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É hora de Mario vestir a toga

Em pouco tempo, o novo primeiro-ministro italiano mudou não apenas a política de seu país, mas também de toda a Europa

É hora de Mario vestir a toga
Esforço de Mario Monti para reerguer a Itália após a crise é comparável ao do general romano Cincinnatus

Tamanha é a reverência para Mario Monti, que alguns o comparam a Lucius Quinctius Cincinnatus, o patrício que voltou da aposentadoria para salvar a Roma antiga. Diz a lenda que Cincinnatus trabalhava em seus campos em 458 a.C., quando foi abordado por mensageiros, que o pediram para vestir sua toga e o informaram que ele havia sido nomeado ditador por seis meses para enfrentar os équos, que haviam aprisionado um exército romano. Tendo derrotado os inimigos, Cincinnatus entregou seus poderes absolutos e voltou para o arado, recusando todos os prêmios e presentes.

Então, quando a Itália esteve à beira do desastre no ano passado, com os mercados de títulos empurrando do país rumo à insolvência, Monti foi convocado de sua existência tranquila como presidente da Universidade Bocconi de Milão, e sábio em assuntos europeus. Nomeado senador vitalício, ele tomou o poder de Silvio Berlusconi em 16 de novembro, nomeou um pequeno gabinete de tecnocratas e, nomeando-se o ministro das Finanças, recusou um salário para seus trabalhos.

Em três meses, ele livrou a Itália da catástrofe. Cortes de gastos, aumentos de impostos e reformas da previdência – além de uma campanha de alto nível contra a fraude fiscal – colocaram as finanças públicas de volta no caminho certo para equilibrar o orçamento do próximo ano e, com sorte, começar a pagar a dívida colossal em seguida. Para ajudar a retomar o crescimento, Monti quer liberalizar profissões fechadas, como farmacêuticos e notários, e simplificar a burocracia. O próximo passo é mais difícil: a reforma do mercado de trabalho da Itália.

A ameaça de falência recuou enquanto os rendimentos dos títulos italianos caíram. Isso tem muito a ver com outro italiano: o presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, que inundou bancos europeus com liquidez. Mas Draghi foi capaz de agir em parte porque Monti tinha restaurado a credibilidade da Itália. Com apenas 100 dias no cargo, Monti tem comandado muitas das reformas que Berlusconi evitou. E o professor manteve o seu apoio dos partidos de esquerda e direita.

Se a competência econômica de Monti era esperada, a sua agilidade diplomática tem sido uma agradável surpresa. A Itália, um membro fundador da União Europeia, voltou a ser o centro de decisão política após a marginalização e a chacota dos anos de Berlusconi. Tendo assinado o pacto fiscal sobre a disciplina orçamental, Monti quer que a UE adote um “compacto econômico” para promover o crescimento, especialmente por meio da liberação do potencial do mercado único. Como um diplomata coloca, Mario Monti procura “mais Europa na Itália, e mais Itália na Europa.”

Monti é um queridinho dos eurocratas, tendo servido dois mandatos como um grande nome da Comissão Europeia. Mas ele é cortejado além de Bruxelas, e foi convidado para conversar com Barack Obama. A chanceler Angela Merkel visitará Roma, em 13 de março. De repente, as políticas da UE tornaram-se fluidas. Para a Alemanha, Mario Monti confirmou a ideia de que a fixação do euro precisa de uma reforma, principalmente em países que passam por dificuldades. Para a França, ele é um aliado em suas exigências de que a Alemanha faça mais. Para o Reino Unido, ele oferece ajuda para se juntar ao grupo após seu isolamento no encontro da UE em dezembro. Para os países menores, ele oferece liberdade de manobra entre os quatro grandes. “É bom ter de volta a Itália”, diz outro diplomata. “A Europa é agora uma cadeira com quatro pernas.”

A nova proeminência italiana não é fruto das habilidades inatas de Monti. A UE foi obrigada a lidar com ninguém menos que Berlusconi, e os líderes estão dispostos a reforçar o poder de Monti. Muito ainda poderia dar errado. Monti ainda tem que mostrar que pode curar o problema mais grave da Itália: a lentidão crônica de seu crescimento. A resistência à austeridade e às reformas pode crescer, especialmente se uma recessão profunda minar o frágil apoio multipartidário de Mario Monti. Seu equilíbrio é delicado: o Reino Unido pode resistir ao seu integracionismo, a França pode se ressentir de seu instinto de liberalização, e até mesmo sua autoridade pode não desviar a Alemanha de sua obsessão auto-destrutiva com austeridade.

Lembre-se de deixar o cargo

Acima de tudo, Mario Monti tem pouco tempo nas mãos. Consertar a Itália poderia levar uma década, mas seu mandato termina no ano que vem. Ele não seria o primeiro tecnocrata italiano a ver o seu trabalho desfeito por políticos irresponsáveis. No entanto, reformas de longo prazo precisam de um mandato democrático claro. Figuras no Partido da Liberdade, de Berlusconi, acreditam que deveriam alistar Monti para liderá-los na eleição de 2013. Isso seria um erro: o seu prestígio depende do não-partidarismo. Tendo atenuado a crise, Mario Monti deve se aposentar.

