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Rússia

Bem-vindo ao circo da política russa

No lugar de política genuína o período de eleições será cheio de fanfarrões, palhaços e pequenos demônios sancionados pelo Kremlin

Bem-vindo ao circo da política russa
Na ausência da política, o principal trabalho do Kremlin é imitá-la (Reprodução/Economist)

Na Rússia, um país de 140 milhões de pessoas e com enormes problemas demográficos, econômicos e regionais, além de uma guerra prestes a atingir o ponto de fervura no norte do Cáucaso, as eleições deveriam ser um assunto sério. Mas no lugar de debates apropriados a respeito do futuro do país, encontra-se um pântano borbulhando de imitadores, palhaços, nacionalistas, provocadores e outros diabinhos

O resultado de ambos os conjuntos de eleições é pré-determinado, como sabem muito bem os eleitores russos. (Mais da metade, segundo pesquisadores, acham que as eleições serão sujas). O partido Rússia Unida do Kremlin, cujo único propósito é manter a atual burocracia no poder, receberá ao menos 60% dos votos na votação parlamentar de dezembro, dando a Vladmir Putin, seu líder, uma base de poder, queira ele ou não continuar no cargo de primeiro ministro ou então retornar ao Kremlin em março próximo.

Na ausência da verdadeira política, o principal trabalho dos manipuladores de opiniões do Kremlin é imitá-la, na tentativa de evitar que o público fique entediado a ponto de ignorar as eleições por completo. Partidos são planejados para todos os gostos: nacionalistas, liberais, comunistas (nacionalista é o que vende melhor). Os cínicos diretores de cena do Kremlin comandam o show com total desrespeito para com a audiência. Mesmo que na maioria das vezes estejam nos bastidores, eles aparecem ocasionalmente para ter certeza de que os atores estão seguindo fielmente o roteiro.

O que isso mostra é que o sistema criado pelo Sr. Putin teme o menor sinal de competição. Apesar de tudo, a opção de Putin por Medvedev para presidente em 2008 foi ditada precisamente pela sua falta de competitividade. Se Putin decidir retornar ao Kremlin, será provavelmente por acreditar que Medvedev é muito fraco para exercer o controle.

Fontes:
Economist - Welcome to the circus

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2 Opiniões

  1. Beraldo Dabés Filho disse:

    A pior e mais enrustida Ditadura do Mundo é a dos EEUU, que tem um único Partido , o PDR – Partido Democrata Republicano.

    Eleição lá é coisa de fazer rir.

    A cada quatro anos nomeiam, sob o título de eleição livre e democrática, um novo Presidente. Na verdade oito anos de mandato, já que a reeleição se tornou rotina, um claro “acordo de cavalheiros”.

    A nomeação do George W. Bush foi um capítulo bizarro na Ditadura Americana. Perdeu no complexo critério técnico, mas foi nomeado assim mesmo.

    Deram azar, pois o seu (des)governo afundou os EEUU em todos os sentidos.

    Agora tá lá o “Obanana”, descumprindo tudo o que prometeu na campanha, mas cumprindo direitinho a cartilha da Ditadura.

    Como é bem fraquinho e ainda herdou um País quebrado e envolvido em guerrinhas intermináveis, talvez passe para a História, co mo aquele que conseguiu ser pior do que o Bushinho.

    Ditadura por Ditadura, prevalece a competência e, neste quesito, a China está rindo à-toa.

  2. Carlos U. Pozzobon disse:

    O singular apelo produzido pelo nacionalismo russo deve-se a característica chauvinista dos russos em geral. Mas como o modelo político tem muitas semelhanças com o nosso, a Rússia permanecerá congelada por muito tempo, até que as reformas possam tirar o caráter predador do Estado russo atual. Enquanto uma pequena cúpula tem garantia de impunidade para saquear uma nação a seu proveito, o país permanecerá a margem do progresso tecnológico e científico. O fascismo político, garantido por redes clientelistas e empreguismo, aliado ao mercantilismo econômico, servem como anteparo para o capitalismo high-tec, baseado em inovação tecnológica e pesquisa científica. A razão é muito simples: não se faz tecnologia com políticos, funcionários públicos ou despachantes. E qualquer sociedade centrada nestes elementos, ou por eles comandada, ficará sempre na retaguarda, inciumada e zelosa de seu tamanho e abundância desperdiçada.

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