Início » Pelo Mundo » A pior campanha da história
Estados Unidos

A pior campanha da história

Guinada para a direita radical e ataques gratuitos à gestão de Barack Obama estão afundando o Partido Republicano

A pior campanha da história
Rick Santorum e Mitt Romney têm liderado as primárias do Partido Republicano

Prezados leitores, o Opinião e Notícia encerrará suas atividades em 31/12/2019.
Agradecemos a todos pela audiência durante os quinze anos de atuação do site.

Bem antes da “Super Terça-Feira”, o Partido Republicano já havia se solidificado bem à direita da política norte-americana, com uma campanha de primárias incessantemente baixa, desagregadora e banal. A ex-primeira-dama Barbara Bush chegou ao ponto de afirmar que esta era a pior campanha que tinha visto em sua vida. E esta certamente é uma opinião da qual muitos compartilham.

Leia Também: Romney vence ‘Super Terça’ e consolida favoritismo

Os Estados Unidos têm sérios problemas econômicos e sérios desafios na segurança nacional. Mas os candidatos republicanos estão tão entrincheirados na guerra cultural e religiosa, que não estão oferecendo solução alguma. Os resultados de terça-feira também não definiram a disputa, e os eleitores republicanos terão que passar mais tempo escolhendo seu candidato. A disputa parece restrita a Mitt Romney, que representa nada além do capitalismo do country-club, e Rick Santorum, tão apegado a sua ideologia, que é difícil imaginá-lo considerando qualquer ideia alternativa ou dando ouvidos a opiniões contrárias.

Há diferenças entre eles. Santorum costuma ser mais extremista do que Romney em suas declarações, especialmente na sua intolerância quanto a gays e lésbicas, e sua crença de que a religião – a sua religião – deve definir a política. Sua declaração sobre ter sentido vontade de vomitar quando releu o famoso discurso de John F. Kennedy, de 1960, sobre a separação da Igreja e do Estado foi um dos pontos mais baixos da política eleitoral nos últimos tempos.

Romney tem sido mais moderado. Mas, no desespero de conquistar os eleitores ultradireitistas, ele também passou a atacar o casamento homossexual, o aborto, e até mesmo o controle da natalidade, e nunca criticou as posições mais preconceituosas de Santorum. Nenhum dos dois está oferecendo aos desolados trabalhadores norte-americanos nada além de benefícios econômicos indiretos, mais cortes de impostos para os ricos, um enfraquecimento dos sistemas de segurança social e mais exemplos da falta de regulação que gerou o caos financeiro de 2008.

Os anti-Obama

Também não há diferenças entre Romney e Santorum na maneira em que eles distorcem a realidade para atacar Barack Obama por tudo o que ele diz, e se opor a qualquer coisa que ele queira. Aumentos nos preços dos combustíveis? Culpe as políticas ambientais do presidente. Pouco importa que os preços do petróleo sejam definidos nos mercados mundiais e aumentados pela crescente demanda na China e pela tensão no Oriente Médio.

Ambos também batem na tecla de que o presidente é fraco na política externa. Romney se referiu a Obama como “o presidente norte-americano mais incompetente desde Carter”. Não faz diferença que Obama tenha ordenado o ataque bem-sucedido que matou Osama bin Laden e que tenha derrotado uma série de líderes da Al Qaeda e do Talibã sem a arrogância dos republicanos. Agora, somente para conquistar pontos políticos, Romney, Santorum e Newt Gingrich – que só se mantém na disputa graças a doações milionárias – parecem determinados a levar Israel a um ataque inconsequente contra o Irã.

Políticos republicanos vêm atacando Obama, a esquerda e qualquer norte-americano que discorda deles, há anos. Finalmente surgiram sinais de que eles podem ter que pagar um preço pela crueldade com que atacam segmentos inteiros da sociedade. A senadora republicana Lisa Murkowski, do Alasca, declarou recentemente que os republicanos passaram a impressão à população de que estão em guerra com as mulheres. As mulheres têm razões para pensarem assim.

Uma nova pesquisa do Pew Research diz que 30% dos eleitores têm hoje uma opinião muito mais negativa a respeito dos republicanos do que tinham antes do início das primárias. Entre os democratas, 49% disseram que as primárias os deixaram mais inclinados a votar em Obama. Esses números eram de 36% em dezembro, o que mostra que Obama tem crescido enquanto os republicanos estão afundando.

Mas o presidente, que pode ser um tanto inerte de vez em quando, ainda tem um longo caminho a percorrer.

Fontes:
The New York Times - Super Tuesday

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião deste site

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *