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Dependência

Cresce o número de trabalhadores afastados por uso de drogas

Diante de tal realidade, empresas públicas e privadas estão tendo que se adaptar, com prevenção, financiamento ou até mesmo a negligência. Por Fernanda Dias

Cresce o número de trabalhadores afastados por uso de drogas
Perceber dependente de drogas como doente já diminui preconceito (Reprodução/Corbis)

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Um balanço recente divulgado pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) estima que, apenas no primeiro semestre de 2011, mais de 21 mil pessoas se afastaram do trabalho para fazer tratamento contra o uso de substâncias psicoativas como drogas, sedativos e estimulantes. O número é 22% maior do que o registrado no mesmo período do ano passado. Diante de tal realidade, empresas públicas e privadas estão tendo que se adaptar. Algumas chegam a financiar o tratamento de seus funcionários, outras fazem ações de prevenção, e há as que tratam o problema debaixo dos panos, de forma quase sigilosa. Mas em grande parte dos casos, ao sinal dos primeiros sintomas, o empregado acaba demitido.

Segundo o consultor em desenvolvimento gerencial e capacitação de lideranças, Cesar Pinheiro, as reações de compreensão ainda são tímidas diante da intensidade do problema. Ele pondera, entretanto, que não podemos deixar de considerar as dificuldades estruturais das empresas, que vão da falta de recursos financeiros à escassez de profissionais tecnicamente bem qualificados para lidar com a situação.

Pinheiro acredita que perceber o dependente de drogas como doente já foi um passo significativo para diminuir o preconceito, mas ele ressalta que ainda há muito a ser feito. O especialista defende que cabe ao setor de Recursos Humanos identificar e criar ações que viabilizem a ajuda necessária para reintegrar o trabalhador à sua família e ao mundo corporativo. Ele esclarece, no entanto, que primeiramente deverá ser feita uma preparação no ambiente da empresa para que haja uma compreensão e aceitação do novo processo: “O objetivo é que os beneficiados diretamente não sejam vistos como vítimas ou, pior, classificados de uma maneira pejorativa e constrangedora. Só assim será possível encorajar quem sofre com o uso da droga a assumir sua dificuldade e a buscar ajuda. A empresa deve estar aberta a isso para que o trabalhador não seja exposto ao julgamento social”.

O médico Jorge Jaber, especializado em dependência química em Harvard, também acredita que as grandes empresas precisam ter em seus departamentos de serviço médico e social pessoal treinado para essa situação. “Grandes empresas mantêm profissionais de alto nível na área de recursos humanos. Elas devem ter também convênios com clínicas próprias para tratamento de dependência química”.

De acordo com Jaber, que dirige um serviço de tratamento gratuito a usuários de drogas na Câmara Comunitária da Barra da Tijuca e tem uma clínica particular em Vargem Pequena, a grande maioria dos pacientes internados nas unidades privadas é de profissionais na ativa ou de seus filhos.

Segundo o especialista, de forma geral, as empresas são solidárias desde que o funcionário demonstre um sincero desejo de se tratar. “Existem empresas, como bancos e estatais, que são mais organizadas e têm um sistema muito eficaz, inclusive financiando tratamento e oferecendo prevenção e manutenção de abstinência”, ressalta ele.

Jaber ressalta que nem sempre o afastamento do trabalho para a realização de tratamento é a melhor opção. Segundo ele, o recomendável é procurar fazer uso de métodos menos restritivos à liberdade do paciente. “O ideal é tratar em ambulatório. Mas, quando não se consegue manter a abstinência, é necessário o afastamento do profissional para a internação”.

A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) estabelece que o empregado que chega embriagado ou drogado constantemente ao serviço pode ser demitido por justa causa. A Justiça do Trabalho, no entanto, recomenda que o empregador verifique se tal situação não consiste em uma dependência química. Nesse caso, o trabalhador não pode ser demitido, pois a dependência é considerada doença. Ele será afastado para tratamento de saúde e deverá receber da empresa o pagamento dos 15 primeiros dias. Depois, será encaminhamento para o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

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