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Coreia do Norte: isolamento vira arma política a serviço do regime

Apesar de perpetuar fome e miséria, ditadura norte-coreana permanece firme porque consegue isolar sua população em regiões remotas

Coreia do Norte: isolamento vira arma política a serviço do regime
Pior crise alimentícia do país tem raízes na atroz produtividade rural (Reprodução/Economist)

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A Coreia do Norte deveria estar cambaleando sob o peso da sua economia espetacularmente mal-administrada. O país está no meio de um turbulento processo de sucessão, o que é difícil para qualquer regime totalitário, mas principalmente para um em que o gordinho sucessor Kim Jong Un, filho de Kim Jong-il, é pouco amado ou conhecido.

A pior crise alimentícia do país tem raízes na atroz produtividade rural, no alto preço internacional dos grãos e no embargo a auxílio humanitário por causa da beligerância norte-coreana em relação à Coreia do Sul nos últimos anos. Apesar do sistema público de distribuição de comida ter colapsado na maioria do país, o regime tem tentado, imperfeitamente, aniquilar o mercado informal, a única alternativa para muitos.

Algumas pessoas se aventuram atravessando a fronteira com a China para ganhar algum dinheiro em espécie. Muitas crianças norte-coreanas vivem de forma animalesca; são conhecidas como kotjebi, ou “pássaros esvoaçantes”, e perambulam em bandos. Quando não conseguem roubar nos mercados, comem carne de cachorros mortos e comidas podres (relatos indicam que as crianças mastigam pasta de dente na crença que este hábito evitará intoxicações alimentares). Muitas pessoas, particularmente mulheres, vivem perigosamente dos mercados negros. Muitos conseguem suportar a fome, ao menos por algum tempo. Então porque não se revoltam?

Uma intrigante explicação vem de Go Myong-hyun, pesquisador do Instituto Asan de Estudos Políticos, que sediou recentemente uma conferência em Seul sobre a viabilidade do regime norte-coreano. Analisando imagens de satélites de áreas de cultivo, vegetação e assentamentos humanos, Go acredita que as plantações e as pessoas que as cultivam estão mais isoladas do que se pensava até o momento. Ele contesta as estimativas da ONU de que três quintos do país são urbanizados. Go reconhece que a urbanização pode estar abaixo de 25%.

Transporte, ou a falta dele, pode ser outra forma não deliberada de controle social. A Coreia do Norte herdou ferrovias dos antigos colonos japoneses, que percorrem predominantemente o oeste do país. Esta é áa rea mais populosa do Estado. O sistema de distribuição de comida funciona melhor lá do que no norte e leste rurais.

A conclusão parcial é que a Coreia do Norte não só conseguiu se separar do resto do mundo, mas também criou uma subclasse internamente isolada, em sua maioria no leste, que foi abandonada à sua sorte e precisa lutar por sua sobrevivência diariamente. O isolamento dessa subclasse reduz a carga do Estado e a probabilidade de que a população se revolte de forma organizada para desafiar o regime.

Fontes:
Economist - Deprive and rule

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1 Opinião

  1. Carlos U. Pozzobon disse:

    E o pior de tudo: não aprendem nada da China, seus aliados mantenedores. Trata-se de um governo congelado no modelo de parasitismo socialista. E o mais curioso é que a própria China não se interesse em “colonizar” a Coréia do Norte. E nem em resgatar sua população. Entre comunistas, vejam só, a China se comporta como tal com seus pares: total ignorância e insensibilidade. Tal como se Mao-Tse-Tung estivesse vivo. Mas o mesmo não acontece com o Vietnam, onde algumas fábricas chinesas estão se instalando. A pergunta conclusiva é: por que a China trata o Ocidente com uma política capitalista e a Coréia do Norte com sua doutrina comunista?

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