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Construção de centro muçulmano divide opiniões

Local escolhido para a mesquita fica ao lado do antigo terreno do World Trade Center. Por Felipe Varne

Construção de centro muçulmano divide opiniões
Marco Zero, local do antigo World Trade Center, em Nova York. (Fonte:Reuters)

O projeto de construção da mesquita Cordoba House, a dois quarteirões do Ground Zero – o terreno que abrigava o World Trade Center até os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001 – vem dividindo opiniões e gerando polêmica nos Estados Unidos. O presidente norte-americano, Barack Obama, apoiou a construção da mesquita, financiada pela empreiteira Soho Properties, dirigida por Sharif El-Gamal e Nour Mousa, sobrinho de Amr Mousa, secretário-geral da Liga Árabe. “Muçulmanos têm o mesmo direito de praticar sua religião que é concedido a todos nesse país. E isso inclui o direito de construir um templo e centro comunitário numa propriedade privada de Manhattan de acordo com as leis locais”, declarou o presidente.

Republicanos avaliam construção como desrespeito a dor de famílias das vítimas do 11 de setembro

Além de Obama, a Cordoba House também conta com o apoio do prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, que considerou a localização da mesquita “apropriada por dizer ao mundo que nos Estados Unidos há liberdade religiosa para todos”. “O governo nunca deve dizer às pessoas como e onde elas devem rezar. Queremos que pessoas ao redor do mundo se sintam confortáveis em vir e rezar como preferirem.” Com relação à dor que a construção da mesquita poderia causar aos familiares das vítimas dos atentados, Bloomberg declarou que as vítimas gostariam que o país e a cidade “praticassem o que pregam”, ou seja, não interferissem nos direitos religiosos dos cidadãos, e que “se curvar aos protestos populares seria dar a vitória aos terroristas, algo que não permitiremos”. “A democracia deve ser maior que isso.” A Liga Anti-Difamação (ADL), uma das principais organizações judaicas dos Estados Unidos, criticou os opositores da obra e reconheceu o direito dos muçulmanos de construírem sua mesquita. No entanto, o líder da organização tentou convencer os responsáveis pela Cordoba House de que a localização era pouco apropriada para o projeto.

Entre os inimigos da Cordoba House – que está sendo projetada no 92nd Street Y, um centro comunitário judaico – está o ex-congressista republicano Newt Gingrich, que nessa segunda-feira, 16, comparou a construção da mesquita a protestos nazistas nos museus do Holocausto. Anteriormente, Gingrich já havia criticado a escolha do nome do centro, alegando que a escolha era uma homenagem à conquista da cidade espanhola de Córdoba, na qual espanhóis cristãos foram derrotados por muçulmanos. O mentor do projeto, Iman Feisal Abdul Rauf, alegou que o nome homenageava o período entre os séculos VIII e XI, no qual judeus, cristãos e muçulmanos conviveram pacificamente na cidade. Entre os principais opositores estão os republicanos John McCain, Sarah Palin e o ex-prefeito de Nova York, Rudolph Giuliani.

Familiares das vítimas dos atentados, políticos e membros da comunidade muçulmana estão divididos. A divisão também é encontrada fora do país. Entre os apoiadores da Cordoba House está Mahmoud Al-Zahar, líder do Hamas na Faixa de Gaza, que declarou que mesquitas devem ser erguidas em toda parte e que os muçulmanos têm direito à construção, já que cristãos e judeus podem erguer seus templos livremente. Entre os opositores está o parlamentar holandês Geert Wilders, convocado pela organização Stop Islamization of America (Acabem com a islamização da América) para discursar num protesto contra a construção da Cordoba House. A diretora da SIOA, Pamela Geller, afirmou que a construção da Cordoba House é uma repetição do hábito muçulmano de construir mesquitas em locais de vitórias (como aconteceu em Cordoba), e acusou o Iman de ter ligações com o terrorismo. O líder muçulmano também é acusado de buscar financiamento para a obra em países islâmicos que aplicam as leis religiosas da sharia. O centro, orçado em US$ 100 milhões, ainda não teve a origem de seu investimento revelada. Para Bloomberg, as questões são fruto de preconceito: “Ninguém pergunta aos mórmons ou ao Vaticano de onde eles tiram dinheiro”, disse o prefeito nova-iorquino.

De acordo com pesquisas, a maioria dos americanos é contra a construção da Cordoba House. Sessenta e dois por cento dos entrevistados afirmaram se opor à mesquita, enquanto 26,3% apóiam sua construção. Já na cidade de Nova York, 55% dos habitantes é contra a construção da Cordoba House, enquanto 31% é favorável. “É verdade que os atentados não foram obra de todos os muçulmanos, mas os terroristas agiram em nome do Islã”, diz Barry Zellman, que perdeu seu irmão no atentado. Já Donna O’Connor, cuja filha estava grávida e também morreu no atentado, acredita que a Cordoba House, acha que o centro muçulmano será simbólico e mostrará que “os atos maléficos de alguns muçulmanos não podem recair sobre os inocentes”.

