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Narrativa do golpismo

Petismo e repressão

O PT usa agora milícias pagas com dinheiro público para espancar as pessoas que se atrevem a criticar o governo

Petismo e repressão
Escalada de violência está sendo legitima por uma narrativa construída há anos por dirigentes, marqueteiros e intelectuais petistas (Reprodução/Internet)

A Ditadura de 1964 usava a polícia e as forças armadas para reprimir manifestantes. O PT usa agora milícias pagas com dinheiro público para espancar as pessoas que se atrevem a criticar o governo.

Tenho 66 anos e participei de manifestações contra a ditadura. Deste aquela época não presenciava tanta repressão como a que vivi ontem (24 de fevereiro de 2015) em frente à Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no Rio de Janeiro.

Na ocasião, Lula fazia na ABI uma ato em “defesa da Petrobras”, o que equivaleria a um ato de Hitler em defesa dos judeus na Alemanha Nazista. Os manifestantes que criticavam essa farsa foram tratados a porrada pelos petistas.

Ao contrário do que diz uma parte da imprensa, não houve briga nem troca de socos. Os manifestantes que criticavam o Petrolão foram agredidos por centenas de milicianos uniformizados com camisas do PT, que distribuíram socos, pontapés e xingamentos.

Fomos cerceados em nossa liberdade de expressão pela ação violenta dessa milícia. A maioria dos manifestantes teve de se dispersar e muitos desistiram de voltar. Os poucos que resistiram continuaram a ser agredidos mesmo depois da chega da polícia militar. A violência foi extrema, como testemunham dezenas de filmes e fotos veiculados nas redes sociais e em alguns órgãos da imprensa.

Narrativa do golpismo

Essa escalada de violência está sendo legitima por uma narrativa construída há anos por dirigentes, marqueteiros e intelectuais petistas.

O núcleo dessa narrativa é a acusação de golpismo a cada crítica e contestação. Dilma, Lula, lideranças e a militância petista usam e abusam cada vez mais essa imputação.

Há alguns dias escrevi que o padrão de resposta do PT à crítica está cada vez mais próximo da propaganda da Ditadura de 1964. O PT chama a resistência de “golpista”; a ditadura chamava de “subversiva”. O PT rotula a oposição como “direita”; a ditadura rotulava como “comunista”. O PT espalha que os adversários “não gostam do povo”; a ditadura espalhava que os adversários “não gostavam da Pátria”.

Agora o PT espanca os opositores no meio da rua para impedir que se manifestem, como fazia a Ditadura, com o respaldo dessa narrativa, que também pretende justificar a censura e impor à sociedade a naturalização da corrupção, do aparelhamento do estado, do controle das instituições e da aliança com as oligarquias mais retrógradas e os setores mais vorazes do empresariado.

É a mesma narrativa que tenta justificar a destruição da democracia, a censura, os assassinatos e as prisões de opositores na Venezuela, Argentina e outros países vizinhos, apoiados pelo governo petista no Brasil.

Resposta à violência em 15 de março

O PT privatizou a Petrobras para empreiteiros e outros magnatas amigos. Abriu para eles os cofres do BNDES e dos outros bancos públicos. Escancarou as portas de ministérios, repartições e outras empresas públicas. E tapou os olhos dos órgãos de controle e agências reguladoras. Em troca, obteve apoio para permanecer no poder compartilhando o saque ao estado brasileiro.

O governo dá sinais de que perdeu o controle da economia e a iniciativa política. O recurso à violência revela o desespero do PT.

A resposta da sociedade será a manifestação pacífica de 15 de março em todo o Brasil. O PT não vai conseguir derrubar a fronteira da democracia no Brasil.

A ABI nessa história

Acho que a ABI errou ao alugar o espaço para este evento petista. É claro que o PT poderia fazer em dezenas de auditórios, mas escolheu a ABI para forçar a ligação do nome da entidade com o ato.

Até onde estou informado a ABI não endossa o ato petista realizado em sua sede. O presidente da ABI, Domingos Meirelles, não participou do evento. Confio que ele e a maioria da diretoria e do conselho da entidade querem manter a ABI independente, para poder exercer a missão de defesa da liberdade de expressão.

Entendo que devemos apoiar o presidente e os diretores e conselheiros da ABI que têm essa posição e devem estar enfrentando pressões fortíssimas para levar a ABI para o mesmo triste destino da OAB, UNE e outras entidades que se transformaram em repartições do governo petista.

 

* Altamir Tojal é jornalista e titular do blog Este mundo é Possível, parceiro do Opinião e Notícia

3 Opiniões

  1. helo disse:

    Sou contra qualquer violência, e o governo deu um mau exemplo.

  2. helo disse:

    Na rua, muitos “petistas” com camisa vermelha ou colete da CUT são pagos. Vale a pena, na dispersão do confronto arriscar “Você é do PT? “É da Cut?” As respostas surpreendem.

  3. Fábio Nascimento disse:

    É BEM PROVÁVEL QUE OS PETISTAS SE ORGANIZARÃO PARA CONFRONTAR OS MANIFESTANTES DO DIA 15/03, O QUÊ EVIDENTEMENTE, GERARÁ MAIS BRIGAS. O QUE EU PREGO NÃO É VIOLÊNCIA POR VIOLÊNCIA, MAS É NECESSÁRIO ESTARMOS PREPARADOS PRA ESSE TIPO DE ENFRENTAMENTO, POIS NÃO PODEMOS ACEITAR AS “VIOLÊNCIAS” A QUE JÁ ESTAMOS SOFRENDO, COMO: OS “TARIFAÇOS”, OS AUMENTOS DE IMPOSTOS, A ALTA DA INFLAÇÃO, A ECONOMIA CAMBALEANTE, A CORRUPÇÃO, A IMPUNIDADE ETC. NÃO ACEITEMOS QUE O GOVERNO PETISTA E SEUS ASSECLAS NOS IMPONHAM UMA GOVERNANÇA NEFASTA, DESIGUAL E MENTIROSA. SE O MOMENTO DE REAGIR CHEGOU, ESSE MOMENTO É AGORA.

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