Isso não quer dizer que o professor não tenha futuro político. Ele seria um bom candidato em 2014 para a presidência da Comissão Europeia ou do Conselho Europeu. E assim como Cincinnatus foi chamado uma segunda vez, para evitar um complô para derrubar a república romana, Mario Monti pode ainda ser convocado para servir como presidente da Itália, nem que seja para afastar qualquer risco de que Berlusconi consiga o cargo.

Fontes:
The Economist - Mario, put on your toga

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11 Opiniões

  1. Elisa disse:

    Pessoas com essa qualidade são raras e indispensáveis. A humanidade agradece. Pena que os criminosos, como Belisconi, nem sejam punidos devidamente pelo que fizeram!

  2. jaime pereira disse:

    o brasil precisa de um homem assim,que elimine,mordomias,de todos os poderes,de exemplo,racional,pragmatico,reduza nosso endividamento,reduza carga tributaria,reduzindo custo brasil,modernize nossa infraestrutura,portos,aeroportos,privatize as empresas publicas onerosas e ineficiente,pes n chao,quantificar numeos de politicos,por casa de poder, 513 deputados e muito,vereadores no maximo, 04 por pequena cidade,e o resto,por cada 50000 habitantes,e assim por diante..administraro brasil,comos nossas espposas adminstram nossas casas,com parcos recursos,

  3. Renato Cesar disse:

    As soluções mais simples, na maioria das vezes, são as mais adequadas. Pena que no Brasil esse tipo de solução é impossível.

  4. olbe disse:

    Uma grande idéia. Ele é o homem certo para ser Presidente d Conselho Europeu ou da Comissão Europeia. Esperamos que agora que os italianos podem comparar o que é ter um Mario Monti e um Berlusconi saberão em quem votar nas próximas eleições…

  5. Alex disse:

    Acredito que Mario monte tem fé e acredita que vai amenizar a crise na Europa, ja é uma grande ajuda, isso acontece quando a pessoa que esta no poder coloca em pratica suas estrategias economica, enquanto aqui no Brasil se fala à anos da reforma tributária mas parece que os governantes que elegemos não tem o interece em fazer essa reforma. Infelismente é a nossa triste realidade hoje temos o poder mas nossos governantes não sabem o que fazer com ele. Exemplo disso é a saúde a educação nas escolas publicas que poderiam estar gerando um futuro mais produtivo para o nosso País é o que não esta acontecendo. Cade a força de Vontade dos nossos governantes? basta quer de verdade que acontece. um caso de perseverança e´o Mario monte….

  6. kão disse:

    Será que, se conseguirmos fazer o Lula vestir novamente… a toga? O gibão? A fantasia? Enfim, se trouxermos o Lula de volta ele consegue acabar com o descalabro, a roubalheira, o inominável e vergonhoso furdunço que se abateu sobre nosso país?
    Aliás, nem sei se ainda é nosso: tem índio vendendo terra prá irlandês, prá japonês, prá holandês, pro comprador da vez…
    E, por falar em furdunço, cadê o artigo “Protógenes: ‘CPI do Cachoeira sai esta semana’? Só tem a manchete, não abre nem por decreto!
    Será que a censura tá pegando no O&N?
    Eita, país…

  7. Carlos Neves disse:

    Mario Monti è membro do Comitê da Trilateral que responde perante a Nova Ordem Mundial, o que que quer dizer, a David Rockefeller!

    Estranhamente Mario Monti foi eleito Primeiro Ministro da Italia sem eleições! O que sucedeu com Roma e com Lucius Quinctius Cincinnatus em 458 a.C., nada tem a ver com o atual regime politico europeu, a democracia, o povo elege quem o deve governar.

    Logo, Mario Monti não possui legitimidade alguma para ocupar o cargo atual!

    Em palavras muito simples: a Italia vive uma ditadura, um esquema politico aberrante sob a canga da Nova Ordem Mundial!

  8. valatemir disse:

    É uma pena que em nosso pais não tem alguem assim.

  9. Ney disse:

    Não se enganem, cada ser Humano vai prestar contas A DEUS CRIADOR, do que fez aqui na terra, principalmente os lideres e autoridades Brasileiras ou Não.

  10. Ana Oliveira disse:

    Pena que criminosos, corrutos como Lula, Sarney e tantos outros não permitem que pessoas dessa qualidade e caráter tenham lugar na administração do país.

  11. Afonso Schroeder disse:

    RETROCESSOS NÃO:
    Nos cidadãos temos a sorte de estar vivendo num País onde se pratica a ampla liberdade democrática,todavia somos sabedores que isto não acontecia antes do ótimo governo Lula, sei isto incomoda uns poucos que desejam retrocessos, mas sem medo de errar a grande maioria da população não quer voltar a estes tempos, artiguelhos escritos de caráter ofensivo, jamais vão imacular Estadistas como Luis Inácio da Silva (Lula) e José Sarney que em muito contribuíram daquilo que estamos desfrutando, oxalá que Deus de entendimento a estes poucos cidadãos que relutam e não querem admitir que o Gigante Brasil esta sendo construído para todos.

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