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Chile enfrenta dilema energético

País precisa dobrar matriz energética, mas todas as opções políticas representam dificuldades para o governo de Sebastián Piñera

Chile enfrenta dilema energético
Criação de hidrelétricas põe em risco beleza das paisagens chilenas

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Na noite do dia 24 de setembro, um corte de energia deixou quase 10 milhões de chilenos, mais da metade da população, na mais completa escuridão. Minas de cobre foram fechadas, sinais de trânsito se apagaram e, em Santiago, baladeiros da noite de sábado se viram dançando no escuro. A energia voltou em poucas horas, mas o blecaute foi um preocupante sinal do que pode vir pela frente.

Um dos países mais ricos da América do Sul, o Chile é um dos mais pobres em energia. O país não produz combustíveis fósseis, e importa 75% de sua energia na forma de petróleo, carvão, gás natural liquefeito (GNL). Por toda uma década, o país tentou consertar esse desequilíbrio, mas esbarrou em uma série de obstáculos. Uma solução foi importar gás da Argentina, mas os argentinos aumentaram os preços, e depois, como sua própria demanda cresceu, simplesmente interrompeu o fornecimento.

Um dos países mais propensos a ser vítima de terremotos, o Chile considerou adotar a energia nuclear, mas a tsunami japonesa desse ano acabou com essa ideia. A importação de gás da Bolívia ou do Peru está fora de cogitação até que os países resolvam seus problemas de fronteiras. Governos anteriores construíram duas usinas de GNL, que ajudaram a diminuir o problema, mas o GNL permanece como um artigo muito caro.

A energia hidrelétrica já é responsável por 40% da matriz energética chilena, e poderia ser a resposta. Mas há muita oposição á construção de mais represas e linhas de transmissão no belo e chuvoso sul do país. Em maio, o governo de Sebastián Piñera aprovou o HidroAysén, um plano para construir cinco represas em dois rios intocados. Isso geraria mais de 18 mil gigawatts-hora de eletricidade por ano, cerca de um terço do consumo atual. Mas também inundaria 5.900 hectares de terras selvagens da Patagônia. Tamanha é a revolta pública que o plano pode ser cancelado.

Em um discurso a ambientalistas no ano passado, Piñera impediu a construção de uma refinaria de carvão próxima a uma reserva marinha ao norte de Santiago. Essa decisão encorajou os ambientalistas, mas alarmou as companhias energéticas, que temem que – ainda que consigam passar por todas os processos regulatórios – seus projetos sejam interrompidos.

Há muito potencial para energia renovável, da energia solar nos Deserto de Atacama aos poços geotermais nos andes vulcânicos e da geração de marés na costa do Pacífico. O presidente quer que 20% da energia venha dessas fontes até 2020. Atualmente apenas 4% da energia chilena é renovável, e esse aumento exigiria grandes subsídios e novas linhas de transmissão.

E assim o debate continua e a pressão sobre os problemas aumenta. O governo diz que se o Chile tiver um crescimento de 6% ao ano, como deseja, o país precisará dobrar sua proteção energética na próxima década. “Há pouco consenso quanto ao que devemos fazer no futuro. Só existem posições radicais”, diz Hugh Rudnick, especialista em energia da Universidade Católica de Santiago. Tentando chegar ao tão sonhado consenso, Piñera criou um comitê de geração elétrica, que deve apresentar um relatório em outubro. Mas todas as opções parecem politicamente difíceis, e ninguém deu uma lâmpada mágica ao comitê.

Fontes:
The Economist - Dancing in the dark

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