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EUA atrasam emissão de vistos para cidadãos do Iraque

Uma promessa de ajudar iraquianos que colaboraram com forças norte-americanas no Iraque permanece apenas uma promessa

EUA atrasam emissão de vistos para cidadãos do Iraque
Crianças iraquianas acompanham um soldado norte-americano em missão (Reprodução/Internet)

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“Nós arriscamos nossas vidas por eles”, diz um homem iraquiano em Bagdá que até recentemente era empregado por um agência do governo norte-americano. Ele e seu irmão, um tradutor para o Exército dos EUA, receberam ameaças de morte de insurgentes, como também receberam muitos dos milhares de iraquianos que ajudaram soldados, empresas e oficiais norte-americanos desde a invasão de 2003. A eles foi prometido abrigo nos Estados Unidos após o fim da guerra, de acordo com o Refugee Crisis in Iraq Act de 2008.

O senador republicano Ted Kennedy disse à época, “os Estados Unidos têm uma obrigação fundamental de amparar iraquianos cujas vidas estejam correndo perigo”. Mas um programa especial de vistos foi estancado. Menos de um quarto das permissões expressas para ex-funcionários foram emitidas. A maioria destas está empacada num processo burocrático enlouquecedor. Aqueles que auxiliam os iraquianos culpam a falta de recursos e uma interpretação muito ao pé da letra da lei pelo Departamente de Estado.

O fato de dois iraquianos no Kentucky terem sido condenados por apoiar extremistas no início do ano também não ajudou.  A senadora Susan Collins, cuja influência no Comitê de Defesa Civil do Senado é considerável, disse ser chocante que a entrada de tais imigrantes no país tenha sido permitida em bases humanitárias.

As autoridades da imigração logo começaram a reavaliar todos os refugiados iraquianos nos Estados Unidos, sabidamente comparando impressões digitais e outros registros com documentos militares e dos serviços secretos armazenados em arquivos empoeirados. Cerca de mil cidadãos iraquianos prestes a imigrar receberam a notícia de que não seria permitido a eles embarcar em voos já reservados. Alguns foram retirados de dentro de aviões na pista de decolagem. Milhares de iraquianos que pretendiam imigrar tiveram de reiniciar o processo burocrático, uma vez que suas permissões expiraram quando da suspensão do programa. Homens agora devem passar por cinco checagens diferentes, mulheres por quatro, e crianças por três.

É provável que o programa de vistos norte-americanos erga novos obstáculos à medida que o Pentágono desative suas últimas bases militares no Iraque. “A realidade é que não há pontos políticos a serem ganhos do Iraque”, afirma Kirk Johnson, do List Project, que milita a favor dos iraquianos. “E ninguém ganha uma eleição por trazer refugiados para o país durante uma recessão.”

Fontes:
Economist - Lost in translation

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