e ministro da Ciência e Tecnologia do governo de Michel Temer.

O pacote de obras custou R$ 3,45 bilhões, segundo apurou a Folha. Ele incluía sete projetos, sendo que um deles, o prolongamento da avenida Cruzeiro do Sul, não chegou a sair do papel, e outro, o túnel da Avenida Roberto Marinho, foi interrompido.

O pacote foi dividido entre um grupo de empreiteiras que incluía Odebrecht, Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa, OAS e Queiroz Galvão, que receberam o apelido de “cinco irmãs” por combinar a divisão de obras pelo país. A propina recolhida por Preto envolvia pagamentos com vencimentos até 2015.

O advogado de Preto, Daniel Bialski, afirma que seu cliente jamais pediu contribuições ilegais nem coordenou divisão de obras. Segundo ele, os delatores acusam Preto por vingança porque o ex-diretor da Dersa era muito exigente com prazos e qualidade das obras. A reportagem da Folha cita outras empreiteiras que participaram do pacote e lista quanto cada obra teria rendido em propina (confira aqui a reportagem na íntegra).

Quem é Paulo Preto?

Paulo Preto é acusado por delatores da Odebrecht de ser o operador de propinas do PSDB em obras de infraestrutura em São Paulo. De acordo com a Folha, ele é apadrinhado político de Aloysio Nunes, que comandou a Casa Civil de São Paulo durante a gestão de José Serra (PSDB-SP) no governo do estado e hoje atua como ministro das Relações Exteriores do governo Temer.

Preto chegou à Dersa em 2005, por influência de Geraldo Alckmin (PSDB-SP), como diretor de Relações Institucionais da empresa. Em 2007, no governo de José Serra, ele foi alçado a diretor de Engenharia da Dersa. Ele ficou no cargo até 2010, ano em que Serra deixou o governo do estado para disputar a presidência e o tucano Alberto Goldman assumiu o posto.

Desafeto do ex-prefeito João Doria, Goldman demitiu Preto da diretoria de Engenharia da Dersa por discordar de sua atuação. Ele julgava Preto “vaidoso” e “arrogante”, algo que havia deixado claro em um e-mail enviado alguns meses antes para Serra. “Parece que ninguém consegue controlá-lo. Julga-se o Super-Homem”, escreveu o então vice-governador.

Porém, antes disso, em 2008, o então prefeito Gilberto Kassab repassou para a Dersa o pacote de cinco obras contratado pela prefeitura sobre o qual foi cobrado o total de R$ 173 milhões em propina. Kassab apontou como motivo do repasse razões de experiência da empresa em grandes obras.

Em 6 de abril deste ano, Preto foi preso pela Polícia Federal, acusado de ter desviado R$ 7,7 milhões da obra do Rodoanel, em São Paulo. A defesa de Preto afirma que a prisão foi “arbitrária e sem fundamentos legais”. Em seu depoimento na audiência de custódia, Preto negou os desvios. Ele também negou ser o operador do PSDB, apresentando-se como “gestor”. “Não sou nem do partido. Sou gestor público”, disse o ex-diretor.

Preso por receptação em 2010

As acusações de desvio e recebimento de propina não foram os únicos problemas de Preto com a lei. Em junho de 2010, dois meses após ser exonerado do cargo de diretor de Engenharia da Dersa, ele foi preso em São Paulo, acusado de receptação de joia roubada.

Na época, ele foi preso em uma joalheria do Shopping Iguatemi quando compareceu ao local para avaliar se um bracelete de brilhantes da marca Gucci orçado em até R$ 20 mil era verdadeiro. Ele pretendia dar a joia como presente para a esposa no Dia dos Namorados.

Porém, o gerente constatou que a joia era a mesma que havia sido roubada da loja um mês antes e acionou a polícia, que prendeu Preto em flagrante. Segundo uma reportagem da revista Época, os agentes encontraram com Preto R$ 11.242 em dinheiro vivo. Ele foi preso foi solto no dia seguinte e responde ao processo em liberdade. em sua defesa, Preto nega ter receptado mercadoria roubada e afirma ter sido vítima de uma armação.

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