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The Economist

Eleição presidencial toma rumos inesperados no Brasil

Revista inglesa afirma que Serra é mais preparado e que o país 'tem sorte de ter uma segunda chance'

Eleição presidencial toma rumos inesperados no Brasil
Serra diminuiu vantagem de Dilma no segundo turno

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A revista inglesa The Economist publicou ontem uma análise sobre o segundo turno das eleições no Brasil na qual destaca que o país se beneficiaria de uma alternância no poder.  O texto diz que Serra, embora “mais persuasivo” que a candidata petista, teve sorte de conseguir uma segunda chance num ano em que sua campanha foi pouco empolgante, ainda que seu fraco desempenho inicial possa ter sido prejudicado pela inesperada votação de Marina Silva, do PV, que conseguiu 19,3% dos votos. Na campanha do segundo turno, diz a revista,  líderes religiosos podem ter afastado alguns eleitores da petista, que, no passado, se manifestou a favor do aborto. Dilma ainda é a favorita na disputa, mas Serra agora tem chances reais de reverter o quadro, e a disputa está aberta. O Brasil agora tem uma escolha.

O candidato do PSDB aproveitou o cenário polêmico envolvendo Dilma e o aborto, apresentando-a como uma candidata incoerente de duas caras. Sua mais recente campanha mostra os dois candidatos como matrioshkas (bonecas russas que contém bonecas menores, que por sua vez contém outras bonecas menores e assim sucessivamente). Serra apresenta seu passado como deputado, senador, ministro da saúde, prefeito e governador de São Paulo, a cada boneca que surge na tela. A matrioshka de Dilma aparece vazia.

Dilma tentou rebater, acusando Serra de apoiar as privatizações (algo que para o eleitorado brasileiro é considerado tão ruim quanto o apoio ao aborto), seguindo o modelo que o presidente Lula utilizou em 2006 para derrotar Geraldo Alckmin. Serra devolveu, acusando Dilma de obedecer seus estrategistas de maneira robótica, e dessa vez, a candidata do PT não conseguiu produzir uma resposta à altura.

O gosto da possível vitória animou os aliados de Serra. Durante as campanhas estaduais, poucos candidatos aliaram sua imagem a do ex- governador, com medo de ver suas eleições prejudicadas pela associação com um candidato mais fraco na disputa presidencial. No entanto, o PSDB, partido de Serra, elegeu governadores em São Paulo e Minas Gerias, dois dos maiores estados do país, e os vencedores, Geraldo Alckmin e Antonio Anastasia estão tentando transferir seus votos para Serra. Há ainda o eleitorado que votou em Marina Silva. Apesar de ofertas de ambos os lados, o Partido Verde decidiu se manter neutro na disputa, e pesquisas mostram que Serra deve conquistar a maior parte dos votos de Marina.

A incerteza do segundo turno deu origem a duas visões conflitantes: por um lado, Dilma pode ter ganho de Lula todo o apoio que precisava, e isso pode não ter sido suficiente. Exposta como uma volátil anticristã, ela deve ver seu eleitorado se dissolver, enquanto o PSDB conquista importantes estados da união. Por outro lado, o declínio de Dilma pode ser associado ao momento em que Lula deu um passo atrás para deixá-la brilhar sozinha, e, tendo corrigido seu erro e retornado ao seu lado, seu apoio deve voltar a crescer.

Cenário se tornou favorável a Serra

Para muitos, diz a revista, o fato de Dilma não ter conseguido a vitória no primeiro turno é um bom sinal, já que ela não merecia vencer somente por ser a sucessora escolhida por Lula. Ambos os candidatos podem ser descritos como social-democratas, e concordam nas questões principais a respeito das políticas econômicas e sociais. Nos pontos em que discordam, Serra tem se mostrado “mais persuasivo” que sua adversária.

Dilma e o PT querem um papel maior do Estado na economia, especialmente na indústria do petróleo, e nos incentivos governamentais aos grandes negócios. Em troca, querem mais influência nas decisões dos conselhos das empresas. É difícil imaginar que o crescimento inexorável do funcionalismo público – abarrotado de nomes indicados pelo partido –, ou a carga tributária que o sustenta, sejam interrompidos.

