Início » Brasil » Política » BRICs agitam mundo da ajuda humanitária
Mundo

BRICs agitam mundo da ajuda humanitária

Doações de Brasil, Rússia, Índia e China são cada vez maiores no cenário internacional. Da 'The Economist'*

BRICs agitam mundo da ajuda humanitária
Países em desenvolvimento desempenham um papel cada vez maior no cenário da ajuda humanitária

Entre 1951 e 1992 a Índia recebeu cerca de US$ 55 bilhões em ajuda humanitária estrangeira, tornando-se o maior beneficiado do mundo, e agora está prestes a criar seu próprio órgão de ajuda internacional. Segundo Gurpeet Singh, da RIS, uma usina de ideias de Nova Déli, o governo inaugurará o órgão em meses, que terá US$ 11,3 bilhões para gastar até 2016 ou 2018.

A mudança de beneficiado para doador é parte de uma enorme mudança que acontece na ajuda humanitária internacional. Há dez anos a vasta maioria da assistência oficial vinha dos 15 países industrializados que são membros do Comitê de Assistência ao Desenvolvimento (DAC). Até hoje, os Estados Unidos continuam sendo o maior doador, tendo distribuído US$ 31 bilhões em 2010.

Mas se os relatórios monitorados pela Wagner School da New York University estiverem certos, é a China, que doou US$ 25 bilhões em 2007 (as estatísticas sobre os novos doadores ainda são incertas, e a linha que separa ajuda e comércio ainda é tênue; em outra contagem, a ajuda da China soma apenas US$ 1,9 bilhão em 2009). O Brasil, que também cogita a criação de um agência de ajuda humanitária internacional, doa US$ 4 bilhões anualmente, o que o coloca lado a lado com a Suécia, a Itália ou a Arábia Saudita, outro grande doador que não pertence ao DAC. Se a Índia doar US$ 2 bilhões por ano, estará ao lado da Austrália ou a Bélgica.

De acordo com um novo relatório da ONG Global Humanitarian Assistance, a ajuda humanitária de países de fora do DAC cresceu em 143% entre 2005 e 2008, chegando a US$ 11,2 bilhões, antes de cair durante a crise financeira. A ajuda humanitária dos BRICs (Brasil, Índia, Rússia e China) teve um aumento superior a 100%. O monopólio dos doadores acabou.

Ajuda humanitária por parte de países de fora do DAC não é exatamente uma novidade. A Índia tem há anos um programa de treinamento de servidores civis. A União Soviética e a China maoísta gastaram milhões ajudando países mais pobres durante a Guerra Fria. A novidade é que esses programas estão se expandindo rapidamente. Antes de 20007, os gastos da Rússia com ajuda humanitária externa estavam perto de US$ 100 milhões. Esse número chegou a uma média anual de US$ 422 milhões entre 2007 e 2010, de acordo com o Ministério da Fazenda.

De acordo com Duncan Green, chefe de pesquisa da Oxfam, uma ONG, a grande questão a ser resolvida para os novos doadores é até que ponto eles adotarão as políticas e instituições dos doadores ocidentais ou até onde eles farão as coisas a seu modo, confundindo os limites entre a ajuda humanitária e o investimento. Os BRICs estão doando mais por meio de canais multilaterais, se afastando da tradicional ajuda de governo para governo. Os documentos chineses usam linguagem ao estilo ocidental e mencionam “aumentos na capacidade dos países beneficiados”. Mas cada vez mais os novos doadores acreditam que seu modelo de ajuda é melhor. Enquanto suas contribuições aumentam e as dos países caminham cada vez mais para a estagnação, a ajuda humanitária mundial vive um momento de competição genuína.

* Texto traduzido e adaptado pelo Opinião e Notícia

Fontes:
The Economist - "Charity begins abroad"

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião deste site

5 Opiniões

  1. Luís Bustamante disse:

    Acredito na solidariedade e na filantropia como forma de reduzir as desigualdades sociais. Mas isso a partir de quem pode realmente ajudar, se há um excedente de recursos, principalmente dinheiro, para ajuda humanitária. Como pode o Brasil doar US$ 4 bilhões (uau!) por ano quando tem tantos bolsões de pobreza e milhões de brasileiros em situação de extrema miséria? Qual o interesse? Qual a lógica? Alguém me explique, por favor.

  2. Regina Caldas disse:

    Uma competição inglória, até que estas doações sirvam para melhorar os índices de qualidade de vida e de desenvolvimento dos países que recebem ajuda. Grande parte destas doações servem para manter governos corruptos, enquanto o país permanece estagnado com aumento cada vez maior da natalidade, isto é, de mais famintos dependentes de doadores irresponsáveis. Vanitas, vanitatem..

  3. Ivo BOgoni disse:

    Se essas doações fossem mesmo doações e não imvestimentos,será que as crianças africanas que estão morrendo de fome e sede,não merecerian uma pequena parcela,para mostrarmos que somos um pouco diferentes dos animais.

  4. Robson Mothé disse:

    Essa ajuda humanitária é muito bem vinda para os países pobres, principalmente o continente africano, mas isso só não basta para irradicar a fome no mundo, e sim fornecer meios para que esses países alcance o desenvolvimento e há a necessidade que outras ações sejam realizadas pelos países colaboradores, e são:
    – construção de poços artesianos para o fornecimento da água o incentivo a implantação da energia solar nas residências, onde muitas estão isoladas;
    – incentivar a democracia como regime político nestes países, onde a ditadura impera na maioria dos casos;
    – intervir de forma mais energética nas guerras civis que assola muitos países pobres, impossibilitando que a ajuda humanitária chegue e também expulsando as populações locais;
    Essas são apenas algumas atitudes a serem tomadas e não adianta o mundo fechar os olhos para esses países miseráveis, pois essa miséria é ruim para todos.
    Obrigado.

  5. teresa bertoldi disse:

    Como é bom sabermos que existe ajuda humanitária,
    dos países não importa o lugar que ocupa,o mais impotante é estar na lista de bons colaboradores.
    O Brasil precisa sim fazer doação é importante,
    não importa a quantidade o importante é a qualidade que se doa.Fazer o bem sem saber a quem isso faz um País crescer e ser mais humanos.
    Porque não importa doar lá fora e aqui ficarmos a ver návio.Vamos acreditar no nosso país.

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *