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Política russa

A volta do homem que nunca partiu

A questão não era se Vladimir Putin iria permanecer no poder, mas como iria fazê-lo

A volta do homem que nunca partiu
Putin, um ex-oficial da KGB, moldou a política russa à sua imagem (Reprodução/Internet)

Algumas pessoas querem nos fazer acreditar que o anúncio da candidatura de Vladimir Putin à presidência da Rússia é a maior notícia na política. Especulava-se sobre  a possibilidade de Putin, primeiro-ministro de1999 a 2000, presidente em 2008 e desde então primeiro-ministro, voltar no próximo ano como presidente. Se isso acontecer, a Constituição (alterada enquanto Putin estava fora do Kremlin) permitiria que ele embarcasse em dois mandatos consecutivos de seis anos, se mantendo no poder até 2024, quando completará 71 anos.

Uma coletiva durante o congresso do Partido Rússia Unida pôs fim à dúvida. Dmitry Medvedev, o atual ocupante do Kremlin, disse que preferia que Putin concorresse à presidência no próximo ano. Putin agradeceu, afirmando que seria uma “grande honra”. Seu retorno ao Kremlin será formalizado na próxima eleição presidencial em março.

Mas a coisa toda é uma farsa. Apesar de estar nominalmente ocupando o cargo secundário de primeiro-ministro, Putin continua a ser a figura mais poderosa na política russa. A questão não era se ele iria permanecer no poder, mas como iria fazê-lo. 
 
Medvedev tem constantemente decepcionado aqueles que esperavam que ele seria o porta-estandarte de uma tendência independente e reformista na Rússia. Nos últimos três anos, é difícil ver qualquer avanço substancial que tenha suas impressões digitais.

Ao contrário, Putin, um ex-oficial da KGB, moldou a política russa à sua imagem após sua chegada ao poder. Ele perseguiu e prendeu adversários politicos e confiscou seus bens e ativos. Criou um sistema eleitoral em que eleições importantes sempre favorecem as autoridades. As próximas eleições não serão uma exceção.

A dúvida na Rússia de Putin nunca foi sobre a transparência das eleições ou as mudanças no Kremlin, mas até quando ele suportaria uma economia estagnada, corrupção desenfreada, frustração crescente entre as classes média e uma guerra no Cáucaso Norte.

Uma vez que ele retorne para a presidência, Putin, um homem sem convicções ideológicas aparentes, pode decidir que a única maneira de garantir a sua continuidade no poder é reduzir a dependência do país na extração de recursos, reprimir a corrupção e adotar uma nova política para as regiões inquietas da Rússia. Ao contrário de anúncio deste sábado, 24, isso sim seria uma notícia genuína.

Mas Putin também pode optar por deixar tudo como está, e nesse caso a Rússia começaria um capítulo novo e ainda mais perigoso da sua história.

 

 

Fontes:
Economist - The return of the man who never left

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3 Opiniões

  1. zuka disse:

    LOGO TEREMOS a volta do BÊBADO que nunca partiu!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! ACORDA BRASSSSSSSSSSSSSSIL !

  2. Regina Caldas disse:

    O mundo dá suas voltas…se no passado a Russia foi modelo para o comunismo chines, é provável que ocorrerá o inverso com Putin retornando ao poder.

  3. Genivaldo disse:

    Só olhando a sua fisionomia vemos como é mentiroso e tudo que diz é mentira.

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