Serra tem seus defeitos, em especial uma tendência a microgerenciar tudo a seu redor. Mas seu histórico mostra que ele se apressaria em acabar com os desperdícios nos gastos públicos e eliminar o déficit fiscal, e que ele estaria mais disposto a mobilizar o capital privado para as tão necessárias reformas na infraestrutura. A política monetária não teria que carregar todo o fardo de manter a inflação sob controle, permitindo que as altíssimas taxas de juros do país caíssem (o que ajudaria a frear a apreciação excessiva do real). Dilma enfrentaria essas questões mais gradualmente, ou talvez nem viesse a enfrentá-las. Num mundo incerto, essa é uma opção desnecessariamente arriscada. Mesmo com todos os seus esforços para combater a pobreza, Lula está deixando para trás um país onde 50% das casas não têm saneamento básico e no qual os padrões de educação continuam preocupantes.  Essas devem ser prioridades dos gastos públicos.

Momento é oportuno para mudança no poder

Existem outras duas razões pelas quais o Brasil deveria escolher Serra. A primeira delas é a de que Dilma não é Lula, e não tem seus dons políticos ou seu pragmatismo.  Já Serra, embora tenha tido uma campanha desastrosa, já se mostrou um ministro, prefeito e governador eficaz. A segunda razão é o fato de que, embora nenhum partido brasileiro tenha o monopólio quando o assunto é corrupção, o PT tem se mostrado muito confortável com o poder. Depois de oito anos de Lula no poder, o Brasil se beneficiaria de uma mudança na presidência.
Mesmo com Serra se mostrando persuasivo, reverter 14 pontos em um mês é uma manobra equivalente a um “cavalo-de-pau” com um caminhão de dez toneladas. Se ele será capaz de tal façanha, somente os votos do dia 31 de outubro poderão dizer.

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Fontes:
The Economist - "Better late than never?"
The Economist - "Second round, second thoughts?"

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13 Opiniões

  1. laercio joao pereira disse:

    a midia esta tentando desmentir o que e de fato a pesquisa ois manipulan para nao ver que dilma nao tem nada a mais do primeiro turno e serra sobe . colocaram ela com os dois pontos para cima e ele para baixo . porque nao colocam ao contrario. pois o eleitor deveria escolher por conta propia e nao por pesquisas de quem esta na frente. se as pesquisas sao tao importante porque nao mostram so por regiao , pois o pt so tem votos de quem nao sabe o que esta acontecendo pois pessoas que acompanham a politica ja decidiram .mas os maria vao com as outras acabam escolhendo errado e nao por ser melhor ou pior.

  2. Markut disse:

    A revista Economist simplesmente assinala o óbvio:
    -Que o Serra é o menos pior para os interesses da nação.
    -Que é fundamental a alternância do poder.
    Lembrar que “todo poder corrompe, mas o poder absoluto corrompe muito mais”.
    Lamentavelmente, o povão não lê o “Economist”.
    Torçamos para que a luz do bom senso nos ilumine.

  3. vera disse:

    O The Economist assinala o óbvio, o que é mais importante pra nação deles. Se o Brasil privatizar o que é nosso seus grupos financeiros podem abocanhar boa parte das nossas riquezas.

  4. Peter Pablo Delfim disse:

    O The Economist mete sua colher de pau na vidraça eleitoral do vizinho esquecendo que está quase sem telhado por conta das políticas econômicas do EE.UU.AA. em função da grave crise financeira que enfrenta. O País do “The Economist” vive agarrado as calças e cuecas do dos Estados Unidos da América do qual procura desesperadamente tirar qualquer tipo de vantagem para financiar as “escoras” dos seus narizes empinados. Faz muito que o Brasil deixou de trilhar a cartilha desses falidos, arrogantes e oportunistas. O tragico é que eles não apresentam sugestões para sairem do buraco em que se encontram.

  5. Alessandro disse:

    Mas olhe só que engraçado: esse jornal publicou isso pouco depois que FHC se reuniu num hotel em Foz do Iguaçu com investidores internacionais, prometendo privatizações vantajosas caso Serra seja eleito… Será coincidência, ou será que toda mídia tem seu preço?

  6. CARMO ALVES disse:

    Eu não acredito que o Serra e o mas preparado que Lula e Dilma, nos vimos o que ele fez em todos os cargos que passou, para a população probre ele, PSDB e DEM nada fizeram a DILMA como ministra fez muito mas o Lula que não foi nada, não governou nada não tinha experiencia fez muito para esse PAIS.

