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Política

Eleições: expectativas para o segundo turno

A queda-de-braço entre os candidatos Geraldo Alckmin (PSDB) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vai ser dura no segundo turno e deve impor altos e baixos para ambos. O day after da eleição foi de arrumação das alianças e alguns tropeços, mas a semana terminou com certo equilíbrio de forças. Alckmin saiu na frente ao impor uma derrota moral ao presidente Lula e conquistar uma votação espetacular no domingo. Mas causou polêmica e até um racha de seus aliados Cesar Maia (PFL) e Denise Frossard (PPS) com a adesão do ex-governador Anthony Garotinho (PMDB) à sua candidatura.

Alckmin pisou na bola, mas parece que está revertendo a situação, opina o cientista político David Fleischer, professor da Universidade de Brasília, ao comentar a decisão da candidata ao governo do Rio, Denise Frossard, de rever a decisão.

A deputada Denise Frossard, que apoiou Alckmin no primeiro turno, chegou a dizer que votaria nulo no próximo dia 29, mas nesta quinta voltou a recomendar o voto no candidato do PSDB à Presidência da República.

O presidente Lula, embora tenha ficado na frente no primeiro turno, também correu atrás do prejuízo. Depois de quatro anos em que deu raras entrevistas e de ter se recusado a participar dos debates no primeiro turno, o petista tratou de falar à imprensa logo na segunda-feira e prometeu discutir suas propostas e idéias. No próximo embate entre os candidatos, domingo, a cadeira dele não ficará vazia. O salto de Lula quebrou, mas a saia ainda está justa, comenta Fleischer.

A semana também foi de construção de alianças para Lula, que ganhou a adesão do candidato do PMDB ao governo do Rio, Sergio Cabral e, nesta quinta, recebeu o apoio do candidato derrotado ao governo do estado, Marcelo Crivella (PRB). Enquanto os candidatos buscam articulações para ganhar forças, os analistas aguardam os resultados das primeiras pesquisas de intenção de voto para o segundo turno.

O início da veiculação dos programas de TV também foi adiado para o dia 11, quando será possível confirmar ou não se a guerra em busca dos votos será sangrenta. O cientista político Ricardo Ismael, da PUC-Rio, acha que o embate será de bom nível entre os candidatos, mas que nos bastidores haverá pancadaria. As declarações do ex-ministro de Lula e governador recém-eleito do Ceará, Ciro Gomes, de que o escândalo da compra do dossiê contra o tucano José Serra — eleito governador de São Paulo em primeiro tunro — teria sido armação do PSDB indica, segundo Ismael, que ele deverá ser um dos capitães da tropa de choque de Lula.

Marly Motta, historiadora do Centro de Pesquisa e Documentação (CPDOC) da Fundação Getúlio Vargas, também acredita que o embate será pesado. Mas o cientista político Marcelo Coutinho, do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj), diz que, se depender de Alckmin ou de Lula, isso não deve acontecer. O perfil deles tende a ser amortecedor da pressão da militância pelo combate violento.

As próximas duas semanas prometem.

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3 Opiniões

  1. Marcelo de Matos Guerra disse:

    Não é fácil fazer alianças políticas. Lula não tem tido problemas em aceitar apoios heterodoxos: Roseana Sarney, do PFL, no Maranhão; Fernando Collor, do PRTB, em Pernambuco. Já Alckmin tem passado por algumas saias justas: César Maia e Denise Frossard foram contra o apoio do casal Garotinho; Jutahy Magalhães Júnior, do PSDB baiano, pediu que Alckmin, caso eleito, garanta apoio ao petista Jaques Wagner. É claro que César, Denise e Jutahy não quiseram causar nenhum constrangimento…

  2. Profa.Dra.Maria Regina Netto disse:

    O povo brasileiro está maduro, consciente, informado, frustrado com mentiras e corrupção, é a ex-mulher traída que vai se vingar do marido …
    Segundo turno, vingança.

  3. Fernando Pompéia disse:

    O vôo 1907 da Gol é o símbolo do PT, caindo de bico após ser atropelado pelo tucano Legacy, digo Alckmin!

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