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PF vai investigar bate-boca entre Lewandowski e advogado em avião

'Ministro Lewandowski, o Supremo é uma vergonha, viu? Eu tenho vergonha de ser brasileiro quando eu vejo vocês', afirmou o advogado

PF vai investigar bate-boca entre Lewandowski e advogado em avião
O Brasil inteiro assistiu ao vídeo que tomou conta das redes sociais (Foto: Wikipédia)

Instituição que protagonizou recentes e memoráveis investidas contra a corrupção e desmandos no país, a Polícia Federal anunciou a abertura de inquérito para apurar um bate-boca entre o ministro do STF Ricardo Lewandowski e o advogado Cristiano Caiado de Acioli. O episódio, ocorrido na terça-feira, 4, em voo da Gol que ia de São Paulo para Brasília, gerou muita polêmica.

Tudo começou quando, ao perceber o ministro na aeronave, Acioli acionou a câmera de seu celular, anunciou a todos os passageiros a ilustre presença e disse: “ministro Lewandowski, o Supremo é uma vergonha, viu? Eu tenho vergonha de ser brasileiro quando eu vejo vocês”. Ato contínuo, Lewandowski respondeu: “Vem cá, você quer ser preso?” e pediu aos comissários da aeronave que chamassem a Polícia Federal.

O Brasil inteiro assistiu ao vídeo que tomou conta das redes sociais. O apoio no âmbito virtual não ocorreu, no entanto, no interior da aeronave, onde os passageiros se mantiveram em absoluto silêncio. Mostrando todo o seu poder e influência, Lewandowski fez com que o advogado fosse acompanhado por um funcionário do Judiciário durante a viagem.

Ao chegar à capital, Acioli ficou retido no avião por cerca de 20 minutos – depois que todos os passageiros desembarcaram – e foi conduzido à Superintendência Regional da PF. Lá, ele prestou depoimento por uma hora e meia, disse que não ofendeu o ministro – apenas expressou sua “opinião pessoal” – e foi liberado. Lewandowski seguiu seu caminho sem maiores atropelos ou explicações – como é de hábito. A abertura de inquérito é tão inevitável quanto o mal-estar da Polícia Federal em fazê-lo.

Janaína Paschoal sai em defesa do colega

Curioso é que o advogado vem a ser filho da subprocuradora-geral da República aposentada Helenita Amélia Gonçalves Caiado de Acioli. Trata-se, portanto, de um embate em altas esferas do Judiciário. Diante da repercussão em todo o país, o gabinete do ministro divulgou nota informando que o magistrado “sentiu-se no dever funcional de proteger a instituição a que pertence, acionando a autoridade policial para que apurasse eventual prática de ato ilícito, nos termos da lei”.

Uma das autoras do pedido de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, a deputada eleita Janaína Paschoal destacou que Acioli “jamais poderia ser retido ou detido” por criticar o STF: “Sei que não é agradável ser alvo de protesto (ainda que individual), mas não constitui nenhum crime externar que se sente vergonha de algo, ou alguém”. A futura parlamentar destacou: “Há anos, em minhas aulas, denuncio que, no Brasil, falar passou a ser crime hediondo. Por outro lado, atos verdadeiramente reprováveis são vistos como bagatela. Minha solidariedade ao colega!”.

Em sua defesa, Acioli insiste: “Eu tenho direito de criticar o Supremo. É meu direito constitucional. Não causei tumulto nem cometi nenhum tipo de crime. Fiz minha parte que era me manifestar de forma respeitosa. Enquanto guardião da Constituição, o ministro não poderia reprimir o direito constitucional de um cidadão”. E ressaltou, ainda, que se se o crítico fosse o ex-presidente Lula – que está preso -, o tratamento teria sido outro.

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3 Opiniões

  1. carlos alberto martins disse:

    o advogado apenas disse ao ministro o que o povo sente pelo STF,porque todos sabemos que os srs ministros estão protegendo os corruptos que quase destruiram o Brasil.só nos resta esperar que o trator da justiça do MORO passe por cima desses canalhas.

  2. Áureo Ramos de Souza disse:

    É Ricardo Lewandowski agora é com a Policia Federal e a substituta do Moro é meia azeda.

  3. carlos alberto martins disse:

    se eu fosse passageiro,teria chamado o ministro de canalha só para ser preso junto com o advogado.é tremenda covardia os outros passageiros não se manifestarem em apoio ao causídico.

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