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Política Nuclear do Irã

EUA e Irã: só um jogo?

Editor da revista 'Economist' comenta o recente acordo no qual o Irã se propôs a parar com seu programa nuclear

EUA e Irã: só um jogo?
Rohani é exaltado pelo acordo, mas ainda há dúvidas sobre a veracidade das intenções do Irã (Reprodução/Internet)

Irã e Estados Unidos podem ter finalmente começado a se entender neste domingo, 24. Os dois países estavam entre os sete que assinaram um acordo, inicialmente de seis meses, no qual o Irã receberá US$ 7 bilhões com o alívio de sanções, em troca da paralisação do seu programa de enriquecimento de urânio acima de 5% (o nível consistente com a produção de combustível para fins civis). Enquanto John Kerry, secretário de Estado dos EUA, insiste que o acordo significa que israelenses podem dormir mais tranquilamente, o premier de Israel, Benjamin Netanyahu, discorda.

Leia mais: Irã e potências mundiais chegam a um acordo sobre armas nucleares

Segundo o editor internacional da Economist, Edward Carr,  “Bem sucedida ou não, a iniciativa do Irã parece que decidirá como definir a história da política externa de Barack Obama”. Ele também acredita que o acordo “vai moldar o futuro de todo o Oriente Médio”.

O governo iraniano tinha necessidade de chegar a um entendimento, já que as sanções aleijaram a economia do país.  “As vendas de petróleo, que antes compunham 80% das receitas do país, caíram pela metade desde 2011. Reservas cambiais estão diminuindo e até mesmo medidas oficiais colocam a inflação anual em quase 40%”, escreve Carr.

O progresso, porém, depende da superação de várias situações. “Se os iranianos mostram os primeiros sinais de boa-fé, Hassan Rohani deve rapidamente ser recompensado. Mas não se pode esperar que Obama consiga convencer o Congresso a relaxar as sanções logo no início. De fato, o Congresso, ávido para privar Obama de glória e sensível aos temores do premier israelense, pode se tornar um empecilho”.

A esperança não está perdida, no entanto. Mesmo um freio limitado sobre o programa nuclear do Irã faz o acordo ser considerado um sucesso. “No melhor dos mundos,  isso pode significar uma aproximação histórica entre EUA e Irã. Em alguns aspectos eles são aliados naturais, se apenas o Irã pudesse se esquecer do seu visceral antiamericanismo. O mais provável, porém, é que qualquer acordo se prove  menos conclusivo do que parece. Com algumas sanções derrubadas e uma ameaça distante de ação militar, o Irã poderá retomar seus jogos novamente, e Obama só teria contido a ameaça iraniana, não erradicado-a ”

 

 

Fontes:
The Economist-Soft ball?

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