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Espionagem

Descoberto arquivo do regime militar sobre Pelé

Arquivo estava entre os documentos do Dops encontrados no ano passado. Ao todo, são 45 mil fichas e 11.666 prontuários

Descoberto arquivo do regime militar sobre Pelé
Documento pró-anistia foi mote para investigação de Pelé (Reprodução/Internet)

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Os arquivos do extinto Departamento de Ordem Política e Social (Dops) serão abertos para consulta a partir desta semana. Os documentos, descobertos por acaso em março de 2010, envolvem 45 mil fichas e 11.666 prontuários, que estavam apodrecendo numa sala do Palácio de Polícia em Santos, São Paulo. A polícia política se dedicava tanto ao trabalho de vigiar e perseguir os cidadãos suspeitos que até o “Rei do Futebol”, Pelé, foi alvo das investigações do departamento.

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O arquivo de número 4311 consta o nome do craque de futebol Edson Arantes do Nascimento. O prontuário tem origem em um fato ocorrido em 21 de outubro de 1970. Na ocasião, durante homenagem que recebeu da própria polícia de Santos, um servidor público entregou a Pelé uma cópia do manifesto a favor do perdão para presos políticos. Embora o ato fosse alheio à vontade de Pelé, a polícia achou mais seguro abrir uma pasta com seu nome.

Outros investigados
Outras personalidades investigadas foram o governador Mário Covas, que se opunha ao regime, e o bispo diocesano de Santos, d. David Picão. Por seu discurso em defesa da justiça social e dos direitos humanos, o bispo era constantemente vigiado.

Postas em pé, uma ao lado da outra, as pastas e fichas do arquivo somam 67 metros de comprimento. O material foi transferido para o Arquivo Público do Estado e agora, após higienizado, recuperado e organizado, será colocado à disposição de pesquisadores e pessoas interessadas.

Segundo o historiador Carlos Bacellar, coordenador do Arquivo Público, o arquivo de Santos mostra que a máquina repressora funcionava bem. “Havia uma constante troca de informações entre os órgãos do interior e a central de informações, em São Paulo. O intercâmbio com os órgãos de informação das Forças Armadas também funcionava bem.”

O acervo, de base regional, ajuda a iluminar melhor os porões do regime militar. Apesar disso, Bacellar alerta que, em algum momento, o arquivo passou por uma “limpeza”. Já se constatou a ausência de 160 prontuários. Eles estão mencionados no fichário, mas não foram encontrados. “Não se descarta a hipótese de parte desse material estar em poder de agentes do Estado por descuido. Era comum, durante o trabalho policial, levarem pastas para casa. Vamos procurar mais arquivos nas delegacias do Estado e consultar policiais”, diz. 

Apesar de ter ocorrido a abertura política e a lei de anistia nos anos 1980, policiais continuaram espionando pessoas que consideravam de esquerda. Mesmo o Dops, extinto em 1983, continuou trabalhando na clandestinidade: existem fichas e prontuários no arquivo que datam de 1986 e suspeita-se que tenham prosseguido até 1988.

Fontes:
Estadão - Nem Pelé escapou de espionagem da polícia política

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