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Belo Monte

Índios desocuparam Belo Monte, afirma Norte Energia

Depois de dois dias de negociações, indígenas teriam aceitado propostas apresentadas pela empresa

Índios desocuparam Belo Monte, afirma Norte Energia
Indígenas haviam montado um acampamento na barragem para impedir o trabalho dos operários no local (Foto: Mário de Paula / TV Liberal)

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A Norte Energia informou na tarde desta quarta-feira, 11, que, após dois dias de reuniões em Altamira (PA) com lideranças indígenas do Médio Xingu, houve um entendimento que permitiu a desocupação nesta manhã do sítio Pimental, um dos canteiros da usina hidrelétrica Belo Monte. Desde o dia 21 de junho, o local estava ocupado por índios das etnias Juruna, Xikrin, Arara da Volta Grande, Kaiapó e Parakanã.

Segundo o site Xingu Vivo, que cobre os conflitos em Altamira, os indígenas haviam montado um acampamento na barragem para impedir o trabalho dos operários no local e exigir o cumprimento de uma série de medidas de mitigação de impactos, previstas por lei, além de outras demandas de compensação pelos danos já sofridos e futuros.

Depois de reuniões, a Norte Energia declarou que os índios aceitaram as propostas apresentadas pela empresa, com algumas reivindicações atendidas imediatamente. Algumas questões serão discutidas dentro de dois comitês. Um comitê monitorará a vazão à jusante do rio Xingu. Outro acompanhará as condicionantes do “Projeto Básico Ambiental – Componente Indígena (PBA-CI)”.

Além do documento final assinado pelo diretor-presidente da Norte Energia, Carlos Nascimento, e dirigido a cada uma das várias lideranças indígenas, ficou definido que haverá um cronograma para reapresentação do sistema de transposição do Rio Xingu e de atendimento a algumas das demandas emergenciais.

Quanto à proteção das terras indígenas, a empresa comprometeu-se a entregar cinco bases operacionais e dois postos de vigilância. As duas primeiras unidades serão implantadas nas aldeias dos Arara da Volta Grande e na Koatiemo, com conclusão prevista até setembro.

Apesar do acerto, a disputa entre Belo Monte e indígenas continua intensa. O consórcio que toca a obra quer aproveitar o período de seca na região para finalizar a barragem do Rio Xingu, mas para isso precisa do aval da Funai. O grande problema é que, com o fechamento do rio e a construção das barragens, os índios xikrin ficarão sem acesso ao centro urbano.

Ficou estabelecido, no conjunto de obrigações da empresa e do governo destinadas a mitigar os impactos da obra, que seria construída uma via alternativa para os índios. O problema, segundo organizações não governamentais que acompanham o debate, é que o projeto chegou em cima da hora à Funai. Não teria havido tempo suficiente para analisá-lo e consultar os indígenas.
Diante do impasse, uma reunião realizada no último dia 10, em Brasília, colocou frente a frente representantes dos ministérios da Justiça, Planejamento e Minas e Energia e a direção da Funai.

Fontes:
Agência Estado - Norte Energia: índios desocupam Belo Monte
Terra - Consórcio negocia com índios que ocupam obras de Belo Monte

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