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OPERAÇÃO CAPITU

PF prende Joesley Batista e ex-ministro da Agricultura

Prisões se dão no âmbito da Operação Capitu, que apura um esquema de pagamento de propina da JBS ao Ministério da Agricultura, entre 2014 e 2015

PF prende Joesley Batista e ex-ministro da Agricultura
No esquema, ex-executivos da JBS pagavam propina a políticos do MDB e funcionários do ministério (Foto: EBC)

A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta sexta-feira, 9, em conjunto com a Receita Federal, a Operação Capitu, que visa desarticular um esquema de corrupção que vigorou na Câmara dos Deputados e no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

Segundo a assessoria da PF, foram cumpridos 19 mandados de prisão temporária e 63 mandados de busca e apreensão nos estados de Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Mato Grosso, Paraíba e no Distrito Federal.

Dentre os presos, está o vice-governador de Minas Gerais, Antonio Andrade (MDB) e os ex-executivos da JBS Joesley Batista e Ricardo Saud. Além disso, um dos mandados tem como alvo o ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha, que está preso desde 2016, em Curitiba.

De acordo com as investigações, o esquema vigorou entre 2014 e 2015, durante a gestão de Dilma Rousseff. Nele, os ex-executivos da JBS pagavam propina a políticos do MDB e funcionários de alto escalão do Mapa em troca de medidas que beneficiariam o grupo JBS, através da eliminação da concorrência e de entraves à atividade econômica do grupo, viabilizando a construção de um monopólio de mercado.

Segundo a PF, por meio de decretos, Antonio Andrade determinou a regulamentação da exportação de despojos; a proibição do uso da ivermectina de longa duração; e a federalização das inspeções de frigoríficos. A JBS teria pago R$ 2 milhões pela regulamentação da exportação de despojos e R$ 5 milhões pela proibição do uso da ivermectina de longa duração.

O esquema também contou com financiamento ilegal da campanha de Eduardo Cunha à presidência da Câmara, em troca da defesa de medidas que atendiam aos interesses da JBS. O valor destinado à campanha de Cunha foi de R$ 30 milhões. Do total, R$ 15 milhões foram repassados a um deputado  federal de Minas, que repassou parte para a bancada do MDB de Minas.

Os valores teriam sido depositados pelo grupo em contas bancárias de seis escritórios de advocacia, que teriam emitido notas frias e repassado os valores lavados aos beneficiários finais. Estariam envolvidos no esquema os supermercados BH e EPA, de Minas.

Segundo a assessoria da PF, os envolvidos deverão ser indiciados pelos crimes de constituição e participação em organização criminosa, obstrução de Justiça, corrupção ativa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro, dentre outros. Caso haja condenação, as penas máximas poderão variar entre 3 e 120 anos de reclusão, proporcionalmente à participação de cada investigado.

O nome da operação é uma referência à personagem dissimulada da obra prima de Machado de Assis, Dom Casmurro. Isso porque, durante as investigações, foi comprovado que empresários e funcionários da JBS, que inicialmente atuaram em colaboração, praticaram atos de obstrução de Justiça para desviar a PF da linha de investigação.

O inquérito foi instaurado em maio deste ano, com base em declarações prestadas por Lúcio Bolonha Funaro, responsável por entregar as propinas negociadas a agentes políticos e servidores do Mapa.

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