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Crônica Política

A Venezuela em marcha-à-ré (segundo Sarney)

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A Venezuela vive "um retrocesso" político na opinião do senador José Sarney, que não é de dar palpite para suprir falta de assunto. Aproveitou o momento adequado para a definição. Não que estivesse devendo a declaração, mas provavelmente não queria perder a oportunidade. Mas no Brasil, suas palavras poderiam ganhar outro sentido. O reparo crítico do ex-presidente à situação venezuelana foi feito em discurso na 7ª Conferência Anual da América Latina (no Conselho das Américas), em Nova York.

Sarney foi insuspeito, pelo menos até o presidente Lula desafiar uma parcela poderosa da opinião nacional ao apontar na Venezuela mais "excesso de democracia" do que ameaça às instituições (os poderes absolutos pedidos emprestado pelo presidente Hugo Chávez). O presidente do Brasil carregou na dose porque, se a democracia é demasiada na Venezuela, vai acabar mal. Não há excesso de democracia (ou escassez) que não se volte contra ela. Quando um governo alega que há mais democracia do que o necessário, é melhor desconfiar. Lula disse daquela forma ambígua por não conseguir ficar calado.

O senador Sarney foi o primeiro presidente civil depois de 20 anos de presidentes militares, sem Constituição democrática (no caso, democracia de menos). Pegou firme e alertou: a compra de armas feita por Chávez pode gerar uma "corrida armamentista" e ameaçar o equilíbrio das relações entre as nações "do continente mais pacífico da face da Terra" — (a América do Sul).

Não foi a primeira vez que Sarney recorreu à contundência ao se referir ao lado truculento de Chávez, mas declarou-se a favor do veto do Brasil ao ingresso da Venezuela no Mercosul. Transpôs a linha que, em tese, passou a separá-lo da posição de Lula. Sarney não o faria por leviandade. Sabia o que estava dizendo, e a quem se dirigia. A preliminar para o ingresso no Mercosul é o compromisso com os meios de refazer e sustentar a democracia no continente em que ela sempre vem mais como visitante do que como habitante. Principalmente a liberdade de imprensa, que é a alma da democracia, como o século 20 demonstrou em escala universal, até prova em contrário.

Sarney tem sido firme em repelir os arreganhos de Chávez. Dá como exemplo para ingresso no Mercosul a disposição para a economia de mercado, como meio e fim inseparáveis das liberdades políticas. Em outro almoço em Nova Iorque (com executivos e empresários), retirou o véu que encobre a questão da Guiana com a Venezuela. Na avaliação de Sarney, o país de Chávez "não está se armando para invadir o Brasil nem os Estados Unidos". E pergunta: "por que não a Guiana?". Mas, como é deste mundo, Sarney defendeu também a posição que deixou Lula a descoberto fora da Venezuela: "o presidente disse o que tinha de dizer". Aos bons entendedores, meia palavra basta. Em relação a qualquer dos dois.

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1 Opinião

  1. Ronaldo Ferreira disse:

    Concordo em genero e
    grau com o Senador Josè Sarney sobre o veto a entrada da Venezuela no
    Mercosul.
    Ronaldo

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