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Ilha de Okinawa

EUA manipularam números sobre soldados no Japão

Informação consta em documentos secretos revelados pelo WikiLeaks

EUA manipularam números sobre soldados no Japão
Vista aérea da base norte-americana de Futenma, na ilha de Okinawa (Fonte: Reuters)

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Há exatamente um ano EUA e Japão chegaram a um acordo para fechar a base aérea norte-americana de Futenma, na ilha de Okinawa, território japonês, para a construção de uma nova base, em uma área menos povoada da ilha. Cinco dias depois o então primeiro-ministro do Japão, Yukio Hatoyama, renunciou ao cargo, em parte porque não cumpriu sua promessa de remover por completo a presença militar dos EUA em Okinawa.

De lá para cá, nada mudou. A base de Futenma continua funcionando, para frustração da população de Okinawa. No acordo de um ano atrás, Washington e Tóquio também concordaram em realocar milhares de “marines” de Okinawa no território insular norte-americano de Guam, ao sul do Japão. Agora, documentos secretos revelados pelo WikiLeaks mostram que os EUA inflaram o número de militares e de seus dependentes presentes em Okinawa.

‘Irreal, impraticável e inviável’

Os documentos revelados pelo WikiLeaks mostram que o número de soldados norte-americanos em Okinawa foi deliberadamente inflado para cerca de 8 mil, e o número de dependentes foi estimado em 9 mil, enquanto autoridades da ilha japonesa dizem que o número real de “marines” em Okinawa não passa de 3 mil.

Nos EUA, uma das vozes contrárias à remoção das forças norte-americanas de Okinawa é John McCain. Para ele, a desativação da base de Futenma é “irreal, impraticável e inviável”. Em Washington, há quem gostaria mesmo é de aumentar a presença dos EUA em Okinawa para fazer frente à crescente influência da China e à ameaça representada pela Coreia do Norte. O fato é que ninguém acredita que o prazo para a desativação de Futenma, em 2014, será cumprido.

Fontes:
Economist - American forces in Japan: Another lost year

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1 Opinião

  1. João Bosco Maria Duarte disse:

    Acho um absurdo que ainda hoje, passados mais de 60 anos da II Guerra Mundial, quando os americanos, depois de um terrível genocídio por eles infligido ao povo do Japão, com a explosão de duas bombas atômicas no seu solo, e ocuparam o seu território, não existe nenhuma iniciativa, por parte daquele país, para acabar de vez com essa presença militar, que, como em qualquer outro país ocupado pelos ianques, só é importante para os interesses imperialistas dos Estados Unidos, como se conclui com o que afirmou o ultraconservador e ex-candidato à presidência John MCain, na reportagem acima. Falar em ameaça da Coreia do Norte ou da China ao território americano é chegar ao cúmulo do ridículo, nem mesmo ao território japonês, que fica bem mais próximo. Este suposto ataque, é que seria, sim, irreal, impraticável e inviável, além de ridículo. Isso é desculpa dos americanos para continuarem sendo, no seu entender, donos absolutos do mundo. Só que eles se esqueceram que sua economia, combalida e com tantos problemas quase insuperáveis, como o endividamento incontrolável, o enorme deficit comercial com o resto do mundo e a pequena taxa de crescimento, não poderá garantir por muito tempo este status de todo-poderoso, que faz o que bem entende para seu próprio e único benefício, desrespeitanto a soberania de qualquer país que lhe venha desafiar a sua força econômica ou militar, sob falso pretexto de defender a democracia e os direitos humamos, à revelia de qualquer organização internacional, como é conhecimento de todos. O Japão bem deveria aproveitar essa discussão e promover um plebiscito para saber a opinião dos seus cidadãos a respeito da permanência das base americanas em seu território. E penso que o espírito nacionalista de um povo humilhado há longas décadas resolverá de vez essa questão para sempre.

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