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A dura situação da TEPCO

Consequências do desastre nuclear de Fukushima estão se espalhando pela indústria enregética japonesa

A dura situação da TEPCO
'A companhia mais poluente de todos so tempos' diz o cartaz de um ativista do Greenpeace

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“Se jogue no reator nuclear e morra!” gritou um investidor. Acionistas japoneses costumam ser mais educados, mas esse era o encontro anual da TEPCO, a empresa energética japonesa dona da usina nuclear de Fukushima. Desde que um terremoto em março causou um desastre, a TEPCO se viu frente a frente com exigências ilimitadas de indenização. Suas ações caíram em quase 90%. Um dos presentes no encontro do dia 28 de junho sugeriu que o conselho administrativo assumisse a responsabilidade praticando seppuku, o tradicional suicídio ritualístico dos japoneses.

Nem tudo deu errado para a TEPCO. Uma moção dos acionistas pedindo o fechamento de todas as usinas foi derrotada. Mas, salvo por isso, o cenário não é nada animador, e a empresa tem que lidar com pedidos de indenização que, na pior das hipóteses, podem ultrapassar seu patrimônio de ¥ 15 trilhões (US$ 186 bilhões). Ninguém sabe exatamente quanto a TEPCO terá que pagar, mas as estimativas vão de ¥ 4 trilhões a ¥ 25 trilhões. A empresa ainda deve ¥ 7,8 trilhões a credores, e se for à falência, eles terão prioridade sobre os afetados pelo desastre. Há apenas quatro meses, a TEPCO era um pilar do Japão corporativo, e a empresa ainda mantém cerca de 750 mil acionistas.

Somente o governo pode salvar a TEPCO da falência, e um projeto enviado no dia 14 de junho ao Parlamento japonês, busca fazer com que a empresa seja capaz de pagar as indenizações sem que precise fechar suas portas. Fontes acreditam que isso possa resultar uma nacionalização parcial da TEPCO. O projeto não foi seriamente debatido graças à paralisia política do país, mas membros do governo crêem que ela possa ser ratificada antes do fim do verão, já que as consequências de um arquivamento são inimagináveis. As indenizações devem ser pagas, o trabalho de recuperação em Fukushima deve continuar, e as luzes em Tóquio devem permanecer acesas.

No entanto, o projeto é apenas um remendo para apaziguar os ânimos dos credores da TEPCO e garantir que os pagamentos não resultem e contas de luz mais altas. Os críticos ainda reclamam que o plano protege os acionistas às custas dos contribuintes. As soluções a longo prazo incluem a falência, a nacionalização temporária para venda de bens ou a transformação da TEPCO em um veículo de indenizações. A última opção parece ser a melhor, já que atrairia de volta os
investidores e permitiria que a empresa voltasse ao normal. Por outro lado, exigiria que a TEPCO tivesse lucros exorbitantes para que as indenizações pudessem ser pagas. “Quando encontro os membros da TEPCO, não vejo mudança alguma na mentalidade. É como se nada tivesse mudado”, lamenta um membro do governo ligado ao setor de energia nuclear.

O desastre de Fukushima deu ao Japão uma oportunidade para reformas radicais, mas em tempo de crise a população torna-se mais conservadora. Já que o governo tem nas mãos as rédeas do processo, pode ditar os termos para a TEPCO. O medo é de que o governo de Naoto Kan simplesmente financie um retorno aos negócios tradicionais.

Fontes:
the Economist - "The troubles of TEPCO"

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