Início » Economia » Internacional » Como funciona a Interpol?
POLÍCIA INTERNACIONAL

Como funciona a Interpol?

A organização emite 'alertas vermelhos' para 190 países, mas não julga o mérito dos pedidos de prisão que recebe, o que pode gerar abusos de caráter político

Como funciona a Interpol?
O grupo Fair Trials International pede maior liberdade para a Interpol julgar casos 'abusivos' (Reprodução/Internet)

O governo brasileiro solicitou nesta terça-feira, 19, o apoio da Interpol para prender o condenado no mensalão Henrique Pizzolato, refugiado na Itália. Quando isso acontece, a Interpol emite o chamado ‘alerta vermelho’ sobre a pessoa em questão. Este alerta permite a prisão do indivíduo em 190 países, funcionando como uma sugestão normalmente acatada. Em 2012, 8.136 alertas foram emitidos, um aumento de 160% desde 2008. A Interpol insiste que não é um órgão judicial, mas o que exatamente ela anda fazendo? E como?

Alguns casos de abuso de poder por parte de governos, em que a Interpol é acusada de agir com conivência, vêm sido relatados ao longo dos anos. O caso da jornalista oposicionista venezuelana Patrícia Poleo é um deles. Ela foi acusada pelo governo venezuelano de planejar o assassinato do procurador Danilo Anderson, que investigava um suposto atentado contra o então presidente Hugo Chávez. A acusação foi usada por Chávez para iniciar uma feroz perseguição contra vários líderes da oposição, alegando que todos eram terroristas, entre os quais a jornalista. E onde a Interpol entra nisso? Patrícia foi procurada pela Venezuela, que pediu ajuda da Interpol. Ela conseguiu fugir para os Estados Unidos. Enquanto isso, a Interpol levou 18 meses para aceitar que o alerta vermelho emitido contra Patricia Poleo foi motivado politicamente.

Interpol a serviço da corrupção russia

A Rússia parece gostar particularmente da tática de usar a Interpol para intimidar oposicionistas. O governo russo tem como alvo refugiados políticos, como Anastasia Rybachenko, uma ativista estudantil refugiada na Estônia. Segundo ela, a Interpol é usada pelo governo russo para “minar a democracia”. Durante as recentes eleições na Estônia, a Rússia também relançou um alerta vermelho para Eerik – Niiles Kross, um político e ex- espião, que tem sido um pesadelo para o Kremlin.

O Fair Trials International, um grupo ativista, quer que a Interpol tenha maiores poderes para vetar pedidos de prisão “abusivos, incompletos ou imprecisos”, antes que esses sejam enviados para as forças policiais ao redor do mundo. Além disso, apesar de todos os alertas vermelhos serem enviados à polícia, menos da metade se tornam públicos. Isso torna difícil questioná-los com antecedência, ou preparar uma defesa em caso de uma detenção surpresa em um aeroporto estrangeiro.

Dominic Raab, um parlamentar britânico, teme que a conveniência diplomática da Interpol comprometa os direitos dos cidadãos. Mark Stephens, um advogado britânico, diz que poucos governos estão protestando sobre o abuso porque ninguém quer ser visto tomando o lado dos criminosos.

 

 

Fontes:
The Economist-Rogue states

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião deste site

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *