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México

A infinita guerra do narcotráfico

Combates aos cartéis do norte do país se intensificaram, mas também causaram aumento da violência na região

A infinita guerra do narcotráfico
O governo de Calderón ainda não conseguiu criar uma polícia nacional na qual possa confiar

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Oficialmente, cerca de 35 mil pessoas já morreram desde que o presidente mexicano Felipe Calderón deu início a um forte combate aos cartéis nacionais do narcotráfico no fim de 2006. Mas o verdadeiro número de vítimas jamais será conhecido. No dia 6 de abril, a polícia descobriu cemitérios clandestinos perto de San Fernando, uma cidade no estado de Tamaulipas, próximo à fronteira com os Estados Unidos, e até agora, 183 corpos já foram descobertos. Duas semanas depois, sepulturas escondidas foram encontradas na cidade de Durango, no noroeste do país, de onde cem corpos já foram extraídos.

As vítimas de Tamaulipas foram aparentemente mortas com golpes de marreta ou queimadas vivas. Entre os corpos estão o de um vendedor de automóveis, um trabalhador do serviço social e um imigrante guatemalteco. Investigadores acreditam  que as vítimas tenham sido sequestradas de dentro de ônibus para serem roubadas e violadas pelo cartel dos Zetas. O fracasso das autoridades em impedir a matança, mesmo depois que a bagagem abandonada das vítimas se acumulou nos terminais rodoviários, é impressionante: no último verão, 72 imigrantes foram encontrados mortos nas cercanias de San Fernando, supostamente, em outra ação do mesmo cartel. No entanto, a polícia libertou dois grupos de imigrantes sequestrados em outras partes do estado em abril.

Os assassinatos contradizem a afirmação do governo de que a maioria das vítimas da guerra do tráfico é composta de criminosos. No mesmo dia em que os cemitérios clandestinos foram descobertos, protestos aconteceram em 21 estados, depois que sete jovens foram asfixiados na pacata cidade de Cuernavaca. Pesquisas mostram que, pela primeira vez na gestão de Calderón, as preocupações com a segurança ultrapassam as econômicas. Embora soldados dos cartéis continuem caindo – 11 membros dos Zetas foram mortos ou capturados em 2011 – não há escassez de novos recrutas. La Familia Michoacana, uma gangue que foi virtualmente destruída em janeiro, anunciou sua ressurreição sob o nome de “Cavaleiros Templários”, em março. Das ruínas do cartel de Beltrán Levya, destruído no ano passado, surgiram duas novas facções criminosas.

Alguns analistas dizem que a onda de sequestros (que teve um aumento de 400% nos últimos seis anos) e extorsão pode ser um indicativo de que a pressão governamental esteja obrigando aos cartéis a diversificarem suas atividades. O crime organizado na região nunca esteve restrito às drogas: além de roubos de cargas, prostituição e afins, o cartel de Sinaloa também vende abacates, e, em El Salvador, um temido “cartel do queijo” contrabandeia laticínios de Honduras

Quem quer que seja o responsável por esse cenário de horror, e quaisquer que sejam seus motivos, eles claramente contaram com a cumplicidade oficial. Das 74 pessoas presas, relacionadas ao massacre de Tamaulipas, 17 são policiais locais. Mais de quatro anos após Calderón dar início ao combate, seu governo ainda não conseguiu criar uma polícia nacional na qual possa confiar.

Fontes:
Economist - Mexico's drug war

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1 Opinião

  1. Flavio L Santos disse:

    Por aqui também esse narcotráfico já causou e ainda causa milhares e milhares de mortes também, principalmente de jovens…

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