Caro leitor,

Qual sua posição a respeito da construção da mesquita?

Você é contra a base ser construída próximo ao campo que abrigava as Torres Gêmeas?

O que é mais importante: preservar a memória das vítimas do 11 de setembro ou garantir a liberdade religiosa da comunidade muçulmana?

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião deste site

21 Opiniões

  1. Markut disse:

    O assunto é bastante controverso.
    O próprio nome escolhido Cordoba House, pode ser entendido tanto como a era de ouro do islamismo , em que havia , de fato, a convivência das três religiões, como tambem uma provocação, podendo entender-se como alusão ao avanço, sobre a Europa, do império muçulmano.
    De qualquer modo, a localização escolhida cheira tambem a provocação, colocando em xeque os princípios liberais democráticos e a natural revolta, principalmente daqueles novaiorquinos que perderam , no atentado, familiares o amigos.
    Parece ser uma jogada muito esperta.

  2. mario malato disse:

    Eu só gostaria de saber se os islamitas permitiriam a construção de uma catedral,ou uma sinagoga, lá no Irã.

  3. Carlos Eduardo Fernandes Teixeira disse:

    Acho que a única maneira de derrotar os radicais é dar um show de democracia para eles verem como é isso. Depois chamá-los a reflexão. E é claro:deixá-los um tempo sem intervenções ocidentais. Eles querem viver em seu mundo? Deixem.

  4. Jorge Luís Luz de Queiroz disse:

    Heráclito dizia que da luta dos opostos nasce a
    mais bela harmonia.Quem dera que se pudesse apli
    car essa assertiva às religiões, que só trouxe-
    ram e ainda trazem discórdia entre os humanos.
    Construir uma mesquita perto de onde houve o
    pior ataque terrorista so Século XXI, em nome
    da religião; parece-me uma péssima ideia,pois
    não é um templo que vai apagar a fervura das
    religiões.

  5. Stella Maris Morais disse:

    Sem dúvida alguma garantir a liberdade religiosa da comunidade muçulmana. Lembranças tristes só trazem malefícios. AS vítimas jamais serão esquecidas mundialmente e ponto. Só não há necessidade de um marco relembrando esse horror. Que sofrimento !!! Deus nos livre!!!

  6. Helio (rio de janeiro) disse:

    Não tenho uma opinião formada. Fico entre o comentário de Markut e o de Carlos Fernandes Teixeira. Ficamos com atendência de optar pelo ato esperto, já que estamos vivendo aqui o paraíso das espertezas.

  7. JAIR disse:

    ESSA POLÊMICA FICA CLARO O PRECONCEITO Q EXISTE CONTRA OS MUÇULMANOS NOS EUA. POIS QUEM DERRUBOU O WORLD TRADE CENTER FORAM OS TERRORISTAS E Ñ OS MUÇULMANOS. É PRECISO SABER SEPARAR AS COISAS.

  8. JAIR disse:

    Onde está a liberdade religiosa nos EUA?
    Ainda há um trauma muito grande devido aos atentados terroristas. Lembrando q ñ foram os muçulmanos q derrubaram o World Trade Center.

  9. Helio (rio de janeiro) disse:

    Muitos americanos são muçulmanos, incluído o herói deles Mohamad Ali, o Cassius Clay. A infelicidade é que os terroristas de 11 de setembro eram muçulmanos, e existem grupos radicais muçulmanos que pregam o extermínio do Ocidente. Combater terroristas é uma tarefa difícil. Quando você tem milhares de vítimas do atentado, a oposição ao templo se acirra. Recebi o email de profunda revolta da família Klozel que perdeu seu filho de 18 anos, que estando só e sem representar risco, morreu de uma granada lançada contra ele por um carro com Dilma, então na luta armada. A revolta desses pais com a candidata dá uma idéia do que representa o atentado em Nova Iorque.

  10. jor disse:

    A liberdade verdadeira foi dada pelos EEUU
    o 11 de setembro de 1973 no Chile, onde foram assassinadas 50.000 pessoas.

  11. Dorival Silva disse:

    Pode construir uma igreja cristã em Meca?

  12. Adnen Rajab disse:

    A construção debelará completamente todas as redes de fundamentalistas, conquistando ao mesmo tempo coração muçulmano do mundo sem gastar uma palavra.

  13. Milton Portenoy disse:

    Sou a favor da liberdade religiosa judaica, muçulmana, cristã, hinduista, budista e todas as demais religiões praticadas em nosso planeta pois todas servem como um freio aos instintos bárbaros presentes em cada um de nós, seres humanos, através de seus ensinamentos.

