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política de bagagens

Instrumentos musicais em aviões: dissonância nas alturas

Empresas aéreas podem decidir se aceitam instrumentos pequenos como bagagem de mão, se o passageiro deve pagar por um assento extra ou se -- para horror dos músicos -- eles devem ser despachados

Instrumentos musicais em aviões: dissonância nas alturas
Países buscam criar legislações para lidar com o problema, mas até o momento vale a palavra das empresas (Reprodução/Stephanie Mackinnon)

Quando o celista Matt Haimowitz viaja, ele é acompanhado por CBBG Haimovitz, sigla em inglês para “bagagem de cabine Haimovitz”, ou melhor, o violoncelo de Haimovitz.

“Quando eu era adolescente, minha estratégia era entrar com meu celo no avião como quem não quer nada, sorrir bastante para as aeromoças e torcer para que elas se dispusessem a colocá-lo no compartimento de bagagem de mão”, conta Haimovitz. “Essa estratégia funcionava 50% das vezes, mas nas outras elas me falavam que eu tinha de despachá-lo, e como eu não conseguia conceber a possibilidade de me separar dele, comecei a pagar por outro assento”.

Haimowitz, um solista bem pago, tem a sorte de poder bancar tal luxo. Outros músicos têm que se arriscar. “Quando vemos nossos instrumentos sendo conduzidos pela esteira de bagagens, não sabemos se conseguiremos tocá-los novamente”, diz Ray Hair, presidente da Federação Americana de Músicos.

Os legisladores estão tentando solucionar essa questão. No mês passado o Parlamento Europeu aprovou uma lei que obriga as companhias aéreas a considerarem instrumentos pequenos, como violinos, como bagagem de mão. Organizações como o Sindicato dos Músicos da Grã-Bretanha estão apoiando a ideia, pois afirmam que a atual colcha de retalhos de regulações gera confusão. Os músicos podem voar a partir de um país onde vale uma regulação em relação a instrumentos e descobrir que as regras para o voo de volta são diferentes.

Há dois anos o Congresso americano instruiu o Departamento de Transportes (DoT, na sigla em inglês) a redigir uma diretiva exigindo que companhias aéreas aceitassem armazenar instrumentos nos compartimentos de bagagem de mão. Instrumentos maiores com peso de até 75 kg deveriam ser aceitos nos aviões caso o seu portador compre um assento extra, determinou o Congresso. Mas mesmo com o fim do prazo estipulado pelo Congresso, no mês passado, o DoT nem começou a formular as regras. A Iata, a associação comercial das linhas aéreas de todo o mundo, está aliviada, pois afirma que as linhas aéreas deveriam permanecer livres para estabelecer seus próprios preços e políticas para instrumentos musicais a bordo.

Logo, instrumentos musicais ainda enfrentam um destino incerto em transportes aéreos. Embora boa parte das linhas aéreas permita que pequenos instrumentos, como violinos, sejam tratados como bagagem de mão, outras os consideram como outra bagagem e cobram por isso. Algumas, como a Ryanair, apenas permitem instrumentos de pequeno porte na cabine, e mesmo assim apenas se o proprietário tiver pagado por um assento extra. Até que as leis sejam padronizadas, instrumentos musicais e aviões continuarão a formar um par desconfortável.

 

 

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2 Opiniões

  1. Roberto1776 disse:

    Para problemas excêntricos soluções não lineares: o pianista carrega o seu piano de cauda? NÃO.
    Pois os que tocam instrumentos menores devem aceitar a ideia de tocar em outros lugares usando instrumentos que já estejam lá. Isso pode até gerar um novo tipo de negócio para cidades que recebem muitos artistas: aluguel de instrumentos de primeira linha para grandes artistas.

  2. Israel Freire disse:

    Roberto 1776
    Me desculpe mas COM CERTEZA você não é um músico srsrs
    Para bateristas isso funciona bem, mas para qualquer outro instrumentista a sua sugestão é completamente inviável, o instrumento de um músico é único,principalmente violinistas, guitarristas nem se falam( por uma série de motivos como: tensão, afinações diferentes, cordas e etc..), e outra, bons instrumentos são MUITO caros, ninguém compra um instrumento para deixa-lo em casa.

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