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América Latina

Brasil e Colômbia: menos distantes

Começa uma amizade cautelosa. Da 'The Economist'*

Brasil e Colômbia: menos distantes
Santos e Lula: lançamento de um fórum de investimentos na Colômbia no dia 4 de agosto

Eles são o maior e o terceiro maior país da América Latina em termos populacionais. Dividem uma fronteira de quase 2 mil km. Mas Brasil e Colômbia não se dão bem. Em 2009 a desconfiança ficou às claras quando o então presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, resmungou em público a respeito do acordo negociado por Álvaro Uribe, então presidente da Colômbia, que atualizava os termos sob os quais forças norte-americanas poderiam usar sete bases militares para ações em conjunto contra o tráfico de drogas e guerrilhas.

Agora há um esforço simultâneo de melhorar as relações. No dia 4 de agosto, Lula chefiou um grupo de magnatas convidados pelo Banco InterAmericano de Desenvolvimento (BID) para discutir modos de incrementar o comércio entre os dois países. Este quadruplicou desde 2004, mas os US$ 3 bilhões do ano passado representam menos de 1% do total do comércio exterior dos dois países.

A bacia amazônica é uma barreira enorme ao comércio. Não há estradas que liguem o Brasil à Colômbia. De acordo com o BID, custa a um exportador colombiano um pouco mais do que a um canadense exportar produtos para o Brasil. O banco estima que o comércio poderia dobrar em cinco anos com impostos mais baixos, melhores procedimentos alfandegários e melhores canais de transporte.

Os laços políticos também estão se estreitando. Ao governo Lula desagradava o auxílio militar norte-americano à Colômbia. Funcionários do governo colombiano reclamaram da falta de solidariedade brasileira em relação aos esforços colombianos contra as narcoguerrilhas da FARC. O Brasil parecia se alinhar tacitamente com a Venezuela de Hugo Chávez em seus frequentes embates com Uribe.

“Havia muita desconfiança” entre ele e Uribe, Lula admitiu, acrescentando que seus sucessores, Dilma Rousseff e Juan Manuel Santos “podem fazer muito mais”. Santos pôs fim ao acordo com os Estados Unidos e transformou a melhoria das relações com o Brasil, a Venezuela e a América Latina em geral uma prioridade. Um sinal disso também foi dado no dia 4 de agosto quando Nelson Jobim, então ministro da Defesa do Brasil, assinou um acordo sobre a segurança das fronteiras que incluía uma provisão que prevê a “perseguição aguerrida” de traficantes e guerrilheiros.

Infelizmente para a Colômbia, Jobim foi demitido naquela noite por Dilma. As razões não tinham conexão com o acordo, mas seu substituto, Celso Amorim, foi associado às políticas pró-Venezuela como ministro das Relações Exteriores de Lula. Uma amizade começou, ainda que cautelosa.

* Texto traduzido e adaptado pelo Opinião e Notícia

Fontes:
Economist - Brazil and Colombia: Less far apart

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1 Opinião

  1. zuka disse:

    LULA NÃO REPRESENTA O BRASIL !!!!!!

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