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Crise e migração

Estrangeiros chegam em busca do ‘sonho brasileiro’

São principalmente portugueses, espanhóis, norte-americanos e trabalhadores dos países da América do Sul mudando de direção na hora de emigrar. Por Hugo Souza

Estrangeiros chegam em busca do ‘sonho brasileiro’
Brasil registra aumento de estrangeiros oriundos de nações encrencadas (Reprodução/Internet)

Falta de crédito para financiar grandes projetos; fábricas fechando dia sim, outro também; trabalhadores da noite para o dia engrossando as fileiras de desempregados; uma septuagenária nota AAA caindo do pedestal; e bolsas de valores perdendo em um único pregão os ganhos acumulados de sete meses por medo de uma nova recessão. É a crise que se manifesta mundo afora nas formas de crise imobiliária, crise de crédito, crise da dívida pública e outras ramificações da grande crise econômica que, afinal, não ficou para trás com os pacotes de socorro bilionários a bancos, seguradoras e fabricantes de carros, nem tampouco ficará com o acordo tapa-buraco — ou melhor, aumenta-teto — que, por ora, evitou o calote dos calotes.

No Brasil, a grande crise econômica ora faz marolas, ora chega como ressaca, como o tombo de 8,08% da Bovespa no pregão desta segunda-feira, 8. Mas um outro efeito da crise começa a se fazer sentir por aqui: o aumento do número de estrangeiros oriundos de nações economicamente encrencadas vindo procurar emprego no país do pré-sal, da Copa de 2014 e das Olimpíadas de 2016. Seria a hora e a vez do “sonho brasileiro”?

Qualificação é a regra

Números do Ministério do Trabalho mostram que só no primeiro semestre deste ano 26,5 mil profissionais de outros países conseguiram autorização para trabalhar no Brasil, o que representa um aumento de 19,4% na comparação com o mesmo período de 2010. São principalmente portugueses, espanhóis, norte-americanos e trabalhadores dos países da América do Sul — estes últimos mudando de direção na hora em que decidem sair de seus países de origem rumo a uma nação onde vislumbram melhores oportunidades.

Uma reportagem publicada neste fim de semana no portal G1 mostrou que a crise portuguesa e seus reflexos no mercado imobiliário do além mar, por um lado, e o boom da construção civil no Brasil, por outro, formaram uma equação cujo resultado é o aumento da procura de trabalho na ex-colônia tropical por parte de trabalhadores portugueses — não operários,  mas sim engenheiros.

Ainda que faltem estatísticas detalhadas, tudo indica que esta também é a tendência em outros ramos profissionais. Segundo informações do Ministério das Relações Exteriores, nos últimos seis meses aumentou o número de portugueses vindo para o Brasil e de brasileiros voltando de Portugal, tradicional destino de quem sai daqui em busca de melhor sorte no exterior. O  Itamaraty diz que a característica dos profissionais estrangeiros é a alta qualificação.

Atraindo cérebros

Além da construção civil, os estrangeiros que estão chegando para trabalhar no Brasil ocupam vagas em áreas como infraestrutura e tecnologia, portos, petróleo e gás e tecnologia da informação, de acordo com o Ministério do Trabalho.

Os estrangeiros ajudam até a manter alguns ramos da economia aquecidos. É o caso do mercado imobiliário. Uma reportagem recente do portal Exame mostrou que eles pagam aluguéis de apartamentos no valor mensal de R$ 3 mil a R$ 4 mil e chegam dispostos a desembolsar até R$ 1 milhão para comprar uma casa própria.

O governo brasileiro parece ter percebido a peculiaridade do momento e já anunciou até reserva de vagas no setor público para profissionais de outros países. Parte das vagas de um concurso público para cientistas que será realizado ainda este ano será destinada a estrangeiros. O ministro da Ciência e Tecnologia, Aloisio Mercadante, justificou a ideia: “tivemos uma diáspora de cérebros no passado e agora queremos atrair”.

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8 Opiniões

  1. dudu disse:

    INFELIZMENTE SOMOS UMA REPUBLICA BANANA EH EH ISSO AI !SEMPRE FOMOS E SEMPRE SEREMOS.

  2. Markut disse:

    Este fluxo e refluxo de ondas migratórias é inevitavel.
    O drama é que , neste caso, elas irão ocupar o lugar que deveria pertencer àquele brasileiro que foi e está ainda sendo mantido na ignorância premeditada, incapaz de competir com o estrangeiro,mais bem escolarizado e apto a suprir as demandas de capacitação que o desenvolvimento exige.

  3. Helo disse:

    O sonho americano aconteceu para muitos há anos atrás. Como o sonho brasileiro depende cada vez mais de Brasília, as dificuldades a sua volta serão infinitas.

  4. João Jarnaldo de Araújo disse:

    Prestemos pois a devida atenção, aos acontecimentos sincrônicos, para depois não ficarmos reclamando de sermos colônia dos Estados Unidos.

    Uma coisa seria lançarmos atrativos, no sentido de sermos a bola da vez, e vendermos com decência e dignidade, nossos produtos, como forma de galgarmos o topo da pirâmide, por uma condiçao de merecimento.

    Em PNL – Programação Neuro Linguística, gostamos de dizer que SORTE é quando a COMPETÊNCIA, encontra com a ESPERIÊNCIA, em um momento muito privilegiado.

    Então, somos um país de sorte, só que queremos que essa SORTE, implante-se, fazendo ventilar a nossa bandeira da côr VERDE+AZUL+AMARELO+BRANCO e bem vindo sejam aquêles, que venham até aqui respeitando e declinando-se humildemente à essa combinação de côres.

    E é pelo amor às nossas riquezas naturais, que são tantas, e é pelo BRANCO, que simboliza a PAZ, desse nosso bom povo brasileiro, É QUE FICAMOS GRITANDO TODO DIA: acordem e progresso!!!

  5. Peter Pablo Delfim disse:

    Finalmente a mídia revela e confirma o que já se sabia; o brasileiro foi o mais barrado em todos os países desenvolvidos e em desenvolvimento sem que nossas autoridades tomassem mínimas providências. Enrolaram e mentiram a nós como se imbecis fossemos. Agóra abrem as fronteiras para esses mesmos estrangeiros que nos regeitaram e humilharam para tomarem nossos já minguados postos de trabalho e outras regalias. Por aqui basta ter “sotaque” e um sobrenome estrangeiro para serem considerados superiores em todos os sentido aos nativos aqui da terra os brasileiros. Estamos lotados e obrigados a engolir esses parvos. Uma vergonha. E é assim, dizem, que pretendem arrumar as coisas por aqui. Falta muito!

  6. ariani disse:

    Dizem que tem emprego!!! Agora até concurso tem vaga especial!!!! Acho que vai chegar a hora de voltarmos ao ano de 1789 e criarmos uma revolução…

  7. andre disse:

    Era só o que faltava!!!

  8. João Cirino Gomes disse:

    Estranho é o brasileiro ser enxotado da maioria dos países e o Brasil abrir os braços a todas as nações!
    Isso só comprova o quanto somos solidários, e idiotas!
    Nesta terra abençoada, bandidos recebem cidadania, e se bobear são indenizados e ganham aposentadoria por terem ficado presos!

    Mas o aposentado nativo que trabalhou a vidada toda para o progresso e a sustentação das mordomias dos bandidos do colarinho branco, continuam sendo roubados descaradamente em seus direitos; alguns sem dinheiro até para comprar seus remédios!
    Enquanto isso, boa parte do povo sobrevive de ilusões, lorotas e promessas, presos em currais eleitorais!

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