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Cartaz na China indica mudança na política do filho único

Dois filhos na família pode não ser uma ideia tão distante assim, já que há um crescente consenso de que as pressões econômicas exigem uma mudança. Por Evan Osnos

Cartaz na China indica mudança na política do filho único
Partido tolera mudanças nas propagandas políticas chinesas (Reprodução/Internet)

Um cartaz do governo chinês foi colocado na parede em uma rua não muito longe da minha porta, em Pequim. Eu mal parei para ver o que diziam os alegres patriotas retratados em frente à bandeira chinesa quando meus olhos caíram sobre uma curiosidade a respeito da família na imagem: dois filhos.

A primeira vez que notei que uma família com dois filhos aparecia em anúncios foi nos outdoors da KFC e da General Electric, há pouco mais de um ano. Mas a propaganda política sempre foi algo totalmente diferente. O partido tem mantido, em grande parte da China, a política de um filho por família por 30 anos, e ainda o faz. Algumas partes da estratégia política estão comicamente ultrapassadas: uma mãe de Pequim me lembrou que as famílias com uma criança na capital ainda são automaticamente recompensadas mensalmente pelo Estado para aderir ao plano de um só filho. O valor da “recompensa” não foi alterado desde que foi criada, em 1979: cinco yuan por mês, cerca de oitenta centavos, em dólares.

Mas a mudança nas propagandas pode significar algo mais profundo. Dois filhos na família pode não ser uma ideia tão distante assim, já que há um crescente consenso de que as pressões econômicas exigem uma mudança. De acordo com o diretor do Centro Brookings-Tsinghua de Políticas Públicas de Pequim, a China está atirando no próprio pé com a política do filho único.

A política está, provavelmente custando à China, pelo menos, meio ponto percentual na taxa de crescimento anual, que se tornará mais importante à medida que o crescimento desacelera e a sociedade envelhece rapidamente, esgotando o motor econômico que tem impulsionado o crescimento da China por uma geração. Depois de crescer em um ritmo constante durante três décadas, a população economicamente ativa da China estagnou, e os dividendos demográficos da força de trabalho em expansão estão acabando.

Quando é que os demógrafos esperam que a escassez de chineses economicamente ativos possa se tornar um problema? 2013.

Fontes:
The New Yorker - The Writing on the Wall

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1 Opinião

  1. André Luiz D. Queiroz disse:

    Vejam só! As ideias de controle de natalidade do passado se mostram hoje um contra-senso!
    Eu tenho minha interpretação deste fato também do ponto de vista religioso, mas que prefiro não declinar aqui, para não parecer proselitismo.
    Agora, acho que todos podem refletir sobre como o ser humano erra ao pensar com arrogância e se afastar das leis naturais.

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