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A peãozada manda o recado

Não é de hoje que grandes empreiteiras abocanham lucros às custas do suor mal pago de seus funcionários. Por Leandro Mazzini

A peãozada manda o recado
Em protesto, trabalhadores incendiaram o alojamento na usina de Jirau

A literatura social de relações de trabalho no Brasil conta avanços e retrocessos no contato patronal-sindical. Mas passa por transformações calorosas, vide a quebradeira dos operários da Camargo Corrêa na usina de Jirau, por melhores condições de labuta.

Há dois anos, em canteiro da mesma empreiteira em Barro Alto (GO), numa obra da mineradora Anglo American, a peãozada – contaram-se uns 300 – aniquilou todo o alojamento, queimou colchões e arrasou o refeitório. Tudo porque a um deles foi negada uma cerveja numa calorenta tarde de domingo.

Vale lembrar que os pioneiros em revolta de canteiro foram os operários da extinta Construtora Pacheco Fernandes Dantas, que construía Brasília, conhecida por maltratar seus pedreiros. Em 1959, além de cortar a água de banho, os patrões obrigaram a turma a se revezar durante 24 horas, e com salário retido no carnaval. Uma quentinha (marmita) estragada foi o estopim, e 1.300 se revoltaram.

Levaram bala da Guarda Especial de Brasília. Oficialmente, oito morreram e 60 ficaram feridos.

Não é de hoje que grandes empreiteiras financiam governos e abocanham lucros às custas do suor mal pago de seus funcionários. A eles, e aos supracitados, a homenagem do blogueiro.

* Leandro Mazzini é colunista do Informe JB, apresentador da REDEVIDA de Televisão e comentarista da Rádio Digital News. Pós-graduando em Ciência Política pela UnB

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