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Mundo árabe

A primavera pode se tornar verão

Um sentimento de frustração e incerteza parecia diminuir o esperançoso ritmo de mudança

A primavera pode se tornar verão
Líbios iniciaram o movimento que foi seguido por outros países (Reprodução/internet)

Seis meses após a fúria árabe começar a enfrentar seus ditadores, um sentimento de frustração e incerteza parecia diminuir o esperançoso ritmo de mudança. Após os rebeldes líbios terem levantado o movimento, e serem seguidos por países como o Iêmen, Bahrein e Síria, o momento da revolução parece ter parado. Os monarcas do Golfo se mantiveram firmes. A maioria xiita descontente do Bahrein foi colocada de volta em seu lugar com o duro regime da Arábia Saudita. O líbio Muammar Khadafi provocou o bombardeio da Otan. Na Síria, Bashar Assad, com o consenso assegurado, colocaria uma tampa na dissidência. Por último, Ali Abdullah Saleh, no Iêmen, ainda poderia ludibriar facções e tribos por um bom tempo.

Não mais. Saleh viajou para a Arábia Saudita após ter sido ferido em um ataque e sua volta parece improvável. Khadafi e Assad sente, como nunca, a pressão dos rebeldes. O consenso é de mudança. Parece que o impulso da transformação está voltando. A primavera árabe ainda pode se transformar em verão.

Nada que anuncie harmonia para esses países. O Iêmen é, entre os árabes, o país menos governável. Ainda não está claro quem ou o que será o futuro do local. Os sauditas, liderando o Conselho de Cooperação do Golfo, chegaram perto de convencer Saleh a deixar o poder três vezes dentro de um mês. Mas remanescentes do antigo regime, liderados por seu filho, que comanda a guarda republicana, devem continuar a luta. E mesmo que aceitassem, os países do mundo árabe iriam enfrentar grandes desafios.

No Iêmen, as lealdades tribais demorariam a se desarmar. Um clã do norte, os Houthis, está além do alcance do governo. O sul deve tentar se separar. As células da Al-Qaeda continua tentando sabotar a estabilidade do leste do país. O óleo e a água estão se esgotando. E o hábito iemenita de mascar uma folha conhecida como qat, estimulante mental que não conduz ao pensamento claro ou dinamismo, é quase tão difundido como antes.

Os governos ocidentais, em sua totalidade, concordam que o combate à pobreza – levando educação e saúde à população – é a melhor maneira de reconstruir o país. Entretanto, estes objetivos jamais serão alcançados em meio a uma guerra civil. Enquanto isso, o Ocidente deve direcionar seus esforços aos ricos e poderosos sauditas para fixar uma oposição oficial e representativa dos protestos de rua. Com isso, pretendem persuadir o que resta da administração de Saleh a aceitar as eleições livres.

Fontes:
Economist - Who's next?

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