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Bauer, britânicos e bombas

A visão de mundo dos EUA

Os EUA se deparam com um mundo em que quase todos os estrangeiros são hostis e que seus aliados são inúteis

A visão de mundo dos EUA
Como antes, a série foi frenética, violenta, extremamente boba e estranhamente viciante, tudo ao mesmo tempo (Reprodução/FOX)

O episódio final de “24 horas”, a série de ação que estrela Kiefer Sutherland como o agente secreto Jack Bauer, foi exibida na televisão britânica semana passada. Como antes, a série foi frenética, violenta, extremamente boba e estranhamente viciante, tudo ao mesmo tempo. E, à sua própria maneira, reveladora da visão americana do mundo.

À sua própria maneira a série tocou no espírito da época, concentrando-se nos temores generalizados do terrorismo nuclear e biológico assim como na eficácia da tortura. Na temporada atual, a arma da vez são aviões robôs; a ideia é que os terroristas encontraram uma maneira de se apoderar de tais aviões e atacar alvos civis. Dado o abatimento recente de um avião robô do Hamas por Israel, a questão é extremamente atual.

Tudo isso acontece em Londres, para onde a série se mudou em busca de uma mudança de cenário; talvez porque LA, Washington e Nova York já foram devastadas muitas vezes em filmes de desastre.

Enquanto todo esse caos se desenvolve, os britânicos (cujo primeiro-ministro é interpretado pelo ator de comédia Stephen Fry) assistem a tudo impassíveis enquanto Bauer e diversas equipes da CIA disparam tiros pela vizinhança. Em termos de lutar contra os terroristas, os criadores da série presumem, obviamente, que apenas os EUA têm capacidade para tal. O resto de nós espera, como criancinhas, para que “papai” venha nos resgatar.

Há também os vilões. A principal é uma ocidental radicalizada (outro assunto atual) interpretada por Michelle Fairley (a mulher de Sean Bean em “Game of Thrones”) mas, como sempre, o vilão inicial é apenas um ponto de partida. Adicionados à mistura há um hacker germânico, claramente baseado em Julian Assange, um diplomata russo covarde e um espião chinês renegado. Em suma, uma verdadeira ONU de vilões (e vilãs).

Em outras palavras, os EUA se deparam com um mundo em que quase todos os estrangeiros são hostis, e em que seus aliados são inúteis. No entanto isso é apenas um programa de televisão.

 

Fontes:
The Economist-Bauer, Britons and bombs

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1 Opinião

  1. Ludwig Von Drake disse:

    Está escrito. Como todos os impérios que a História registra, os USA serão destruídos por seu próprio complexo de superioridade.

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