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Mianmar

Aung Suu Kyi eleita: início de uma nova era?

Nobel da Paz em 1991, ativista anti-ditadura ocupará pela primeira vez um cargo político no país. Processo de democratização, contudo, deve continuar lentamente

Aung Suu Kyi eleita: início de uma nova era?
Eleita deputada, Suu Kyi diz que papel do povo no quotidiano político se irá acentuar

Venerada como uma mãe por seus milhões de eleitores, Aung Suu Kyi começou, desde o primeiro de abril, uma nova vida. Tudo mudou muito rápido para a ativista política, figura-chave da oposição não-violenta à ditadura militar em Mianmar. Depois de quase duas décadas de reclusão, e aproveitando a liberdade adquirida há apenas quinze meses, foi eleita deputada dia primeiro de abril, num teste para a democracia no país. Agora, percorrendo Mianmar em longas maratonas, Suu Kyi, prêmio Nobel da Paz em 1991, alimenta as esperanças para a maior série de reformas desde o golpe militar, em 1962. Pessoas próximas a ela a descrevem como uma “moleca” enérgica e impaciente – no sentido positivo do termo, é claro. Cheia de entusiasmo, a nova deputada fala em uma nova era, “na qual o papel do povo no cotidiano político irá se acentuar”.

A democratização, contudo, tem tudo para se arrastar. Mianmar está há dois anos em processo de mudança política. Começou a ser governada por civis – o que não significa a saída de cena da junta militar, mas antes a troca da farda pelo longyi (traje tradicional). A Constituição assegura que as decisões realmente importantes se mantêm nas mãos dos militares, que também escolhem diretamente 25% dos parlamentares.

A Liga Nacional para a Democracia, partido da oposição liderado por Aung San Suu Kyi, reclamou vitória nas eleições, com a conquista de, pelo menos, 43 dos 44 lugares que procurava garantir, incluindo a eleição da Nobel da Paz como deputada, pela primeira vez na sua carreira política. Suu Kyi, no entanto, terá um papel solitário no Parlamento birmanês, com 1158 lugares – ocupados em sua maioria pelo Partido da Solidariedade e do Desenvolvimento, sobretudo de militares na reforma, e que detém a maioria em todas as câmaras (câmara baixa, Senado e representação regional), sendo que os restantes partidos também estão ligados de alguma forma à junta.

“Quando você vive em uma democracia parlamentar – e este é o único tipo de democracia possível hoje – é preciso estar no Parlamento”, disse Suu Kyi ao jornal francês Libération, dois meses antes de sua eleição. “É perigoso acreditar que um político ocupa um lugar importante demais para iniciar na base de uma democracia parlamentar. Temos que começar com humildade, se quisermos acertar. ”

Já o ministro dos Negócios Estrangeiros de Mianmar, Wunna Maung Lwin, declarou aos jornalistas em Phnom Penh, no Camboja, que as eleições legislativas parciais de domingo foram “livres e justas”.

Fontes:
Libération - La troisième vie de Aung San Suu Kyi
Público - Aung San Suu Kyi é hoje eleita deputada da Birmânia

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