  14. cristina disse:

    Acredito que o objetivo dos Estados Unidos é a grande demanda de Petróleo que os países que adotam esta religião oferece; aprovar esta construção é apenas uma nova oportunidade de conciliação para complementar seus interesses.

  15. Helio (rio de janeiro) disse:

    Cristina, o mundo não é feito só de pensamentos espertos e maus. A discussão lá está sendo levada pelos habitantes da cidade e não pelo governo. Milton Portenoy tem uma bela opinião. Eu ainda não tenho uma, e você? Não devemos crer e nos prender às velhas teorias de conspiração como explicação para tudo.

  16. Helio (rio de janeiro) disse:

    Cristina,
    Leia a bela opinião de Adnenrajab ou as considerações de Markut ou Dorival.

  17. Wilmar Junqueira de Sousa disse:

    Acho que a construção dessa Mesquita poderá se constituir num pedido de desculpa do Governo americano pelas atrocidades que el já cometeu contra aquele povo tudo em nome do domínio petrolífero. “Nunca é tarde para se arrepender e tentar corrigir erros” e o local não poderia ser melhor parabéns ao autor do projeto!!

  18. Helio (rio de janeiro) disse:

    A construção da Mesquita pode ser também a oportunidade dos muçulmanos não-terroristas rezarem pela alma dos americanos mortos pelos muçulmanos-terroristas. Lá existem muitos muçulmanos americanos ou não que desaprovam a violência, assim como muitos americanos cristãos ou não que não aprovam a guerra.

  19. Markut disse:

    Perfeitamente de acordo com Portnoy. Apenas uma ressalva:são esses mesmos instintos bárbaros que convertem o bem no mal.
    São esses mesmos instintos bárbaros que se utilizam da religião, deformando-a e transformando-a num instrumento de dominação, bárbaro e fundamentalista. Isso , em qualquer religião, no presente, ou no passado.Basta percorrer a história da humanidade.
    Trata-se , pois, de uma luta permanente contra a barbárie, onde ela estiver.

  20. Milton Portenoy disse:

    Creio que os fundamentalistas islâmicos através da força bruta e com intenção de causar pânico generalizado e muita dor, usam da religião para dominar o povo impondo leis nunca existentes no Alcorão.
    NENHUM texto sagrado incentiva o ódio e preconiza a morte como forma de imposição de idéias.
    Os povos de língua árabe, muçulmanos ou cristãos assim como os israelenses judeus, árabes-israelenses, druzos, imigrantes africanos, russos, etc que vivem em Israel não querem guerra.
    Quem quer guerra? Os fundamentalistas, os terroristas.
    Os povos querem Paz, querem ter o direito a ir e vir, de terem suas familias e criarem seus filhos. Querem rezar de acordo com a sua doutrina religiosa.
    Somos todos irmãos ou primos como os árabes e judeus. Uma familia que poderia viver em Paz e harmonia, juntos crescerem e se desenvolverem. Israel transferindo ao primos conhecimentos médicos de nível muito elevado, tecnologia para a saude, tecnologia em informatica, o que necessitarem… enfim, transferência de conhecimento e também cultura para que TODOS possam em Paz conviverem juntos.
    “Homens” loucos e bárbaros atacaram as torres gêmeas onde infelizmente milhares de pessoas que estavam lá trabalhando perderam a vida.
    Uma mesquita nas proximidades do Marco Zero ou uma Sinagoga ou uma Igreja Cristã construídas como forma de lembrar o ocorrido significa, em outras palavras, trazer e lembrar que a PAZ é a unica forma possível de convivência entre os chamados seres inteligentes.

  21. Wilmar Junqueira de Sousa disse:

    Bem, concordo com aqueles que estão neste sentido pregando a liberdade religiosa e mais é comum a gente ouvir da bocas dos pregadores padre e pastores de que no mundo islamico, não se tem liberdade de pregar a sua crença e muito menos a liberdade de professar uma fé no cristianismo, ora se a améirca se acha no direito de invadir paise em nome da democracia, que na minha opinião e do mundo todo exceto os americanos, que estão acostumados colher onde não plantaram ex. “isolamento do virus do HIV, a exploração lunar’ (que diga se de passagem eu não acredito até hoje que o homem tenha ido à lua e muinto menos os homens americanos) Já foram descobertas muitas fraudes do governo americano e pior patrocinado pela rede de televisão brasileira “A Zoiúda principalmente” “A fuga de muitos cubanos de sua ilha para o terrritório americano denominado ilha da liberdade onde está erguida uma estatua com finalidade demostrar a liberdade camaras de ar e botes feitos de madeira sobre tambores, tudo isso filmado nas psicinas da televisão que é apololista destas fraudes” vejo que a visão favorável do governo americano hoje é para mim, mais uma inganação ao mundo, porque acho que isto é para colocar uma cortina de fumaça nos olhos do mundo. Que venha o islamismo e cia, porque é melhor por bem do que por mal. ‘que diga o world trade center.

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