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REFORMA DA PREVIDÊNCIA

PEC 287: a estratégia de Temer para fazer você trabalhar mais e ter menos benefícios

Para aprovar a Reforma da Previdência, Temer adotou duas estratégias de manipulação estudadas por Noam Chomsky: a distração e a infantilização

PEC 287: a estratégia de Temer para fazer você trabalhar mais e ter menos benefícios
Temer insiste no fim das regras atuais de aposentadoria (Foto: Foto: Marcos Corrêa / PR)

Aposentado no cargo de procurador do estado de São Paulo há 21 anos, quando tinha apenas 55 anos, o atual presidente da República, Michel Temer, está empenhado em aprovar no Congresso, com um mínimo de emendas – e a toque de caixa – o pacote de Reforma da Previdência, a PEC 287, que – entre outras coisas – eleva a idade para se aposentar do brasileiro e toma do trabalhador boa parte da receita a que teria direito.

Com um benefício que supera os R$ 30 mil pingando todo mês em sua conta bancária, Temer acredita que certas aposentadorias – exceto a dele – desequilibram as contas públicas do país cujo comando de governo lhe foi dado por uma ironia da História. Diante da incompatibilidade entre o Michel aposentado e o Michel presidente, Temer tenta se equilibrar justamente no intervalo entre os dois.

Para empurrar a Reforma da Previdência goela abaixo de todos os que sonhavam um dia se aposentar – mesmo sem um salário de R$ 30 mil ou aos 55 anos, como Temer -, o chefe do governo brasileiro insiste no fim das regras atuais de aposentadoria. Para tanto, além de fechar a questão com a classe política – que bem conhecemos -, ele adotou dois itens do total de dez estratégias de manipulação estudadas pelo linguista e filósofo americano Noam Chomsky. São elas: a distração e a infantilização.

Vamos explicar melhor: a distração consiste em despejar uma gigantesca massa de informação – algumas até insignificantes – sobre o tema aposentadoria, com o objetivo de confundir a atenção do público. Nessa primeira etapa, o governo foi pródigo em desinformar o trabalhador que acabou sem saber com que idade deverá se aposentar, quantos anos ainda lhe restam de trabalho ou mesmo de contribuição. Como diria Chacrinha: “Não vim aqui para explicar, mas para confundir”.

Na extensa campanha de TV que acompanha o pacote de maldades da PEC 287 surge a segunda manipulação estudada por Chomsky: a infantilização. Em tom professoral, uma jovem trata o trabalhador feito criança, explicando – ajudada por legendas – que ele precisa trabalhar mais alguns anos – em alguns casos um total de até 49 anos – para ajudar a salvar a Previdência. “Caso contrário, ninguém receberá benefício algum e a Previdência vai quebrar”. Ora, ora. Temer reforçou esta semana a estratégia de infantilização ao dizer, na reunião no Palácio do Planalto com o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, o Conselhão, que “quem reclama das mudanças propostas pelo governo na área são as pessoas que ganham mais”.

Na verdade, a pressa de Temer tem um motivo: o anunciado déficit da Previdência Social, de R$ 149,7 bilhões somente em 2016 – bem como o acumulado de R$ 451 bilhões nos últimos oito anos – não foi provocado pelo trabalhador, mas pelo desrespeito do governo à Constituição e aos desvios de dinheiro da Seguridade Social para outros fins. Quanto mais rápido o pacote for aprovado, menor será o risco de que a população entenda a verdadeira causa do rombo.

Números da Pesquisa da Associação Nacional dos Servidores da Previdência e da Seguridade Social indicam que, do total de 31,5 milhões de aposentados e pensionistas, pouco mais de 21 milhões recebem atualmente um salário mínimo. Números podem ser cruéis quando revelam, por exemplo, que 37,3% dos trabalhadores não chegarão a viver até os 65 anos – idade mínima da futura aposentadoria – e que a expectativa de duração de aposentadoria no Brasil é de 13,4 anos – oito a menos do que a verificada nos demais países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

A Previdência Social é atuarialmente uma bomba-relógio prestes a explodir. Aposentadorias precoces – como as de Temer, Fernando Henrique (benefício obtido aos 37 anos) e de Lula (que faz jus à aposentadoria especial a perseguidos políticos) -concorreram para isso. Além disso, a União gasta todo ano R$ 164 milhões para pagar 1.170 aposentadorias e pensões – no teto – para ex-deputados federais, ex-senadores e dependentes de ex-congressistas.

É conta que não fecha.

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12 Opiniões

  1. Troiano disse:

    Creio que muitos membros do governo deveriam dar uma passada de olhos pela Constituição principalmente em seu art. 195 e parágrafos que mostram de onde vem(ou deveriam vir) os proventos para a previdência, bem como no art. 60, IV vedando qualquer medida que interfira na perda dos direitos e garantias individuais, ou seja, essa tal Reforma da Previdência do modo que quer o governo, nem deveria ter sido aceita pelo Congresso.

  2. Roberta disse:

    Entendo que a reforma da Previdência seja necessária para que as próximas gerações possam um dia se aposentar também. Mas isso deve ser feito com justiça. Enquanto algumas castas – políticos, judiciário, militares – ganham muitos benefícios, o trabalhador comum paga a conta que não fecha.

  3. Beraldo disse:

    Centenariamente, sempre tivemos dois “Brasil”: Um gigantesco, cujos trabalhadores são regido pela CLT-Consolidação das Leis do Trabalho (os celetistas), gozando de pífios salários e benefícios, inclusive os previdenciários, e um outro pequenino, regido pelos Estatutos dos Servidores Públicos Federais, gozando de altos/altíssimo salários e benefícios (os estatutários), incluídos também os previdenciários.

    Tem ainda uma terceira classe, dos Servidores Públicos Estaduais e Municipais, onde muitos são submetidos a baixos salários e poucos e altos/altíssimos salários. Não é errado dizer que esta classe tem um pouco do Brasil celetista e um pouco do Brasil Estatutário Federal.

    Só um milagre para acabar ou estreitar o abismo entre os dois “Brasil”.

    Mas, como certamente não haverá milagre, esperar pelo pior não é nenhum pessimismo.

    Dá medo!

  4. afonso disse:

    Agora eu pergunto, porque esse presidente corrupto e safado, perdoe bilhões de divida de INSS das grande empresa como por exemplo a TV globo, PÃO AÇÚCAR entre outras e os pobres trabalhadores que ganham um misero salário mínimo é que tem de arcar com o prejuízo?

  5. Markut disse:

    Independente do que acha Chomsky, pelo menos até agora, nenhuma referência está sendo feita quanto à inexoravel questão matemática, da preocupante diferença da atual pirâmide social, que justifica a urgência em encarar , de frente e já,os dois fatos constatados do aumento da espectativa de vida, por um lado, e da redução da taxa de nascimento do outro.
    Com Temer, ou sem Temer,com ou sem distração e infantilização, é a insistente advertência da competente equipe econômica, quanto à urgência da reforma previdenciária, o que importa no momento.

  6. Natanael Ferraz disse:

    Falar da aposentadoria de Temer, aos 55 anos, para desqualificá-lo é falacioso, pois ele de fato trabalhou (e trabalha até hoje), e adquiriu o direito num tempo que não se falava disso. Também sou contra a reforma, mas precisamos de argumentos melhores, urgente.

  7. Laercio disse:

    Para haver equilíbrio em uma nação se faz também necessário a proporcionalidade, ou seja, fazer correções desproporcionais agravarao os problemas já existentes.
    Deixou-se de fazer o necessário no país devido as amarras dos tratados internacionais…
    Como assunto previdenciário não trás riscos aos novos métodos de colonização então não há pronunciamentos expressivos e haverá a aprovação da tal absurda reforma da previdência.
    Daqui a 100 anos os estudantes comentarao este absurdo da mesma forma como hoje comentamos acerca do nazismo

  8. Felismino disse:

    Vou deixar uma sugestão a econômica do governo federal porque eles não começa a fazer uma reforma salarial do congresso nacional vamos ajustar os salários dos deputados e senadores ao teto do Inss e os salários do Supremo tribunal federal enfim uma reforma ampla e irrestrita na folha de pagamento do funcionalismo federal passando todos para o teto do Inss sem nenhum benefícios além do salário porque o trabalhador brasileiro não pode continuar a pagar as contas do governo pagamos do nosso minguado salário 77% de impostos e ainda vemos ao vivo e a cores nossa gasolina sendo vendida para a Bolívia a preço de banana e agora eles querem saquear o resto do nosso couro isto é uma vergonha o brasileiro ganha 935 reais de salário enquanto o governo gasta 30 milhões por mês com cada senador o que vcs da imprensa acha sobre isto pagaremos mais uma vez a conta da incompetência do governo. Nos temos que acabar com eles ou eles acabaram conosco.

  9. Beraldo disse:

    Fechemos os olhos e tapemos os ouvidos à má qualidade moral dos encastelados em Brasília, na corte de Sua Alteza Michel Temer.

    Antes do impeachment “juridicamente perfeito”, o que importava era a deposição do PT a qualquer custo.

    Agora o que importa são as reformas pretendidas pela atual equipe econômica, mesmo que estejamos submetidos à Corruptela da Corte de Sua Alteza.

    Banalização da corrupção.

    Quem diria?

    Dá medo!

  10. LUIZ JUNIOR disse:

    TUDO O QUE DIGITARAM, TUDO ISTO É PAPO FURADO. A VERDADE É QUE ESTES POLÍTICOS SÃO TODOS UNS FDP. E PERDEM TEMPO PENSANDO NESTES FLAGELOS.

  11. fernando b prado disse:

    tudo que eu falar aqui e pouco para esses bando de vagabundo e ladroes

  12. fernando b prado disse:

    nao a palavras para expressar a sacanagem que estao vazendo com povo brasileiro.

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