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Pernas e armas, pra que te quero!

Não vejo o ser humano de hoje em dia apto a ser incentivado a ter uma arma, apesar da insegurança reinar no país

Pernas e armas, pra que te quero!
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Me causa estranheza essa quase obsessão do presidente Bolsonaro com a questão das armas. Ele por acaso é acionista de alguma empresa que fabrica armas? Munição?

No passado, fizemos campanhas de desarmamento e, hoje, depois que esse suposto novo governo assumiu e prometeu “revolucionar” o país com várias ideias estapafúrdias, entre elas, a de armar a população, me vem à cabeça a ideia de involução.

Não vejo o ser humano de hoje em dia apto a ser incentivado a ter uma arma, apesar da insegurança reinar no país e principalmente, talvez mais, aqui no Rio de Janeiro. Os nervos estão exaltados principalmente pela insegurança dada pelo Estado e pelo governo. Ao mesmo tempo que isso pode incentivar as pessoas a querer ter a sensação de mais segurança portando uma arma.

Sei que a discussão é complexa e envolve várias camadas. Mas o primeiro movimento não seria o de melhorar a nossa segurança equipando a polícia, pagando melhores salários, investindo em tecnologia que possa ajudar nessa questão? Armem a polícia. Treinem a polícia. Mudem a cabeça da polícia. Servir e proteger, sim. Mas com qualidade e inteligência. Justiça sempre foi bom e sempre quero que ela seja feita, mas por quem tem direito.

Vejo nessa insistência do presidente no assunto uma tentativa de desviar a atenção para assuntos que realmente podem fazer a diferença para o nosso país: Saúde, Educação, Emprego. Essa deveria ser a obsessão do presidente, do Senado, da Câmara.

Existem reformas que podem salvar o país do limbo, mas que estão sendo proteladas. Empurradas com as barrigas de deputados e senadores empanturrados com suas regalias e interesses próprios em primeiro lugar. Depois, e bem depois, acredito que eles lembrem que existe um país na frente deles.

Estamos na metade do ano e não vejo nada de concreto feito ou tomando o caminho certo para que seja feito.

Entre uma coisa e outra existem os acidentes de percurso, alguns contornáveis, mas que não foram, e talvez não serão, oriundos da família Buscapé Bolsonaro. E o mais recente episódio envolvendo o ministro Moro, que está justamente hoje, no dia em que escrevo a coluna, se explicando perante um Senado com um dedo no gatilho, aproveitando o assunto das armas.

Queria ver mais sangue nos olhos de Bolsonaro em assuntos mais importantes e que podem fazer toda uma diferença no futuro de quem votou e de quem não votou na sua pessoa, mas que tenho certeza que torce para que pelo menos dê certo.

Bom, as pernas pra te quero! Talvez sirvam para me levar ao aeroporto mais próximo, caso as coisas fiquem ainda piores do que já estão.

Salve as baleias. Não jogue lixo no chão.

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3 Opiniões

  1. Antonio Lima disse:

    Meu prezado, você ja esteve sob mira de duas armas, dentro de sua casa, com mulher e filhas de cara para uma parede, enquanto dois meliantes limpam seus pertences? Se não, então creio que deveria ter um pouco mais de empatia com os milhares, incluindo eu, que já viveram isso. Felizmente só tive prejuízos materiais, carro e eletrônicos, mas fomos a QUARTA casa que aqueles bandidos invadiram naquela única noite. O motivo, certamente a certeza que todos estamos indefesos, disponíveis para a “coleta” deles. Não queira decidir por todos, já houve referendo pra isso e a resposta foi NÃO.

  2. jan disse:

    Sua visão esta totalmente distorcida, não se trata de “aramar” a população. Essa visão foi construída para desmerecer o verdadeiro motivo que é permitir o direito de defesa do cidadão, tanto contra bandidos, crimes, como contra o governo.Se não houvesse o desarmamento na Venezuela, o governo não teria ido tão longe como esta.

  3. Fabio de Jesus Nascimento disse:

    O que pode inibir a ação de criminosos é a percepção, por parte deles, de que as potenciais vítimas agora estão armadas, ou seja, o fogo será combatido com fogo.

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