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Assédio moral

Bullying no trabalho pode afetar a produtividade do funcionário

Com possibilidade de causar doenças físicas e psicológicas, empresas devem ficar atentas à prática de assédio moral e bullying. Por Fernanda Dias

Bullying no trabalho pode afetar a produtividade do funcionário
Leis trabalhistas não reconhecem agressão entre colegas como bullying (Reprodução/Internet)

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Começa com uma brincadeirinha de mau gosto aqui, uma gracinha acolá, até que o dia a dia no trabalho passa a ficar insuportável. O bullying, embora seja comumente associado ao ambiente escolar, também é uma prática que acontece no mundo corporativo e pode até afetar o rendimento do funcionário. O problema é que, muitas vezes, nem mesmo a própria vítima reconhece a agressão e acaba enxergando o problema como uma picuinha do colega.

Segundo a sócia-diretora da empresa de recursos humanos Simetria Terceirizados e Temporários, Neusa Nascimento, o bullying e o assédio moral são agressões muito parecidas, que variam mais em função da intensidade. “O bullying, entendido como todo o tipo de comportamento agressivo, cruel, proposital e sistemático, em alguns momentos, devido à intensidade, pode ser tratado como assédio moral”.

Neusa explica que a legislação reconhece apenas o assédio, que acontece mais comumente de chefe para subordinado. De acordo com ela, em geral, as agressões entre colegas do mesmo nível hierárquico são consideradas bullyings, não sendo reconhecidas pelas leis trabalhistas.

“Uma vez instalado o assédio moral, o trabalhador deve exigir e guardar documentos que provem a agressão, como, por exemplo, solicitar por escrito a determinação da realização de tarefas impossíveis. Com isso em mãos, ele pode entrar em contato com o departamento de Gestão de Pessoas (ou Recursos Humanos) da empresa; ou procurar o seu sindicato, a Delegacia Regional do Trabalho, ou ainda o Ministério Público do Trabalho”.

O bullying no âmbito profissional, por ter um caráter intimidativo, regular e persistente, pode afetar o bem estar e a produtividade do funcionário. Segundo a doutora Vera Lucia Soares Chvatal, pesquisadora do Departamento de Psicologia Médica e Psiquiatria da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp, doenças físicas e psicossomáticas podem surgir em decorrência de situações de sofrimento provocadas pelo bullying. Alguns exemplos são: diminuição da autoestima, estresse, queda na resistência do sistema imunológico, depressão e, em casos mais graves, suicídio.

Idade e características físicas, como obesidade ou magreza, são os principais fatores de discriminação que podem acabar gerando bullying. E estatísticas apontam que as mulheres correspondem a 70% das vítimas. A prática, no entanto, não se restringe ao relacionamento interpessoal de funcionários, podendo também ser corporativa, ou seja, feita pela empresa. Chantagens para que o funcionário faça horas extras não pagas, desqualificação do serviço executado e impedimento do exercício das funções motoras e fisiológicas normais são alguns dos exemplos citados pela psicóloga Vera Chvatal: “A mulher, por exemplo, pode ser vítima de bullying corporativo caso a firma não permita ou não facilite a prática da amamentação”.

Os gestores de áreas são considerados figuras fundamentais no combate ao bullying e devem estar atentos a ele. Para que haja uma maior conscientização do problema, como se deu no caso das escolas, Vera Chvatal defende que as empresas promovam palestras e reuniões sobre o assunto: “Assim, elas podem criar momentos de integração entre os funcionários, dar espaço para que todos possam colocar sua opinião e premiar aqueles que se destacarem por atos construtivos…”.

Para Neusa Nascimento, as empresas podem contribuir para evitar o bullying criando uma política voltada para diversidade e inclusão, e incentivando o trabalho em equipe.

“O papel das organizações é promover a integração dos funcionários e tentar amenizar os possíveis conflitos que vierem a acontecer através de ações internas”.

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4 Opiniões

  1. Helo disse:

    Poderíamos chamar de bullying os pagamentos a políticos para empresas contratadas pelo governo? Difícil seria saber se o empresário é o corruptor ou a vítima de chantagem ou de bullying.

  2. Beraldo Dabés Filho disse:

    Bullying existe desde que o mundo é mundo. Seu nome se restringia à simplicidade da palavra discriminação.

    Agora, quando a propaganda do consumismo, alavancada mundo a fora pelo capitalismo americano atingiu seu ponto alto, levando a sociedade a uma epidemia de depresão, tudo virou discriminação.

    Discriminação existe sim, inclusive e de forma mais clara, entre as crianças nas escolas. Difícil alguém que não tenha passado por uma experiência deste tipo.

    Mineiramente, essa “bulliyngada” já tá é enchendo o saco.

  3. julio Spínola disse:

    BULLYNG NO TRABALHO É PUNIDO COM INDENIZAÇÕES TRABALHISTAS.
    CHAMA-SE ASSÉDIO MORAL.
    APLIQUEM-NAS!!!!

  4. zenilda da silva porto disse:

    ola gostaria de saber o que devo fazer porque no meu trabalho minha chefe grita comigo fala que não sei fazer nada quando pergunto as coisas pra ela cuasi nunca me responde ja percibi que ela não gosta de mim e deixa bem claro isso

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