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A praga da correção monetária

Pelo fim da indexação

Chegou a hora de propor uma alternativa de cancelamento total dos reajustes pré-estabelecidos

Pelo fim da indexação
De remédio temporário, a correção monetária se transformou numa poção venenosa (Reprodução/Internet)

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Segundo a pesquisa do Datafolha divulgada esta semana, o percentual da população que acredita que a inflação irá continuar sua escalada é de 65%, o que se confirma com o registro do maior índice de inflação desde 2003, medido pelo insuspeito IPCA – Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, com março batendo 6,15% nos últimos 12 meses.

A última reunião do Banco Central, cuja ata foi divulgada na quinta-feira, 10, indica mais aumentos de juros para maio, mas vemos que esta medida sozinha não é suficiente.

Se o índice é amplo e geral, trata-se de uma média, e convencer o consumidor que a culpa é de determinado setor não tem fundamento.

A discussão vem em momento oportuno, com o registro dos 50 anos do golpe militar de 64, pois várias análises têm sido realizadas. Muito se fala da época do “milagre”, com o crescimento acelerado, cuja média anual nos anos de chumbo foi de 6,6% ao ano – bem sabemos a que custo – muito acima dos ralos 2,0% do atual general, digo, da atual presidenta.

Há, entretanto, um grave efeito da ditadura que permanece até hoje: o princípio da correção monetária instituída por Roberto Campos e Octávio Gouvea de Bulhões, em 1964. A correção monetária foi sempre vista como uma originalidade brasileira, que de remédio temporário se transformou numa poção venenosa que veio explodir nos 82% registrados em março de 1990, na passagem da ditadura para a eleição direta, do presidente do Maranhão para o presidente das Alagoas, deu no que se sabe.

A correção monetária foi depois confirmada como sendo o motivo da inércia inflacionária, pois perpetuava o sistema, sempre com taxas crescentes, diagnóstico correto que fundamentou o Plano Real em 1994, trinta longos anos desde sua inocente e cândida instituição.

O Plano Real restringiu os reajustes automáticos para períodos anuais, mas mesmo assim é a mesma doença do tempo da ditadura: os preços administrados dos serviços públicos, os aluguéis e o próprio salário mínimo, têm fórmulas automáticas que repetem os aumentos anteriores do nível de preços da economia.

É claro que há experiências internacionais equivalentes para contratos de longo prazo, mas entendemos que chegou a hora de propor uma alternativa de cancelamento total dos reajustes pré-estabelecidos, optando-se por preços negociados livremente, rompendo a eternização de um mau passado. É preciso abolir nos contratos a cláusula do reajuste automático, que só garantem que a inflação continuará subindo acima do patamar do último ano.

Quem sabe neste período de novas propostas no âmbito eleitoral os candidatos possam se debruçar com suas equipes sobre estas alternativas, com amplo debate com a sociedade.

 

*Paulo Gurgel Valente é economista da Profit Projetos e parceiro do Opinião e Notícia

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