  7. Francisco J.B.Sá disse:

    Houve outra situação que o “The Economist” não colocou:A saude de Dilma!Um câncer que pode ser fatal,pois a maioria das convalescências deste tipo de cãncer linfático – são mortais!
    Se Dilma vercer a Eleição e vier a falecer,em um sistema presidencialista – a Instituição da Presidência da República vai para o controle de Michel Tamer e Sarnei.Ambos fisiologistas e comprometidos com o burocratismo,com a política “toma-lá dá-ca”!Um retrocesso para o país!
    Entretanto,a maior parte das colocações do “The Economist” em termos políticos favorece a Serra e se explica – Será um Governo mais a favor de linhas econômicas que favorecem ao capital estrangeiro!
    Não temos candidatos bons,do ponto de vista do que o país mereceria,mas em uma coisa eles tem razão – O sistema Democrático favorece ao rodízio!Mas,isto só as urnas poderão dizer!
    Como o próprio “The Economist” concorda.
    Francisco J.B.Sá
    Pesquisador em Antropologia

  8. iria Barradas disse:

    Interessante! Quando o jornal fala bem do governo LULA e dos índices de crescimento no Brasil, etc. etc. é matéria paga mas, quando muda de rumo sem a menor razão aparente está certo?????????
    O que será que o FHC ofereceu desta vez???

  9. suzana de oliveira disse:

    Por acaso este site é bancado pela imprensa paga do Brasil???
    Profile
    Power Women: October 2010
    Rousseff is favored to win the Oct. 31 runoff election against rival Jose Serra to become president of Brazil, making her the first female head of government in the country’s history. She was handpicked as the candidate for the Workers’ Party by popular president Luiz Inacio Lula da Silva, who previously appointed her minister of energy and chief of staff. A former Marxist guerrilla fighter and nicknamed by some, the “Joan of Arc of subversion,” Rousseff joined the underground resistance against the Brazilian dictatorship in the late 1960s and was imprisoned in the 1970s for almost three years. more »

  10. suzana de oliveira disse:

    Dilma Rousseff’s Bid For Brazil Presidency Goes To Runoff
    Dilma Rousseff hoped to become the first female president of Brazil in yesterday’s presidential election there. However, with 46.8% of the vote, she just missed the necessary 50% to win outright. She will face rival Jose Serra, who secured 32.6% at the polls, in a runoff election on Oct. 31. Handpicked by popular president Luiz Inacio Lula da Silva, who previously appointed her as Minister of Energy and then Chief of Staff, Rousseff should easily win the runoff. Her presidency would make her […] more

    07/10/2010 – 18h23
    Em ranking da Forbes, Dilma é eleita 95ª mulher mais poderosa do mundo

    SÃO PAULO – A candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, foi eleita pela revista americana “Forbes” como a 95ª mulher mais poderosa do mundo.
    A revista descreve Dilma como a favorita para vencer o segundo turno das eleições presidenciais e lembra que, se eleita, a petista será a primeira mulher a governar o país.
    Segundo a revista, ao optar por Dilma para sucedê-lo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez uma escolha criteriosa. A Forbes também ressaltou que a petista lutou contra a ditadura militar e, por isso, ficou presa por três anos.
    Dilma, entretanto, não é a primeira brasileira na lista. Antes dela, na 72ª posição, está a top model Gisele Bündchen. O primeiro lugar ficou a primeira-dama americana, Michelle Obama.
    A revista diz em editorial que a lista é composta pelas mulheres que mais influenciam as pessoas na atualidade com seu poder e criatividade.

  11. Roberto Santiago disse:

    Como foi escrito na matéria: “Dilma e o PT querem um papel maior do Estado na economia, especialmente na indústria do petróleo, e nos incentivos governamentais aos grandes negócios.”. Sim! É evidente, basta escrever no google em português: “gemini + petróleo”…. sem as aspas, claro, e todos poderão ver a veracidade da afirmativa. Por isso, a Dilma “torce” para que o Serra se esqueça da palavra “GEMINI”.

  12. LUIZA disse:

    Pessoal
    falando em privatizações, alguém que aqui escreve sabe a realidade das privações no Brasil?
    Eu digo sim às privatizações, pois o povo brasileiro não pode sofrer com mais encargos e roubalheiras do PT.
    Além do mais, “Pega na mentira” e que o Lula receba a primeira pedra se não for a favor das privatizações.
    Todos nós, que não somos cegos, vimos a melhoria da telefonia no Brasil, companhias privatizadas pelo FHC.
    Para que ter estatal?
    Para que o Lula e seus comparsas possam enfiar as mãos e ninguém falar nada???

  13. Jimmy Rodriguez disse:

    “Serra estaria mais disposto a mobilizar o capital privado para as tão necessárias reformas na infraestrutura”.

    Também estaria mais disposto a superfaturar, como no caso do Rodoanel.

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