Início » Economia » Internacional » Estados pós-soviéticos da Ásia Central temem efeito dominó
Crise na Ucrânia

Estados pós-soviéticos da Ásia Central temem efeito dominó

O que aconteceu na Ucrânia salienta a fragilidade dos governantes da Ásia Central – e eles sabem disso

Estados pós-soviéticos da Ásia Central temem efeito dominó
A mídia das ex-repúblicas soviéticas praticamente não cobriu os inúmeros conflitos na Ucrânia (Reprodução/Internet)

Prezados leitores, o Opinião e Notícia encerrará suas atividades em 31/12/2019.
Agradecemos a todos pela audiência durante os quinze anos de atuação do site.

Corrupção corrosiva, tribunais submissos, pobreza batendo às portas dos palácios presidenciais: os paralelos entre os regimes autocratas da Ásia Central e o do ex-presidente ucraniano Viktor Yanukovich são perturbadoramente claros. Não é a toa que os eventos desencadeados pela crise ucraniana devem estar atormentando alguns dos poderosos líderes da Ásia Central.

Primeiro, o sucesso dos protestos antigoverno em Kiev, capital da Ucrânia, que derrubaram Yanukovich, podem servir de inspiração para revoluções na Ásia Central. Segundo, os governantes se deram conta de que a resposta do presidente russo, Vladimir Putin, de abraçar a Crimeia pode servir de modelo para futuras invasões russas. Todos os cinco estados pós-soviéticos da Ásia Central têm as suas próprias populações de grupos étnicos russos. Essas minorias há muito se sentem mais marginalizadas que aquelas que agora gozam da “proteção” de Putin na Crimeia.

A Rússia também tem uma importante presença militar na Ásia Central. O Cazaquistão abriga o Cosmódromo de Baikonur e várias instalações militares russas. O Quirguistão tem uma base aérea russa. E o Tadjiquistão serve de base para cerca de 7 mil soldados russos – a maior força terrestre do país fora da Rússia.

Em público, a maioria dos governantes da Ásia Central não falou quase nada sobre o que aconteceu na Ucrânia. O desempenho deles exige e mantém um equilíbrio delicado. Eles não querem nem encorajar o separatismo em seus países nem alienar a Rússia, graças à sua enorme influência econômica. Como disse um analista político do Tadjiquistão, Parviz Mullojanov,é perigoso promover o separatismo nos países da Ásia Central porque “eles sabem que podem ser os próximos”. Dias após tropas russas terem ocupado a Crimeia, o Uzbequistão expressou preocupações sobre a “soberania e integridade territorial” da Ucrânia. O Cazaquistão afirmou vagamente estar “profundamente preocupado” com as “consequências imprevisíveis”. O Tadjiquistão pediu uma “avaliação objetiva”. O Quirguistão desafiou a hierarquia em 11 de março, condenando “atos voltados para a desestabilização da Ucrânia”, mas não mencionou a Rússia nominalmente. Com efeito, a mídia desses países praticamente não cobriu a crise.

No entanto, para grande consternação das autoridades, a Rússia está criando uma legislação para afrouxar os critérios necessários para o pedido de cidadania de falantes da língua russa em qualquer lugar na ex-União Soviética. Tais leis os tornariam explicitamente detentores de direitos de proteção extraterritorial. A vontade de Putin, a qual a tomada da Crimeia representa apenas uma nota de rodapé, é criar um bloco que rivalize com a União Europeia. Sua União Econômica Euroasiática, da qual já fazem parte Rússia, Cazaquistão e Bielorrússia, pretende ser um grupo de ex-repúblicas soviéticas autoritárias que rejeitam o liberalismo ocidental.

 

 

 

 

Fontes:
The Economist - Russian Roulette

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião deste site

1 Opinião

  1. Roberto1776 disse:

    Corrupção corrosiva, tribunais submissos, pobreza batendo às portas dos palácios presidenciais.
    Este artigo era, originalmente, para ser sobre o Brasil?

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *