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Abrigos antiaéreos

Como o governo de Pequim vê a crescente população de migrantes

Em poucos momentos, desde a década de 80 - quando os rígidos controles sobre migração na China começaram a se quebrar - o governo pareceu tão determinado a combater essa maré

Como o governo de Pequim vê a crescente população de migrantes
A população de Pequim ultrapassou os 19,7 milhões em 2009

Como tantos outros moradores de Pequim, um vendedor de frutas caminha até um prédio onde uma placa anuncia: “quarto semissubterrâneo”. Na verdade, esta é a entrada para um abrigo antiaéreo, construído na época das tensões soviéticas. É lá, em um quarto de 12 metros quadrados e custo de 33 yuans (cerca de R$84), que o vendedor mora com sua esposa.

Entretanto, se as autoridades de Pequim mantiverem seu caminho, ele não permanecerá no abrigo por muito tempo.

Em dezembro do ano passado, foram revelados planos para fechar estes abrigos dentro de um ano. Oficiais do governo ainda deixaram claro que acomodações em porões também seriam fechadas. Os veículos locais calcularam que cerca de um milhão de pessoas seriam afetadas com essa medida. O comerciante se preocupa. Caso o governo conclua seus planos, ele terá que voltar a sua aldeia no sul da província de Jiangxi. E muitos inquilinos dividem a mesma opinião.

Em poucos momentos, desde a década de 80 – quando os rígidos controles sobre migração na China começaram a se quebrar – o governo pareceu tão determinado a combater essa maré. A peça chave para essa mudança de postura foi uma pesquisa feita no último verão que concluiu que a população de Pequim (que mora na cidade há seis meses ou mais) ultrapassou os 19,7 milhões em 2009. Os números passam em 2 milhões no planejado pelo governo.

Os dados são assustadores, mas enganam um pouco. Pequim tem uma área correspondente à metade da Bélgica, com cidades satélites e extensões rurais. Mas, até mesmo a cidade em si, teve um aumento para mais de 10 milhões de pessoas, comparados aos 8,5 milhões de uma década atrás. E os governantes chineses sempre foram especialmente sensíveis com relação aos migrantes rurais da capital.

Muitos alojamentos foram temporariamente fechados antes dos jogos olímpicos de Pequim, em 2008, e depois novamente em 2009, antes das celebrações do 60º aniversário de fundação da China comunista. Em outubro, o partido comunista preparou uma resolução onde convidava as cidades menores a receber mais migrantes e para as maiores controlarem seu fluxo. O descontentamento com os congestionamentos, transportes públicos, escolas e hospitais continuaram.

Em dezembro, o governo introduziu novas medidas para facilitar o tráfego. Entre elas a redução do número de matrículas emitidas, um terço a menos do que no último ano. Para estar qualificado para fazer a matrícula o imigrante precisa ter morado na cidade por mais de cinco anos, comprovar ter um emprego e ter quitados seus impostos. A medida também vale para a compra de carros. As novas regras ainda proíbem os carros de fora da cidade de permanecerem no local durante as horas de pico no trânsito.

Fechar moradias subterrâneas – oficialmente por motivos de segurança e saúde – foi tido como uma medida extremamente útil. Outra medida tomada como eficiente foi a repressão na divisão dos apartamentos para alugar. Em janeiro o governo anunciou que os compradores de imóveis estarão sujeitos a restrições semelhantes às ocorridas com os veículos. Pela primeira vez em anos, o governo está falando sobre fazer o “hukou” – um comprovante de residência de difícil obtenção quando este não é herdado, e que confere direitos a saúde e bem-estar, ainda mais difíceis para conseguir.

Centenas de furiosos proprietários das habitações subterrâneas pediram ao governo para mudar seus planos. Até mesmo a imprensa estatal tomou parte na dissidência. Um estudioso teria dito que a fixação de capital em um limite numérico não tem base científica e as forças de mercado devem determinar a sua população. Outros dizem que o fechamento das moradias subterrâneas é algo que não pode ser executado (alguns membros da “tribo de ratos”, que a imprensa local muitas vezes chama de “moradores subterrâneos”).

Há um ano muitos jornais publicaram matérias em desafio ao Partido Comunista, dizendo que o sistema -hukou- deveria ser demolido. Nada adiantou. Em outubro Chen Gui, um senhor da Associação China Real Estate, publicou um artigo no qual dizia que o número de pessoas de -baixa renda, baixar qualidade e mal educados, vindos de fora- não deveriam ser autorizados a aumentar a população de metrópoles como Pequim. Ao que parece, é a mesma opinião defendida pelo governo.

Fontes:
Economist - Air-raid warnings

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1 Opinião

  1. jaderdavila the small shareholder disse:

    a china controlou a natalidade.
    mas em volta a china nao controlou.
    a pessoa vai pra aonde está o dinheiro.
    vietnamita, malaio, filipino,
    foi tudo pra xangai.
    melhor um porao com a pança cheia,
    de barriga vazia qualquer lugar é feio.
    será que a china vai fazer outra muralha ao sul?

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