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DELAÇÃO DA ODEBRECHT

Governo Temer atravessa seu momento mais crítico

Com Michel Temer e seus principais ministros citados em delação da Odebrecht, governo luta para manter o apoio de seu principal aliado, o PSDB

Governo Temer atravessa seu momento mais crítico
PSDB cogita a ideia de uma debandada do governo (Foto: Beto Barata/PR)

O governo do presidente Michel Temer vive seu momento mais crítico. Temer tenta minimizar o impacto causado pelo vazamento da delação premiada do ex-vice-presidente de Relações Institucionais da Odebrecht Cláudio Melo Filho, na qual Temer foi citado 43 vezes, o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, 45 vezes, e o secretário de Parceria e Investimentos do governo, Moreira Franco, 35. Eles são acusados de operacionalizar pagamentos de caixa dois da Odebrecht para a campanha do PMDB em 2014.

Na última segunda-feira, 12, Temer pediu celeridade nas investigações envolvendo seu governo e união para retirar o país da crise. “Se houver delitos, malfeitos, que venham todos à luz de uma única vez, porque o Brasil precisa resolver isso imediatamente. Não pode aquietar-se em face disso ou daquilo que é mal conduzido, mas também não pode paralisar suas atividades”, disse o presidente, em um evento no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo de São Paulo, onde recebeu o prêmio Líder do Brasil, concedido pelo Lide, grupo empresarial do prefeito de SP, João Doria (PSDB).

Mais cedo, o presidente enviou uma carta para o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, criticando o vazamento de trechos de delações que ainda não foram homologadas e pedindo que o caso seja apurado.

O envolvimento do alto escalão de Temer no esquema apurado pela Operação Lava Jato fez oscilar a aliança do governo com o PSDB, que já cogita a ideia de uma debandada do governo. Parlamentares tucanos ouvidos em condição de anonimato pelo jornal Estado de S. Paulo disseram que seria mais cômodo “abandonar o barco” ou adotar a posição de “franco atirador”, ou seja, partir para uma dura ofensiva contra o governo Temer.

No entanto a ideia é descartada, pois, segundo as fontes tucanas, o partido apoiou o impeachment, mantendo o compromisso de participar do governo de transição até as eleições presidenciais de 2018. Caso abandone o governo e vença as próximas eleições, o PSDB corre o risco de pegar um país que foi economicamente devastado com a própria ajuda do partido. “É um risco que vai se ter. Pior neste momento é ajudar o país a afundar de vez”, disse um parlamentar tucano ao Estadão.

Diante disso, o partido decidiu, pelo menos por enquanto, continuar na base do governo, mas exige a saída imediata do que chamam de “amigos do presidente Temer” atingidos pelas delações da Odebrecht. Em reuniões reservadas, os parlamentares tucanos dizem que os peemedebistas próximos de Temer deveriam ter um gesto de “grandeza” e deixar do governo, o que traria de volta a “calmaria” política.

Para assegurar o apoio de seu maior partido aliado, Temer ofereceu ao PSDB a Secretaria do Governo, antiga pasta de Geddel. A expectativa é que até o fim desta semana o líder do PSDB na câmara, Antônio Imbassahy, assuma a pasta.

Em outro front, Temer luta para manter o apoio do bloco conhecido como “Centrão”, que reúne partidos médios, cujo apoio foi crucial para o impeachment. O bloco critica o espaço dado ao PSDB e a Rodrigo Maia (DEM), que derrotou os concorrentes do bloco na disputa pela presidência da Câmara. Para manter o Centrão na base aliada, Temer passou a convocar para suas reuniões mais restritas um dos líderes do bloco, o deputado Rogério Rosso (PSD).

O governo aposta todas as suas fichas na aprovação do pacote de medidas econômicas para retirar o país da crise. Entre elas, está a aprovação da PEC 55/241, a chamada PEC dos Gastos, a reforma da previdência e uma proposta que prevê autorizar o saque do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) para que trabalhadores possam pagar suas dívidas. O governo espera que a aprovação dessas medidas envie um sinal positivo a investidores e, em consequência, gere a retomada do crescimento econômico.

Fontes:
Folha-'Se houver delitos, que venham todos à luz de uma única vez', diz Temer'
Estadão-Tucanos querem manter apoio a Temer, mas pedem saída de 'amigos' do presidente
El País-Refém da Lava Jato, Temer age para segurar PSDB sem melindrar Centrão

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